Em missões suicidas e campeão dos pesados, Max Schmeling derrotou Hitler | Jornale

Em missões suicidas e campeão dos pesados, Max Schmeling derrotou Hitler

23/10/2017

Maximillian Adolph Otto Siegfried Schmeling nasceu em Klein Luckow, no dia 28 de setembro de 1905 e faleceu em Wenzendorf, no dia 2 de fevereiro de 2005. Ele foi um grande pugilista alemão. Foi Campeão mundial dos pesos-pesados entre 1930 e 1932. Durante o auge de sua carreira foi usado por Hitler como parâmetro para provar a supremacia da raça ariana. Seu ranking foi: Total de lutas 70, Vitórias 56, Vitórias por nocaute 40, derrotas 10 e Empates 4.

Max Schmeling, filho de um timoneiro da marinha mercante, logo após seu nascimento mudou-se com a família para Hamburgo onde passou a infância. Em 1921 começou a interessar-se pelo boxe e passou a treinar como pugilista amador na região da Renânia.

Em 1924 ganhou seu primeiro título como pugilista profissional meio-pesado. Em 1926 mudou-se para Berlim almejando avançar para os pesos-pesados. Em 1928 torna-se campeão alemão na categoria que desejou. Em 1933 casou com a atriz tcheca de origem judaica Anny Ondra.

Uma história de guerra

 

Kristallnacht, a terrível “Noite dos Cristais” de 8 de novembro de 1938. Tropas nazistas massacravam milhares de judeus por toda a Alemanha. Nas ruas de Berlim, reinava o terror. Num quarto do Hotel Excelsior, o boxeador Max Schmeling estava apreensivo. Alguém bateu na porta. Era o amigo David Lewin.

 

– Onde estão os garotos? – perguntou Max.

– Estão aqui – respondeu David, um próspero comerciante judeu. De trás dele, agarrados ao sobretudo negro, surgiram então os rostos assustados de seus dois filhos: Werner e Henri.

– Eu tomo conta deles – disse Max.

 

O pugilista escondeu os meninos e conseguiu que eles fugissem – Werner e Henri terminariam fixando residência nos EUA. Esse foi apenas um dos gestos humanitários de Max.

Max Schmeling era um ídolo na Alemanha do 3º Reich. Como campeão mundial dos pesos pesados em 1930 e 1931. Em 1936, com Adolf Hitler já no poder, derrotou o até então o invencível americano Joe Louis. Para a infelicidade de Hitler, durou pouco o encanto pelo lutador que nos parâmetros do ditador, mostrava a superioridade ariana. Mas Max se recusou a entrar para o Partido Nazista. Também negou-se a demitir o seu agente americano, Joe Jacobs, de origem judaica.

 

Em junho de 1938, Max perdeu a luta de revanche para Joe Louis, transmitida pelo rádio a toda Europa e EUA direto do Yankee Stadium, em Nova York. O americano deslocou uma vértebra de Schmeling e lesionou um dos seus rins.

Hitler, furioso, mandou interromper a transmissão em território alemão, disse que um alemão não seria vergonha para seus compatriotas.

No fim daquele ano, os espiões da SS descobriram a ajuda do pugilista aos garotos judeus. Foi a gota d’água. Quando a guerra começou em 1939, Hitler enviou Max como paraquedista em missões suicidas. O boxeador, porém, sobreviveu uma missão após outra.

Quando Hitler foi nocauteado, com o fim da 2ª Guerra, outra luta começou para o campeão. Humilde, nunca disse a ninguém ter ajudado os filhos de Lewin e carregou o estigma de ser um queridinho do führer. Em 1989, porém, Henri Lewin, que se tornara empresário do ramo hoteleiro em Las Vegas, convidou Max à cidade e revelou a uma plateia comovida:

 

 “Se não fosse por ele, eu e meu irmão estaríamos mortos”.

 

Max Schmeling vs Joe Louis

 

 

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