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Siron Franco inaugura exposição na Galeria Marcelo Guarnieri

21/08/2018

Siron é o único artista a ter uma sala no núcleo histórico na 33 Bienal de São Paulo.

A exposição "Em nome de Deus" reúne 13 obras que evocam a questão das disputas religiosas e das simbologias elaboradas a partir delas. Siron Franco explora a representação do corpo humano em imagens estilhaçadas ou espectrais que nos dão acesso à relação paradoxal entre a sacralidade e a violência.

A formação religiosa que teve quando criança lhe permitiu ver de dentro e refletir sobre tais questões durante toda sua produção artística, mas a vandalização de algumas de suas obras públicas nos últimos anos o fizeram pensar sobre elas a partir de outra perspectiva.

O artista preparou para essa exposição um ensaio que é composto não só por pinturas, mas também por objetos, caso do bezerro de "Esqueleto do Bezerro de Ouro", um dos muitos bichos que já habitaram suas telas e que agora reaparece em seu corpo real.

A obra faz referência ao mito do Bezerro de Ouro, ídolo confeccionado por Aarão a fim de suprir a ausência de seu irmão Moisés que havia subido o monte Sinai para receber os mandamentos de Deus. À pedido do povo, ansioso por uma liderança que os guiasse, Aarão produziu tal escultura com as jóias das mulheres, contrariando os princípios bíblicos que condenavam a idolatria. As jóias simbolizariam o ego, o pedido do povo foi interpretado como uma idolatria a si mesmos, um deus que servisse ao seu bel-prazer. Na linguagem corrente, a expressão "bezerro de ouro" tornou-se sinônimo de um falso ídolo, ou de um falso "deus" por exemplo, simbolicamente, o dinheiro.

 Coberto por folhas de ouro, a representação do Bezerro na obra de Siron agora é dada por seu esqueleto e ainda que seja associado à morte ou infortúnio, ganha ares de divindade e beleza.

As relações ambíguas entre forma e conteúdo se estendem, alcançando também suas pinturas. A imagem do corpo humano é uma frequente, embora nunca revelado em sua totalidade.

Fazendo uso de sobreposições de camadas de tinta, de formas e de pinceladas variadas, Franco nos permite acessar apenas fragmentos, corpos desmembrados ou sufocados, visíveis apenas por frestas. Silhuetas, sombras e múmias compõem um universo que nos remete ao Egito Antigo, já o uso do spray e de certos grafismos nos trazem de volta ao tempo presente, remetendo às pichações. Do aglomerado de tinta de algumas telas, brotam rostos - ora perturbados, ora inexpressivos -, traços vigorosos que lembram arranhões ou cordas para amarrar. A representação do corpo vai além da figuração e pode ser observada também nos gestos que o próprio artista emprega em sua prática, evidentes na superfície pastosa da pintura. Nem tudo pode ser visto a olho nu ou nem mesmo nos é permitido ser visto: máximas do discurso sacro que na obra de Siron Franco adquirem um sentido filosófico.

Esse jogo de revelar e ocultar associado ao vocabulário utilizado por Siron Franco nos leva a pensar sobre a poderosa relação que a humanidade construiu com o sagrado e com a adoração, nem totalmente divina e nem totalmente infernal, complexa e enigmática. 

SERVIÇO

Galeria Marcelo Guarnieri

Abertura: 04 de Setembro, terça das 18 às 21 h

Data da exposição: 4 de Setembro de 2018 até 20 de Outubro de 2018

Entrada gratuita

Alameda Lorena, 1835 – Jardins

São Paulo – SP – Brasil / 01424 002

tel +55 (11) 3063 5410 / 3083 4873 | contato@galeriamarceloguarnieri.com.br

seg – sex: 10h às 19h / sábado 10h às 17h

Mais informações, acessar a página www.galeriamarceloguarnieri.com.br

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