Indicação de Bolsonaro para Educação gera atrito com base evangélica | Notícias | Curitiba | Jornale

Indicação de Bolsonaro para Educação gera atrito com base evangélica

22/11/2018

Mozart Neves é considerado moderado pelos parlamentares radicais

 

 

A escolha do diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, para comandar o Ministério da Educação de Jair Bolsonaro causou reação da bancada evangélica, que defende projetos como o Escola sem Partido, e gerou um atrito no novo governo. Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o educador foi convidado e pretendia aceitar o cargo em um reunião marcada para a manhã desta quinta-feira, 22, com o presidente eleito, em Brasília. A notícia foi dada com exclusividade pelo estadao.com.br. Algumas horas depois, no entanto, integrantes da Frente Parlamentar Evangélica disseram que Mozart não tinha “afinidade ideológica” com o novo governo.
Parlamentares foram três vezes ao gabinete de transição nesta quarta-feira, 21, para conversar com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), sobre a indicação de Mozart. Em uma delas, o assunto foi tratado diretamente com o presidente eleito. Eles manifestaram preocupação com um perfil classificado como de “viés ideológico da esquerda”. Questionados se tinham alguma indicação para a vaga, eles decidiram fazer uma reunião interna e voltar a conversar com a equipe de transição.
No início da noite, o presidente eleito declarou em sua conta no Twitter que, “até o presente momento, não existe nome definido para dirigir o Ministério da Educação”. Pessoas próximas a Bolsonaro disseram que, em função da reação, ele já estaria pensando em nomes alternativos – entre eles, o do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), autor de um dos projetos sobre o tema do Escola sem Partido.
“A bancada evangélica não vai respaldar um ministro que não tenha afinidade ideológica. Dois temas cruciais para a bancada são o Escola sem Partido e a ideologia de gênero”, disse o deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS), ligado à Assembleia de Deus. Ele, no entanto, ressaltou que não se tratava de “veto ao nome”, porque Mozart “é uma pessoa muito respeitada até pelo histórico dele”. Mas que ele não seria “feliz atuando como ministro sem convicção a esses temas”. O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) foi mais enfático. “O Mozart é de esquerda, tem nosso veto”, afirmou.
Procurado, Mozart não respondeu aos pedidos de entrevista. O Instituto Ayrton Senna afirmou em nota que não houve convite, mas confirmou que haveria uma “reunião técnica” nesta quinta entre ele e Bolsonaro.
Mozart, de 52 anos, é um dos nomes mais respeitados da educação no País, foi secretário estadual em Pernambuco e reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Sua indicação para o cargo chegou a ser saudada por especialistas da área. Além de ter perfil técnico e moderado, ele é tido como bom articulador porque transita pelas áreas pública, privada, do terceiro setor e pela academia. Representantes de alas mais à esquerda na educação, apesar de o respeitarem por ser aberto ao diálogo, têm divergências com Mozart e o consideram liberal.
A escolha inicial de seu nome se deu depois da aproximação de Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, com o grupo de Bolsonaro. Antes mesmo da vitória do então candidato do PSL, ela se encontrou com ele e levou Mozart junto. Viviane foi apresentada a Bolsonaro pela deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL). Depois disso, Bolsonaro telefonou para Viviane e pediu que ela o ajudasse com propostas para a educação.
Na semana passada, houve um novo encontro em que estavam presentes Viviane, Mozart, o economista do Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros, e Priscila Cruz, do Todos pela Educação. Eles apresentaram a Lorenzoni e à Joice um cenário da educação brasileira e disseram que é preciso focar as iniciativas da pasta em alfabetizar todas as crianças de 8 anos e valorizar o professor. Apesar de não terem sido feitas críticas diretas ao Escola sem Partido, o grupo deixou claro que o novo governo não deveria ficar marcado pela “perseguição de professores”.

Compartilhe no Facebook
Compartilhe no Twitter
Please reload

Destaques JORNALE
Please reload

Site de Notícias de Curitiba - Paraná

Jornale: edson@jornale.com.br

              redacao@jornale.com.br

WhatsApp: (41) 8713-4418

Correio Paranaense / Jornal do Ônibus

comercial@jornaldoonibusdecuritiba.com.br

Tel. 41 3263-2002

Editorias

Editais

Siga Jornale

  • Pinterest