MP acusa contador de Richa de atrapalhar investigações | Jornale

MP acusa contador de Richa de atrapalhar investigações

16/09/2018

Dirceu Ferreira era encarregado de operações imobiliárias

 

 

O contador Dirceu Pupo Ferreira, homem de confiança dos negócios imobiliários da família de Beto Richa, é suspeito de tentar atrapalhar as investigações de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro que levaram o ex-governador do Paraná e candidato ao Senado pelo PSDB à prisão nesta semana, junto com familiares e aliados Todos foram soltos na sexta-feira, 14, por ordem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As imagens do sistema de segurança do prédio de número 417, na Rua Carlos de Carvalho, em Curitiba, registram encontro de Ferreira – identificado como um “faz tudo” do ex-governador que representa formalmente a família nos negócios – com o corretor de imóveis Augusto Albertini, no último dia 8 de agosto.
As suspeitas são de que Ferreira procurou Albertini para tentar combinar com ele o depoimento que ele deveria prestar às autoridades, caso fosse procurado, sobre a compra de salas comerciais no Edifício Neo Business, na região do Centro Cívico, centro administrativo da capital paranaense, pela família Richa
O negócio teria envolvido a permuta de um imóvel que a família tinha em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e uma complementação em dinheiro em espécie de R$ 1,7 milhão, sem declaração. Segundo investigadores, o a transação pode ocultar dinheiro de propina recebido de desvios em contratos do governo do Estado, em especial na área de rodovias.
O ex-governador é investigado pelo Gaeco, na Radiopatrulha, e pela força-tarefa da Operação Lava Jato (que reúne a Procuradoria da República, a Polícia Federal e a Receita), na Operação Piloto. Ambas deflagradas simultaneamente na terça-feira, 11, tratam de suposta corrupção envolvendo empreiteiras e negócios de estradas do Estado.
“Essa sistemática de aquisição de imóveis de valores distintos através de simples permuta, omitindo dos registros formais os pagamentos realizados em dinheiro, em quantias consideráveis, não parece ter sido isolada por parte da família Richa”, registra o pedido de prisão do ex-governador feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual.
O contador de Richa chegou ao prédio em que ocorreu o encontro com o corretor às 10h48, mostram os arquivos de imagem entregues ao Gaeco. Há também registro da conversa deles e de sua saída, às 11h14.
O encontro é para o Ministério Público Estadual um dos indícios “concretos” da tentativa de obstrução da Justiça e foi um dos pontos centrais dos pedidos de prisão dos investigados, para levantamento de provas e preservação das apurações e testemunhas
“Tal situação de influenciar as testemunhas e embaraçar as investigações foi observada concretamente no presente caso”, escreveu o Gaeco, no pedido aceito pelo juiz estadual Fernando Bardelli Silva Fischer, da 13.ª Vara Criminal de Curitiba. O juiz decretou a prisão preventiva dos investigados – sem prazo para acabar – no mesmo dia em que Gilmar mandou soltar.

 

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