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Mercado e Economia - Tatuagem, crise ou acensão?

29/10/2017

(Foto Ilustrativa - google imagens)

 

 

“Cerca de 60% da procura pelo estúdio é de coberturas ou reformas, o que indica que esse aumento é só estatístico, sem qualidade”, diz tatuador

 

Ainda não existe uma pesquisa brasileira para apontar quantas pessoas tem tatuagem no País. Mas estudo do  Sebrae identificou que o setor teve crescimento de 24,1% no número de estúdios regularizados, sendo esse índice apurado entre janeiro de 2016 e de 2017. Não seriam abertos - ou regularizados - tantos negócios neste nicho em tempos de crise se não houvesse uma boa procura por esse serviço, não é mesmo?

 

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Antes, o empresário tatuava, em média, uma ou duas vezes por semana. Atualmente a atividade acontece praticamente todos os dias da semana. O dono do 'Renan Pires Artwork Tattoo' avalia que o mercado de tatuagem evoluiu muito nos últimos três anos por conta de diversos fatores, que vão desde a melhora da importação de produtos, até o número de empresas que desenvolvem materiais. Outro ponto ressaltado pelo empreendedor foi a regulamentação deste mercado e o controle obrigatório da qualidade de materiais – tintas, agulhas, etc. – pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

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Em 2013 a revista Super Interessante realizou uma pesquisa com enfoque no perfil do tatuado. O estudo apurou que as mulheres representam 59,9% das pessoas com tatuagem no País. Em relação à idade, chegou-se à conclusão que as pessoas entre 19 e 25 anos correspondem a 48,2% dos tatuados, praticamente metade. 

 

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Embora o aumento de estúdios seja positivo para contribuir na quebra de estigmas em relação à tatuagem, Pires lamenta o fato de que muitas pessoas têm entrado na área pelo dinheiro e não pela arte em si. “Cerca de 60% da procura pelo estúdio é de coberturas de trabalhos mal feitos ou reformas, o que indica que esse aumento é só estatístico, sem qualidade ou segurança alguma”, declara.

 

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E um desses locais é o estúdio da Tomi Maehigashi, Tomi Tattoo & Babershop, que em janeiro deste ano passou a oferecer serviços de barbearia, body piercing, cervejaria e mesa de sinuca. “Além de proporcionar uma espera mais agradável ao cliente, a inserção desses serviços é uma resposta ao mercado que cresceu, e que de certa forma te obriga a crescer também, porque se não você é deixada para trás”, relata a empresária. Sobre o faturamento, Tomi diz que a ampliação do estúdio e a oferta de outros serviços agregou cerca de 25% na receita do negócio.

 

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Embora o empresário note em seu cotidiano que boa parte da procura pelo seu trabalho seja para ajustar tatuagens de clientes insatisfeitos com outros estúdios,  Piris é otimista sobre o futuro da profissão. Ele considera que a tendências é termos cada vez mais artistas tatuadores do que os “tatueiros”, como ele denomina quem apenas compra uma máquina e começa a trabalhar sem muitas noções de desenho, técnica, anatomia, etc.  

 

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Quando questionado se em algum momento teve a liberdade de criação afetada pelo fato da tatuagem ser algo comercial e voltada apenas aos negócios, Renan Pires diz que sempre procura deixar a sua marca de artista nos trabalhos. Como profissional, ele reconhece que é dever de todo tatuador direcionar o seu cliente a fazer uma arte que terá maior visibilidade e durabilidade, e não apenas fazer por fazer as tais das tatuagens comerciais. “O que eu vejo é que a própria visão das pessoas está mudando em relação à tattoo como um todo, está havendo queda da procura pelas tatuagens comerciais, já que após alguns anos perderão a qualidade ou precisarão ser reformadas ou cobertas”, relata.

 

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