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Curitiba recebe feira com produtos de Indicação Geográfica dos três estados do Sul

há 5 horas
5 min de leitura

24/09/2026


Pequenos empreendedores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentam ao público sabores ligados à origem e à identidade dos territórios


Foto: Adriano Oltramari
Foto: Adriano Oltramari

O que faz um produto ter o sabor de um lugar? Por trás de um queijo, um café ou de um pote de mel podem existir características da região, conhecimentos transmitidos entre gerações, formas próprias de produzir e histórias que ajudam a explicar por que aquele produto é diferente. É essa relação entre produto, origem e identidade que o consumidor poderá conhecer de perto neste sábado (26) e domingo (27), durante a Feira de Indicações Geográficas Sou Sul, em Curitiba. Promovido pelo Sebrae/PR, com organização do Fórum Origens Paraná e curadoria da Curitiba Honesta, o evento reúne produtos com Indicação Geográfica (IG) dos três estados da região Sul, além de produtores, chefs e consumidores.

O Paraná ocupa o primeiro lugar no Brasil em número de Indicações Geográficas, com 28 registros reconhecidos. Segundo a consultora do Sebrae/PR, Maria Isabel Guimarães, a realização da feira acompanha o avanço das IGs na região Sul, com a ampliação do número de produtos e territórios envolvidos tanto em registros já reconhecidos quanto em novos processos de estruturação.

“Além das IGs já reconhecidas, diferentes iniciativas estão em processo de estruturação, envolvendo produtores e instituições que buscam reconhecer e proteger características próprias de seus territórios. São sabores que fazem parte da história e da cultura construídas a partir do território, dos saberes, das características naturais e da tradição de quem produz”, comenta a consultora do Sebrae/PR.

Maria Isabel destaca que a feira também representa uma oportunidade de mercado para estabelecer parcerias, fortalecer as IGs e movimentar as cadeias produtivas ligadas aos territórios.

“Ao reconhecer uma Indicação Geográfica, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) protege o nome geográfico associado ao produto e à sua origem. Mas o trabalho posterior ao reconhecimento é igualmente importante para fortalecer o sentimento de pertencimento e a relação entre produtores, produtos e território. É um trabalho que envolve não apenas o Sebrae/PR, mas todos os atores ligados à IG, desde o processo de obtenção do registro até sua consolidação, inovação e valorização da história desses produtos”, avalia Maria Isabel.


IG que ultrapassa as fronteiras do Sul

Marcos Venturin será um dos produtores que participarão da Feira de Indicações Geográficas Sou Sul. A participação acontece em um ano de produção do mel de melato da bracatinga, fenômeno que ocorre a cada dois anos e está diretamente ligado à presença da cochonilha nos bracatingais.

“A bracatinga é uma árvore nativa do Planalto Sul, acima de 700 metros de altitude. A cada dois anos, nos anos pares, os bracatingais são infestados pela cochonilha, que suga a seiva e excreta um líquido adocicado, o melato”, explica Venturin.

A área delimitada pela IG abrange 134 municípios dos três estados do Sul, sendo 107 de Santa Catarina, 12 do Paraná e 15 do Rio Grande do Sul. No Paraná, a área inclui Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Porto Vitória e União da Vitória.

Segundo Venturin, o diferencial que garantiu o registro é que esse mel não existe em nenhum outro lugar do mundo com as mesmas características. De cor âmbar escura, apresenta menores teores de frutose e glicose, maior concentração de aminoácidos e compostos bioativos com potencial antioxidante, além de não cristalizar como o mel floral.

Menos doce e com notas amadeiradas, resinosas e levemente defumadas, o melato da bracatinga também ganhou espaço na gastronomia, em harmonizações com queijos, carnes, cervejas artesanais e sobremesas com chocolate amargo.

Para ele, o valor agregado com a obtenção da IG é indiscutível e inclui aumento de até 50% no preço do produto em comparação com o mel comum. Segundo Venturin, atualmente, 95% da produção catarinense é exportada como produto destinado à alta gastronomia, principalmente para Alemanha, EUA e Japão.

