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Contas externas têm saldo negativo de US$ 6,5 bilhões em novembro

  • 22 de dez. de 2021
  • 3 min de leitura

22/12/2021


Investimentos diretos no país somaram US$ 4,6 bilhões no mês passado



As contas externas tiveram saldo negativo de US$ 6,522 bilhões em novembro, informou nesta quarta (22), em Brasília, o Banco Central (BC). No mesmo mês de 2020, o déficit foi de US$ 2,463 bilhões nas transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países.


A diferença na comparação interanual se deve ao resultado do superávit comercial que reduziu US$ 4,2 bilhões, enquanto o déficit em renda primária (lucros e dividendos) aumentou US$ 193 milhões e o déficit em serviços recuou US$ 183 milhões.


Em 12 meses, encerrados em novembro, o déficit em transações correntes é de US$ 30,842 bilhões, 1,92% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país), ante o saldo negativo de US$ 26,783 bilhões (1,68% do PIB) em outubro de 2021 e déficit de US$ 21,524 bilhões (1,46% do PIB) no período equivalente terminado em novembro de 2020.


A relação déficit-PIB em 12 meses se reduziu muito em razão dos efeitos da pandemia nas atividades. Em 12 meses encerrados em fevereiro de 2020, por exemplo, período pré-pandemia, o déficit em transações foi de US$ 68,802 bilhões ou 3,72% do PIB.


Já no acumulado do ano, o déficit é de US$ 22,384 bilhões, contra saldo negativo de US$ 16,034 bilhões de janeiro a novembro de 2020.


Para dezembro de 2021, a estimativa do BC para o resultado em transações correntes é de déficit de US$ 6,8 bilhões.


Balança comercial e serviços

As exportações de bens totalizaram US$ 20,523 bilhões em novembro, aumento de 17,1% em relação a igual mês de 2020. As importações somaram US$ 23,058 bilhões, incremento de 45,6% na comparação com novembro do ano passado.


Com esses resultados, a balança comercial fechou com déficit de US$ 2,535 bilhões no mês passado, ante saldo positivo de US$ 1,685 bilhão em novembro de 2020. Isso se deve à retomada do dinamismo da atividade econômica interna, aumentando o déficit em transações correntes.


O déficit na conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos e seguros, entre outros) manteve a trajetória de retração com saldo negativo de US$ 1,590 bilhão em novembro, redução de 10,3% ante os US$ 1,773 bilhão em igual mês de 2020.


A rubrica de aluguel de equipamentos foi responsável por parte da redução do déficit da conta de serviços, devido à nacionalização de equipamentos no âmbito do Repetro (regime aduaneiro especial). Com a propriedade na mão de residentes não há mais necessidade de pagar aluguel para estrangeiros. Na comparação interanual, houve redução de 35,9% nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, de US$ 753 milhões em novembro de 2020 para US$ 483 milhões em novembro de 2021.


O Repetro é o regime aduaneiro especial que suspende a cobrança de tributos federais, de exportação e de importação de bens que se destinam às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural, principalmente as plataformas de exploração.


Em linha com a expansão do volume de comércio exterior, as despesas líquidas de transporte tiveram aumento expressivo na comparação interanual, de US$ 301 milhões em novembro de 2020 para US$ 615 milhões no mês passado.


No caso das viagens internacionais, as receitas de estrangeiros em viagem ao Brasil chegaram a US$ 320 milhões, enquanto as despesas de brasileiros no exterior ficaram em US$ 618 milhões. Com isso, a conta de viagens fechou o mês com déficit de US$ 298 milhões, ante déficit de US$ 144 milhões em novembro de 2020, contribuindo para elevar o déficit em serviços


De acordo com o BC, esta é uma conta muito afetada pelas restrições impostas pela pandemia e pelas taxas de câmbio, mas vem se recuperando com o avanço da vacinação e reabertura dos países, com média acima de US$ 200 milhões de déficit nos últimos meses. Ainda assim, os valores estão muito abaixo do período pré-pandemia.

 
 
 

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