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Covid-19: remédio raro no SUS deve custar R$ 2.700 em farmácia

  • 5 de dez. de 2022
  • 2 min de leitura

05/12/2022


Paxlovid foi aprovado nos Estados Unidos



Recentemente autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser vendido em farmácias, o Paxlovid -um remédio comprovadamente eficaz contra a Covid- deve chegar às prateleiras custando R$ 2.700.


Como o governo federal encomendou até agora apenas 100 mil doses do medicamento da Pfizer para distribuir a toda rede pública de saúde, o tratamento pode acabar “elitizado”, avalia o vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Alexandre Naime.


Com eficácia de 89% contra hospitalização e morte de idosos e pessoas com baixa imunidade, o Paxlovid foi aprovado nos Estados Unidos em dezembro do ano passado. Um mês antes, porém, o governo americano já anunciava a compra de 10 milhões de doses.


No Brasil, a Anvisa aprovou o remédio em março. Em maio, sua distribuição no SUS foi aprovada, mas, em agosto, o governo ainda estava em “tratativas” para a compra.


Na ocasião, a Pfizer disse ter “capacidade de produção suficiente” para atender “as necessidades brasileiras”.


Quando o negócio foi fechado, o governo comprou 100 mil doses para distribuir entre os 26 estados e Distrito Federal. Apenas 50 mil foram entregues em 29 de setembro, enquanto o restante está previsto para chegar “no início de 2023”, disse à reportagem o Ministério da Saúde.


Até agora, mais de 30 milhões de doses foram distribuídas a 43 países.


Enquanto o governo aguarda o restante da remessa, a Anvisa autorizou, em 21 de novembro, a venda do Paxlovid em farmácias e hospitais particulares.


A Pfizer disse à reportagem buscar “disponibilizar o medicamento o mais rapidamente possível” à rede privada, mas não estimou data ou preço.


Para o governo dos Estados Unidos, cada tratamento, que dura cinco dias, custou US$ 530 (R$ 2.700 em valores de hoje). Na França, saiu por R$ 2.800.


“Vai se criar um mercado elitizado”, aposta Maine, que além de vice-presidente da SBI é pesquisador e professor de infectologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista).


A indústria farmacêutica, por saber que a encomenda pública é pequena, pediu para vender no privado, o que já foi autorizado e deve chegar às farmácias em dezembro.Alexandre Naime, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.


Convidado pelo governo federal eleito a ajudar na transição, Naime disse que em reunião em novembro sugeriu “ao governo de transição que faça acordos com laboratórios para comprar quantitativos mais elevados”.


“Agora que tem remédio comprovado e aprovado, tem de usar”, defende.


Especialista em direito médico, o advogado Washington Fonseca diz que “sem dúvida é uma quantidade muito pequena”, mas lembrou que a demanda “mundo afora é grande” e é preciso “verificar quanto a Pfizer disponibilizou ao governo”, pergunta que nem o o Ministério da Saúde nem a Pfizer responderam.


O advogado diz, no entanto, que “o SUS deve ser privilegiado” porque quem depende dele não terá dinheiro para comprar.

 
 
 

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