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A sobrevida das embalagens, soluções para o pós-consumo

15/11/2018

Elas guardam, protegem e conservam. Onipresentes, as embalagens são projetadas para cada tipo de uso, mas precisamos começar a pensar também no desuso, reúso, descarte e reciclagem para manter a saúde da cadeia de materiais

De forma geral, criar embalagens é uma ideia simples que exige um procedimento complexo. O principal objetivo deve ser proteger o produto durante o armazenamento e transporte e atrasar o processo de degeneração, a fim de manter a substância apta para consumo pelo máximo de tempo possível. As embalagens protegem desde alimentos in natura até processados, além de roupas, sapatos, eletrônicos, brinquedos, fórmulas farmacêuticas, produtos de higiene, cosméticos, limpeza... a lista é extensa.

"A embalagem é um meio para as pessoas terem acesso a produtos que são demandados pela sociedade para a saúde, o bem-estar, para conveniência ou mesmo para a sua sobrevivência", explica Luciana Pellegrino, diretora executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre). Para produzir invólucros tão específicos são necessários diversos estudos sobre as quantidades de luz, calor, pressão, acidez, transpiração, opacidade, gases e microrganismos suportados por cada elemento.

Os materiais utilizados para a produção são principalmente quatro: alumínio, papelão, vidro e plástico aparecem no topo da matéria-prima das embalagens em termos globais. Dados do relatório Ethical living: Plastic - lose it or re-use it? informam que são produzidas, por ano, mil bilhões de unidades de embalagens de plásticos flexíveis e 500 bilhões de unidades de garrafas PET. Latas de alumínio e garrafas de vidro vêm atrás, com 250 bilhões de unidades e, na sequência, caixas de papelão, com 200 bilhões de unidades.

Segundo a Fundação Ellen MacArthur, apenas 14% das embalagens do mundo são recicladas, 30% acaba em ecossistemas frágeis e 40% vai para lixões. No Brasil, a Abre informa que aproximadamente metade das embalagens são dedicadas a alimentos. "A preocupação da indústria das embalagens é de evitar as perdas. Para isso, precisa entender cada fase da cadeia de produção. Para ser eficiente, muitos estudos são realizados, mas ainda há bastante a fazer", analisa Luciana.

"Cada produto tem seu próprio equilíbrio de proteção, ou seja, suas naturezas físico-químicas são diferentes e estragam por motivos diferentes. Então, pensamos: como proteger aquele fator de deterioração da forma mais econômica possível?", explica Eloisa Elena Corrêa Garcia, diretora geral substituta do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e pesquisadora do Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea).

Soma-se a isso o elemento central da questão econômica da indústria: é preciso que a embalagem esteja adequada ao mercado e a seu consumidor. "Tem que se pensar a partir do produto e qual a sua entrega: se é conveniência, se é tempo de prateleira, se envolve condições externas como resfriamento ou congelamento", conta a diretora do Abre. A análise de mercado se junta à conclusão do laboratório para definir qual embalagem será aplicada.

O REVÉS DO DESCARTE INADEQUADO

Segundo o relatório Plastics - the sustainable way to use Oil and Gas, do total de plástico utilizado em todo mundo, 37% se torna embalagem, e é a maior parcela de perda de plástico para aterros ou para descartes sem qualquer regulamentação. Dos 78 milhões de toneladas de plástico produzidas anualmente para embalagens, apenas 2% é reciclado e 95% é completamente perdido, do ponto de vista econômico, após o primeiro uso - e gera uma perda de US$ 80 bilhões a US$ 120 bilhões por ano.

"No pós-consumo, quanto mais se reaproveitar o material, melhor. Se ele foi usado e segue com valor de uso, tem que voltar para o ciclo produtivo. Um exemplo é a garrafa PET: pode ser transformada em bancos de carro", opina Eloisa Garcia. "Em casos que não possa ser reciclado dessa forma, temos que pensar em alternativas econômica e ambientalmente viáveis", conclui, citando a alternativa da reciclagem energética.

Na Europa, o relatório Plastics - the Facts 2017 afirma que o reaproveitamento de embalagens plásticas cresceu 75% entre 2006 e 2016, enquanto os resíduos destinados aos aterros caíram 53%. E o Parlamento Europeu definiu uma meta para 2030: até lá, 70% das embalagens terão que ser recicladas, o consumo de plásticos de utilização única deve ser reduzido e o uso intencional de microplásticos será restringido.

O plano The Plastics Strategy é uma resposta à demanda da população europeia. Pesquisas de opinião demonstra que os europeus estão preocupados com os impactos na saúde (74%) e no ambiente (87%) causados por produtos de uso diário feitos a partir de plásticos. A estratégia reconhece o crescente problema do lixo marinho (80% vem do plástico) e inclui ações sobre como minimizar resíduos na fonte. Até 13 milhões de toneladas de resíduos plásticos acabam nos oceanos do mundo todos os anos.

Para continuar lendo, acesse: http://bluevisionbraskem.com/inteligencia/sobrevida-das-embalagens-solucoes-para-o-pos-consumo

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