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Analfabetismo fica abaixo dos 5% pela 1ª vez, mas Brasil descumpre meta

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

19/06/2026


Geovana Albuquerque/Agência Brasília
Geovana Albuquerque/Agência Brasília


Pela primeira vez, a porcentagem de analfabetos no Brasil ficou abaixo dos 5%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) da Educação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 19.


Conforme a nova edição da pesquisa, em 2025 havia 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabiam ler ou escrever um simples bilhete, o equivalente a 4,9% da população.


Em 2016, primeiro ano da PNAD Educação, a porcentagem de analfabetos no País era de 10,6%. Ou seja, a taxa caiu pela metade nos últimos nove anos.


Mas embora os níveis educacionais venham melhorando ano após ano, o País ainda não conseguiu cumprir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que era de erradicar o analfabetismo até 2024. A maior parte dos analfabetos tem 60 anos ou mais, é negra e vive no Norte ou no Nordeste.


O analfabetismo segue fortemente associado à idade. A maioria das pessoas que não sabe ler e escrever no Brasil (4,8 milhões, o equivalente a 58% do total) têm 60 anos ou mais. Se excluirmos os idosos, a taxa de analfabetismo entre o restante da população (de 15 a 59 anos) é de 2,6%.


De acordo com os técnicos do IBGE, a diferença indica que faltam políticas de alfabetização de adultos e idosos, e também que as novas gerações têm conseguido acesso maior à escolarização e foram alfabetizadas ainda na infância.


A análise por cor ou raça também evidencia a persistência das desigualdades educacionais, ainda que apresente tendência de redução.

Na população em geral, somente 2,8% dos analfabetos eram brancos, ante 6,5% entre pretos e pardos (negros).


A diferença se acentua significativamente entre os idosos negros, chegando a ser quase três vezes maior do que entre os idosos brancos: 20,6% e 7,3%, respectivamente. Segundo o IBGE, trata-se de "um legado estrutural de exclusão educacional".


As diferenças por região também persistem, refletindo as desigualdades regionais históricas. As regiões nordeste e norte mantiveram as porcentagens mais elevadas: 10,6% e 5,7% entre as pessoas com 15 anos ou mais de idade. Em contrapartida, as menores taxas foram observadas nas regiões sudeste (2,8%) e sul (2,7%). A região centro-oeste registrou 3,3%.


A pesquisa registra também uma ligeira diferença no recorte por sexo, confirmando a tendência de que as mulheres estão estudando mais do que os homens. O analfabetismo atinge 4,6% das mulheres e 5,2% dos homens. (Estadão Conteúdo).


Texto por: Roberta Jansen


 
 
 

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