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Tratados musicais ajudam intérpretes e ouvintes de música clássica

21/12/2018

Os tratados musicais nada mais são do que as anotações dos compositores da época, que permitem examinar relações musicais e sociais.

 A partitura é essencial na composição de uma música, pois é por meio dela que os músicos conseguem entoar cânticos diferentes e criados em qualquer parte do mundo. Ela é uma ferramenta fundamental para permitir que outras pessoas executem o que foi pensado, o que não significa que seja a única capaz de demonstrar a importância da obra. Era pelo papel que os elementos retóricos, poéticos e científicos associados às composições musicais eram demonstrados pelos músicos. E foi a partir de uma investigação de tratados musicais do século 16, que surgiu uma pesquisa de doutorado realizada por Delphim Rezende Porto Junior e defendida na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Uma das percepções constatadas pelo autor da pesquisa diz respeito ao alto grau de conhecimento dos músicos da época, já que estes eram os que transitavam nas cortes e possuíam mais instrução. Segundo o Jornal da USP, para Rezende, a prática de escrever sobre música se perdeu a partir do século 19, sendo que próprio estudo desses textos não era valorizado. Assim, seu trabalho vem com o intuito de contestar o conceito enraizado de que tudo o que é relevante para a música está incluído na partitura. Por meio dos tratados musicais, é perceptível os sentimentos e intenções do compositor, o que apenas com as notas não seria possível.

Outro aspecto abordado na pesquisa diz respeito à ideia de músico perfeito. Para o autor, é importante ter conhecimento, pois para tocar bem não é interessante apenas saber manusear o instrumento. A Jubi , fabricante de órgãos eletrônicos , conta que existe uma preparação por trás de um bom músico. Com 20 anos de experiência no segmento, a empresa explica que o instrumento é apenas uma ferramenta para que sentimentos e emoções possam ser transmitidas a outras pessoas. "Embora a prática seja muito importante, quando se trata de música, é fundamental que o interessado busque conhecer a história do instrumento, bem como entender as referências presentes em cada composição. Assim, a obra irá tocar muito mais as pessoas", afirma.

O conhecimento dos tratados musicais é interessante para os intérpretes, pois favorece que eles aprimorem a performance ao tocar. Para os ouvintes eles também têm relevância, para que seja possível sentir a música de maneira diferente, especialmente para aqueles que têm o hábito de se aprofundar nas obras que apreciam. A pesquisa denominada "Preceptivas Musicais e Humanistas na Tratadistica Quinhentista - Um estudo das representações retóricas do exercício musical do Renascimento Italiano", analisou tratados musicais publicados em latim, no século 16, e aborda questões como o papel do músico na sociedade cortesã e também o estatuto da própria música naquele período.

Os tratados musicais nada mais são do que as anotações dos compositores da época, que permitem examinar relações musicais e sociais. Além de compor as músicas, os artistas também escreviam seus "tratados", alguns de menor e outros de maior porte e é isso o que faz com que seja possível realizar estudos aprofundados como esse. Eles, por sua vez, podem até estimular novos músicos a expressarem ainda mais as emoções nas obras que compõem.

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