Designer criadora de figurinos performáticos participa de residência artística no Kaaysá em contato

Artista utiliza a cultura brasileira como temática para desenvolver suas criações e a residência no Kaaysá renderá novos frutos

Gabriela Lotaif acaba de participar de uma residência artística no Kaaysá. O espaço é conhecido internacionalmente, foi fundado e é gerido por mulheres: Lourdina Rabieh e Lucila Mantovani, e faz parte de um compilado de residências denominadas como RESartis.


Para Gabriela Lotaif, a residência artística Kaaysá marcou seu desenvolvimento como criadora de forma diversa e intensa. “Minha experiência aconteceu em dois momentos. Primeiro, foi confusa e de certa forma reveladora de dúvidas internas, quando tive a oportunidade de olhar para dentro de mim e me permitir sentir finalmente um luto que havia guardado, reprimido de certa forma em meu interno. Já durante o segundo momento (duas semanas depois), tudo mudou”, esclarece.


Segundo a designer, o contato com outros artistas, a população caiçara local e a natureza possibilitaram tantas novas e interessantes informações sobre ritos, hábitos e comportamentos. “A semente de minha busca por um feminino natural ritualístico e poderoso, que nutre e protege foi plantada e regada ali”, declara Gabriela.


A experiência não estaria completa sem a generosidade dos artistas Moisés Patrício, Sheyla Ayó, Ana Squilanti e Alex Kaleb Romano, que também participaram da residência. Lucila Mantovani e Lourdina Jean Rabieh, que dirigem o local, comprovaram a imensidão do projeto. Poucas pessoas têm a capacidade de repetidas vezes criar oportunidades como essa residência para artistas se unirem em um ambiente de tanto poder e tanta promessa.


Graças ao convívio com o grupo e trocas de experiência, Gabriela pôde trabalhar no seu conceito inicial, processo pelo qual ainda está em desenvolvimento, além de ter iniciado a busca por elementos para serem transformados em tecidos.


Tendo a natureza como aliada, a artista começou sua busca por materiais a partir de plantas que pudesse tecer ou transformar em tecido. “Separei primeiro fibras de coqueiro e bananeira, cipós e algumas folhas de palmeira leque e as deixei secar no sol para então trabalhar com elas. Depois testei envernizar as fibras do coqueiro para que se tornassem mais resistentes e, em seguida, fiz uma visita à praia dos pescadores e comecei a ter contato com a prática de emendar redes de pesca”, esclarece.


Gabriela descobriu um tesouro da cidade: Carioca, um dos moradores mais antigos da vila e que produzia redes de pesca. Ele não só a ensinou como fazer a rede, mas iniciou uma do tamanho (da malha) que era preciso, ajudou a produzir algumas carreiras e a presenteou com uma agulha, um tablado e ainda fio de sobra para fazê-la crescer.


No mesmo dia, Gabriela decidiu voltar às fibras, mas dessa vez explorar as possibilidades das folhas de palmeira leque. Separou suas seções mais periféricas para criar algum tipo de tecido usando-as como ‘linhas’ até enxergar mais possibilidades de seu leque quando mais fino, de tornar-se coroa, ou até corpete, ou ainda acabamento de saia perante o ventre. “Explorei, sem grandes padrões todas essas opções, tanto de forma manual quanto por meio de desenhos, que partiam da junção de todos aqueles elementos e do conceito da mãe natureza que nutre e protege sobre o qual tanto conversei durante esse tempo”, finaliza.


O próximo passo é continuar esse processo até que a peça esteja totalmente pronta. O diferencial de Gabriela é justamente ter a cultura brasileira como temática para desenvolver seu trabalho. Com apenas 23 anos, a artista foi a única brasileira a se formar na LCF London College of Fashion, no final de 2018.


Mãe d´água (Mother of Water) é o mais recente projeto autoral desenvolvido por Gabriela, fruto do Mestrado em Figurino para Performance, MA Costume Design for Performance, concluído em dezembro de 2018, em Londres, na London College of Fashion, University of the Arts London (LCF, UAL).


O projeto Mãe d´água foi inspirado em Yemanjá, Oxum e Nanã, três figuras da Umbanda, também consideradas folclóricas e que representam o ritual dos ciclos da água na terra. Yemanjá representa o mar, Oxum as águas doces e cachoeiras e Nanã representa a lama e a chuva. Curiosamente, a imagem das três aparecem retratadas em 3 gerações, sendo Yemanjá sempre jovem e exuberante, Oxum mais madura, sem perder a vaidade, e Nanã mais idosa e sábia.

25 de outubro de 2020

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