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Coritiba alcança cinco meses de invencibilidade fora de casa

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

12/03/2026


Coxa faz 2 a 0 contra o Corinthians, em Itaquera


Divulgação
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A mística que envolve o Coritiba quando atua longe de seus domínios deixou de ser uma coincidência para se tornar uma marca registrada. O que se viu na noite de quarta-feira, na Neo Química Arena, foi o ápice de um processo de maturação que já perdura por cinco meses.

 

Desde o revés sofrido diante do Cuiabá, ainda em outubro do ano passado, o Coxa calibrou a estratégia para se tornar o visitante mais indigesto do futebol brasileiro. São agora 11 partidas de invencibilidade fora de casa, um recorte que ostenta oito vitórias e uma solidez emocional que parece não se abalar nem mesmo de adversários gigantes.

 

O triunfo por 2 a 0 sobre o Corinthians não foi apenas circunstancial, foi uma aula de ocupação de espaços. O Coxa controlou o ritmo emocional do jogo, neutralizando as investidas do adversário e sendo cirúrgico quando a bola parada ou a transição rápida se apresentaram como caminhos.

 

O resultado carrega um peso histórico ao encerrar um incômodo jejum de 23 anos sem vitórias sobre o Timão em solo paulista, além de marcar o primeiro triunfo alviverde na história da Neo Química Arena após oito tentativas frustradas. Foi a noite em que o tabu sucumbiu à organização de Fernando Seabra.

 

 

O início desse desempenho remete ao período de duas semanas sem jogos, utilizado por Seabra para realizar ajustes. A escolha por resgatar a estrutura que deu sustentação ao time em momentos decisivos do ano passado provou-se um acerto tático fundamental.

 

Ao escalar Maicon e Jacy na retaguarda, amparados por um meio-campo combativo e técnico formado por Wallisson, Sebastián Gómez e Josué, o treinador priorizou o entrosamento. Essa base, que já havia provado seu valor na campanha de acesso, ofereceu a segurança necessária para que o Coritiba suportasse a pressão inicial.

Embora o Corinthians tenha mantido o controle da posse de bola durante boa parte da etapa inicial, foi o "falso domínio", esbarrando em uma linha defensiva que se comportava como um bloco fechado. O Coritiba soube sofrer e esperar o momento de ferir.

 

O primeiro aviso veio com Pedro Rocha, em lance anulado por impedimento, mas a sinalização de que o Coxa estava vivo na partida mudou a postura do confronto após a parada técnica.

 

Foi nesse intervalo que Seabra reorganizou as linhas e pediu efetividade na bola parada. Aos 36 minutos, a precisão de Josué encontrou a impulsão de Jacy, que testou firme para abrir o placar.

 

No segundo tempo, o roteiro de organização se manteve, mas com um aditivo. Com o Corinthians adiantando suas linhas em uma tentativa desesperada de pressão, o Coritiba soube explorar as lacunas deixadas.

 

A segurança defensiva, potencializada pela cobertura de Bruno Melo e a proteção de Wallisson, permitiu que o talento ofensivo florescesse no momento exato.

 

O golpe de misericórdia veio dos pés de quem enxerga o jogo em uma frequência diferente: Josué. Com um passe magistral, digno dos grandes camisas 10, ele encontrou Lucas Ronier na área. O jovem Piá do Couto, desafiando sua estatura de 1m63, mostrou um tempo de bola irretocável para cabecear e ampliar a vantagem.

 

O triunfo, contudo, não veio sem uma dose de drama e preocupação. A saída de Jacy em uma ambulância, após sofrer uma bolada no rosto e ser submetido ao protocolo de concussão, trouxe apreensão. Mas nem mesmo a perda de um de seus pilares na reta final desestabilizou o grupo.

 

O Coritiba manteve o equilíbrio, gastou o tempo com inteligência e confirmou sua posição na parte alta da tabela, ocupando a quinta colocação. É curioso notar que toda a pontuação na Série A até aqui foi conquistada como visitante, evidenciando um time que se sente extremamente confortável jogando fora de casa.

 

O próximo passo para a consolidação definitiva do Coritiba na temporada reside na tradução dessa eficiência para dentro do Couto Pereira. O Coxa provou que tem brio, tática e peças individuais capazes de decidir jogos grandes, mas a estabilidade na elite e o direito de sonhar com voos mais altos, como uma vaga em competições continentais, passam obrigatoriamente pela força do mando de campo.

 

Se o Coxa conseguir aliar a combatividade que apresenta longe de Curitiba com a imposição técnica dentro de casa, o torcedor terá motivos de sobra para acreditar que 2026 reserva algo muito maior do que a simples permanência. O potencial já foi exposto. Agora, o desafio é a regularidade.


 
 
 

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