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Colégio indígena do Paraná é reconhecido por ações de permanência no ensino noturno

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

12/06/2026


Uma comitiva do Colégio Estadual Indígena Fẽg Prág Fernandes, de Laranjeiras, no Centro-Sul do Estado, esteve em Brasília, nesta semana, para receber o reconhecimento pela participação no programa Ensino Médio Mais, do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa apoia escolas públicas que ofertam o Ensino Médio no período noturno e viabilizam práticas pedagógicas para manutenção dos estudantes na instituição.

Atendendo jovens indígenas Kaingang, o colégio adaptou o ensino à realidade da comunidade, cujos estudantes mantêm forte vínculo com a cultura local e precisam conciliar os estudos com o trabalho, as responsabilidades familiares e as práticas culturais tradicionais.


De acordo com o secretário estadual de Educação do Paraná, Roni Miranda, a iniciativa do colégio reforça a importância de valorizar a cultura local na educação. “Sempre incentivamos os colégios a reforçarem elementos da cultura local, especialmente em colégios indígenas onde a cultura molda toda a convivência comunitária dos estudantes”, afirma.


Ela acrescenta que é importante destacar as iniciativas presentes no colégio que resultaram no reconhecimento. “O sentimento ao ver esse reconhecimento é de orgulho do que nossos professores e estudantes são capazes de alcançar. Ficamos muito felizes em ver o resultado de tudo isso”.

Estiveram em Brasília a diretora, uma professora e uma aluna representando o colégio, além do técnico pedagógico do Ensino Médio na Secretaria de Estado de Educação do Paraná, Alencar Caleffi, que destacou a contribuição do Ensino Médio Mais para o desenvolvimento de ações pedagógicas e inovadoras para os estudantes do noturno.


“É um programa de fomento que tem foco central na permanência, na aprendizagem e no sucesso dos estudantes que frequentaram essa etapa de ensino. A escola que representou o Paraná trouxe uma característica fundamental para fortalecer esse protagonismo estudantil dos alunos do noturno”, explica.


Ele ainda destaca a iniciativa da equipe pedagógica de ouvir os alunos para incorporar os elementos culturais na dinâmica escolar. “Isso resultou em uma proposta pedagógica incrível que trouxe para eles um pensamento voltado para o apoio, o planejamento e o compromisso do projeto de vida desses estudantes”, pontua.


Para a diretora do colégio, Rainilda Müller, foi um momento de muito orgulho para a comunidade escolar. “Estar entre os selecionados para esse encontro nacional evidencia o compromisso de toda a equipe com uma educação transformadora, inovadora e centrada no desenvolvimento integral dos estudantes”.


Além do reconhecimento, ela conta que teve a oportunidade de trocar experiências com representantes de outros 17 estados brasileiros sobre as práticas aplicadas nas instituições. “Seguimos motivados a construir todos os dias uma escola que inspira, transforma e faz a diferença, e a mostrar que as práticas pedagógicas vão além da sala de aula. Educação de qualidade constrói com dedicação, compromisso e propósito”.


A aluna Leidiane Muvenso Bernardo, 17 anos, da  3ª série do Ensino Médio, foi escolhida para acompanhar o evento. “Representar nosso colégio, com certeza, foi um privilégio muito grande para mim. Desde o primeiro momento, participar do programa Ensino Médio Mais até o reconhecimento com a melhor proposta pedagógica do Estado do Paraná, foi incrível”, comenta.


CULTURA KAINGANG – Muitos estudantes do colégio acumulam diferentes responsabilidades na comunidade como a participação em atividades comunitárias e o fomento de práticas culturais, incluindo a produção de artesanato, fatores que, eventualmente, podem impactar na frequência escolar. Nesse contexto, a equipe pedagógica notou a necessidade de aproximar o currículo dos saberes culturais, fortalecendo a identidade dos estudantes e promovendo a valorização da cultura Kaingang no ambiente escolar.


A proposta pedagógica desenvolvida pela instituição colocou a valorização da cultura Kaingang no centro do processo educativo, articulando os conhecimentos escolares aos saberes tradicionais da comunidade. Essa integração fortaleceu a identidade cultural dos alunos e contribuiu para a permanência e participação no Ensino Médio noturno.


Para a professora Diomara Renhra Lourenço Mathias, que também pertence à etnia Kaingang, participar desse momento reforçou a importância da valorização cultural e o orgulho de poder aplicar elementos da própria cultura no trabalho pedagógico.


“Representar nossa comunidade e ver trabalho desenvolvido pelo nosso colégio ser reconhecido pelo Ministério da Educação foi a confirmação de que a educação indígena construída com respeito à nossa cultura e identidade produz sim resultados significativos dentro da educação escolar”, afirma.


Ela sente orgulho ao ser inspiração para outros colégios que valorizam a cultura indígena dentro de sala de aula. “Levo comigo a alegria de ter contribuído para essa conquista coletiva e a certeza de que seguiremos inspirando outras comunidades, mostrando que a educação indígena é um caminho para a valorização cultural e transformação social”.


ENSINO MÉDIO MAIS – O programa Ensino Médio Mais, instituído pelo MEC, teve sua primeira edição no exercício 2024-2026. No evento realizado em Brasília neste mês, participaram colégios representantes de 18 estados brasileiros, incluindo o Paraná com o Colégio Estadual Indígena Fẽg Prág Fernandes, que recebeu o fomento de quase R$ 14 mil para aplicação das estratégias pedagógicas propostas.


Para o exercício de 2026, outras 21 escolas estaduais do Paraná com Ensino Médio no período noturno participam do projeto e receberão o recurso baseado na quantidade de estudantes matriculados. O investimento deve ser aplicado durante o segundo semestre deste ano.

 

 

Foto: Arquivo pessoal

 


 
 
 

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