As razões políticas acima do dinheiro no boxe profissional
- 25 de out. de 2017
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Teófilo Stevenson Lawrence nasceu em Puerto Padre, no dia 29 de março de 1952 e morreu em Havana, 11 de junho de 2012. Foi um engenheiro e um grande boxeador “amador” cubano.
Como pugilista, Teófilo veio a ser tricampeão olímpico dos peso pesados por Cuba e é considerado por muitos como o maior boxeador amador de todos os tempos.
Seu pai, Teófilo Stevenson Patterson era um imigrante de língua inglesa da ilha antilhana de São Vicente e sua mãe Dolores, apesar de nascida em Cuba, era filha de imigrantes procedentes de São Cristóvão. Por isso, Teófilo Lawrence falava não só espanhol, mas tinha seu inglês fluente.
Teófilo Lawrence seguiu a carreira de pugilista, mas com mais facilidades do que seu pai, que também praticou o esporte, devido a ter iniciado já sob o regime castrista, o qual apoiava fortemente os esportes amadores, com treinamento olímpico.
Conhecido como o Gigante del Central Delicias, Teófilo Lawrence conquistou o ouro olímpico em três jogos consecutivos, o de Munique 1972, o de Montreal 1976 e o de Moscou 1980. Em diversos campeonatos mundiais amadores, na categoria de pesos pesados (mais de 90 kg) sempre teve êxito nos combates. Das 321 lutas de que participou em vinte anos de carreira, venceu 301 e nunca perdeu por nocaute.
Com 1,90 m de altura e peso na média dos 93 kg, Teófilo é considerado o maior boxeador “amador” de todos os tempos, pois nos regimes socialistas da Europa Oriental e de outras partes (como Cuba) os atletas de destaque são patrocinados pelo Estado, então como o boxe profissional é essencialmente voltado para os Estados Unidos, sempre houve barreiras para Teófilo.
Há histórias de que Teófilo recebeu várias ofertas que chegavam em até US$5 milhões, para que se tornasse um atleta profissional nos Estados Unidos. Tais ofertas foram rechaçadas por Teófilo publicamente, o que lhe rendeu uma proteção ainda maior do governo cubano. Suas convicções eram extremistas a favor do povo cubano.
Por várias vezes, anunciou-se que Teófilo lutaria contra Muhammad Ali, mas problemas técnicos como o número de assaltos e o local da luta e principalmente as questões políticas dos países rivais. As relações tensas entre Cuba e Estados Unidos foram o que impediu a luta.
Muhammad Ali, assim como Teófilo eram ativistas políticos, e com a ajuda da publicidade do boxe ajudaram no que podiam seu povo, e com essas e muitas qualidades que aproximou os dois pugilistas em torno de uma grande e longa amizade.
Por causa do bloqueio aos países socialistas, Teófilo não esteve presente nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Mas ao disputar em 1986 o campeonato mundial em Reno, nos Estados Unidos, decidiu aposentar-se dos ringues e focou em se dedicar apenas às atividades de engenheiro.
Em 2006, Teófilo ocupou um cargo de diretor da federação cubana de boxe. Foi deputado da Assembleia Nacional. E nos últimos anos, foi vice-presidente da Federação Cubana de Boxe e trabalhava na Comissão Nacional de Atendimento a Atletas Aposentados e na Ativa do Instituto Nacional de Esportes e Educação Física.
Apesar de nunca ter tido chance de conquistar o profissionalismo de forma justa sem vender suas convicções de justiça para um grupo que aposta tudo em dinheiro e publicidade, deixando de lado o que realmente tem importância, a nobre arte e o povo.
Curiosidade
Stevenson justificava:
– De que me vale alguns milhões de dólares americanos diante da tristeza de 6 milhões (a população do país na época) de cubanos?
Stevenson e Ali viraram grandes amigos. Como ele não aceitou mudar-se para os Estados Unidos, acabou recebendo a visita daquele que poderia ser seu grande adversário. Conversaram, trocaram fotos e brincaram. Quando conversaram sobre o que seria um confronto entre os dois, eles disseram:
– Foi uma pena o mundo não ter assistido a essa luta – lamentou Stevenson.
– Acho que eu venceria, mas seria difícil – respondeu Ali.







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