Quando Éramos Reis, o encontro de Ali Vs Foreman em 1974 | Jornale

Quando Éramos Reis, o encontro de Ali Vs Foreman em 1974

07/04/2018

A crônica dos eventos que levaram ao histórico confronto, no Zaire, em 1974, entre dois dos maiores pesos-pesados de todos os tempos: Muhammad Ali e George Foreman.

Muhammad Ali é um caso único na história, pelo fato de falar com o coração e de proporcionar momentos inesquecíveis dentro e fora dos ringues.

Vencedor do Oscar de melhor documentário, “When We Were Kings”, em português “Quando Éramos Reis”, capta com perfeição os bastidores do maior evento já realizado no esporte – a luta do século de Ali Vs George Foreman, no Zaire, em 1974.

Na história está o polêmico promotor e organizador Don King, ainda no começo dos anos 1970, teve a ideia de colocar frente a frente duas lendas do boxe.  A oferta era irrecusável: 5 milhões de dólares para cada lutador.

Em 1974, Muhammed Ali tinha 32 anos e era visto como azarão, já que George Foreman, sete anos mais jovem, parecia ser invencível.

King conseguiu o aceitação para a luta, mas só conseguiu o dinheiro para colocar o evento em prática graças ao ditador Mobutu Sese Suko, que raspou as reservas internacionais do Zaire para levar ao mundo a luta.

No documentário a direção de Leon Gast é extremamente segura. Não se busca apresentar um panorama sobre ambos os lutadores, pois entende-se que, seja de forma direta ou indireta, o público tinha conhecimento da carreira destes dos lutadores tão idolatrados.

O que de fato interessa é o evento como um todo, onde as sensacionais imagens de dentro do hotel de Ali ou do treinamento de Foreman mostram toda a tensão envolvida, com uma alta carga emocional em cima de ambos (tanto é que Foreman ficou dois anos com uma depressão profunda por conta do resultado final da luta).

Mais que isso, “When We Were Kings” oferece uma visão apaixonada de Ali e do antigo Zaire, mostrando como uma luta de boxe tomou proporções enormes e mudou o cotidiano de vários meninos condenados à fome e a miséria.

Durante algumas semanas, eles vivenciaram o sonho de se tornarem novos lutadores e saborearam a esperança de ter dias melhores pela frente.

Seguindo o mesmo padrão da introdução, não é de interesse de Gast tratar sobre o pós luta, e sim de seguir os passos de Ali e Foreman na pré luta e no confronto.

Outro ponto de grande interesse está na montagem cultural do evento, liderada por James Brown e B.B King. Entre ótimas músicas, ouvimos palavras de motivação de Ali, que é o grande alvo deste documentário.

Seu jeito cativante, sempre com alto teor político em suas falas, moldam positivamente a experiência final.

Entrevistado no documentário, Spike Lee demonstra preocupação com a falta de referências de grandes nomes (como JFK, Dr. King e Ali) para as novas gerações. Cabe a nós difundirmos histórias de superação como as apresentadas nesta produção, um marco positivo da década de 1990 – e que deve ser muito explorada.

Assista um trecho abaixo

 

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