“A IG é uma garantia de que o produto é genuíno e tem qualidades particulares ligadas ao território. Com isso, a região ganha em turismo e desenvolvimento local, e o produtor ganha notoriedade”, avalia.


Do território para a mesa

Sergio Medeiros, coordenador do Fórum Origens e diretor da Curitiba Honesta, destaca que reunir diferentes produtos com IG em um mesmo espaço fortalece o coletivo, abre oportunidades de mercado e aproxima os produtores do consumidor.

“A experiência de colocar produtor e consumidor para conversar e se entenderem não acontece no dia a dia. Os produtores certamente terão uma ótima oportunidade de conhecer e compreender quem compra seus produtos, o que contribui para futuras ações de venda”, detalha.

Para a consultora do Sebrae/PR Maria Isabel Guimarães, a feira também ajuda o consumidor a compreender o valor que existe por trás de uma Indicação Geográfica.

“A proposta é mostrar que, antes de chegar à mesa, cada produto percorre um caminho que envolve produtores, associações, conhecimento, características locais e uma identidade construída coletivamente. É nesse ponto que a Indicação Geográfica deixa de ser apenas um selo ou uma informação na embalagem e passa a funcionar como uma ferramenta de valorização do território”, sustenta.


Que tal uma visita à feira?

A Feira Sou Sul acontece dias 26 e 27 de setembro, no Espaço Nova Onda, no centro de Curitiba, das 10h às 18h. O evento é aberto ao público e tem entrada gratuita.


Tem programação e sabor 

Ao longo dos dois dias, a feira terá produtos para consumo no local, como carne de onça de Curitiba, sanduíche de porco moura e bebidas com erva-mate São Matheus. Além de degustação e venda de produtos com IG, a programação conta com aulas-show. Em todas as aulas, os participantes poderão degustar os preparos ensinados.  São 15 vagas por aula, por ordem de inscrição no local. 

O Empório Dom Pedro também participará da feira com outros produtos locais, como embutidos de porco moura, doces de leite, queijos premiados e geleias da região.


Sábado (26)

14h - aula com o chef assador Carlos Fogo, que vai preparar Cordeiro de Virmond na parrilla com farofa de broa de centeio e bala de banana de Antonina. 

15h, Délio Canabrava, da Cantina do Délio, ensina a fazer Ravióli de linguiça Blumenau e bala de banana servido com fonduta de queijos de Witmarsum. 

16h - a confeiteira Roberta Schwanke vai apresentar Origens na Mesa: A Alta Confeitaria com Identidade Paranaense, preparando o doce Mille Presse nos sabores Camomila de Mandirituba e cachaça de Morretes & mel e Café e caramelo de bala de banana de Antonina.


Domingo (27)

15h - aula com Sérgio Medeiros, da Curitiba Honesta, ensinando a preparar a autêntica Carne de Onça de Curitiba. 

16h, o chef Felipe Cavalcanti, do Tekoa, apresenta sua Mousse de erva mate de São Matheus, com Camomila de Mandirituba e cru Bel de chocolate branco. 

Entre os produtos que participarão da Feira Sou Sul estão Bala de Banana de Antonina, Broa de Centeio de Curitiba, Café de Mandaguari, Café do Norte Pioneiro do Paraná, Camomila de Mandirituba, Caprinos e Ovinos de Virmond, Carne de Onça de Curitiba, Cervejas de Guarapuava, Couro de Peixe de Pontal do Paraná, Cracovia de Prudentópolis, Erva-mate São Matheus, Ginseng de Querência do Norte, Goiaba de Carlópolis, Linguiça Blumenau, Mel de Melato da Bracatinga do Planalto Sul do Brasil, Mel de Ortigueira, Morango do Norte Pioneiro, Queijo Colonial do Sudoeste do Paraná, Queijos da Colônia Witmarsum, Suco de Uva de Bituruna e Urucum de Paranacity.


Créditos: Divulgação / Partners.

 
 
 

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