Crise e renúncia mostram lado perverso da economia do Paraguai, aponta Romanelli
05/11/2026
O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) disse nesta quinta-feira, 5, que a renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, mostra o modelo do sistema bancário nos países da América do Sul que além de penalizar os pobres e trabalhadores, peca pela transparência do da origem dos ativos e hoje é o principal foco de casos de corrupção envolvendo agentes financeiros e autoridades.
"Santiago Peña apresentou a renúncia à Presidência do Paraguai em meio ao escândalo do Ueno Bank. O 'paraíso econômico' que tanta gente vendeu agora tem milhões de correntistas sem acesso ao próprio dinheiro. Cadê os que exaltavam esse modelo? Para mim, a renúncia não basta. É preciso investigar até o fim, apurar a responsabilidade de Peña e de todos os envolvidos e cobrar justiça. Deixar o cargo não pode ser uma saída para escapar de prestar contas à população", apontou Romanelli que na manhã desta quinta-feira apontou falhas no modelo econômico adotado pelo Paraguai.
Romanelli prestou solidariedade ao povo paraguaio e, principalmente, aos mais de clientes do banco que ainda não conseguiram acessar suas contas e o dinheiro depositado ou aplicado. "Dinheiro de trabalhadores e aposentados exige proteção, fiscalização e responsabilidade. Nenhuma propaganda de 'paraíso' pode valer mais do que a segurança das pessoas", destacou.
ModeloPela manhã, Romanelli questionou o modelo da economia paraguai que, segundo ele, vendeu uma ilusão e a conta chega agora com um terrível estrondo. "Durante anos, criaram a narrativa de que o Paraguai era o novo Eldorado, o paraíso liberal sem impostos, sem burocracia, onde tudo funciona e em quem o futuro já começou. Pois bem, a crise que explode agora com a quebra do Banco Ueno que derrubou essa fantasia da pior forma possível", disse.
O deputado ainda apontou que, comumente, alguns políticos usaram o Paraguai como palanque político sem fazer qualquer comparação, por exemplo, do perfil do estado do Paraná com o país vizinho. "Vamos a um dado simples, o Paraguai inteiro tem cerca de 6,5 milhões de habitantes. O Paraná passa dos 11,5 milhões. O PIB do estado é três vezes maior do que o PIB do Paraguai".
Relações perigosasO Paraguai, segundo Romanelli, não é uma potência misteriosa, é um país que convive com carências estruturais profundas, serviços públicos precários, índice de pobreza doloroso. "E o que a queda do Banco Ueno escancara? Olha, as mesmas velhas práticas da politicagem. O governo do presidente Santiago Pena direcionou centenas de milhões de dólares de fundos públicos, inclusive de aposentadoria de trabalhadores, inclusive recursos da Itaipu",
"O banco tem ligações diretas com o poder, com a família do presidente Peña. Agora que a farra acabou, sobrou um desespero, mais de três milhões de pessoas com contas congeladas e a economia em choque. Onde foi parar a tal eficiência desregulatória do suposto paraíso?", disse Romanelli.
"Mais revoltante é a irresponsabilidade de influenciadores, políticos que lucraram criando essa cortina de fumaça, atraíram pessoas ingênuas, empresários desavisados e famílias que lhe acreditaram nessa conversa de terra prometida, arriscando o patrimônio, mudando de vida em base em propaganda ideológica barata, usaram a vida de gente séria para validar discursos de rede social", completou.
(foto: Ascom/Deputado Romanelli)







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