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Arquitetura Neoclássica para e pelo Brasil

23/10/2017

Palacete dos Leões - Em Curitiba (foto ilustrativa, google)

 

Os ideais neoclássicos encontraram o Brasil ainda como uma colônia de Portugal, pesadamente explorada e rigidamente controlada. Apesar do temor com que a Metrópole portuguesa via a circulação do iluminismo na colônia, censurando livros e perseguindo seus propagadores, paradoxalmente as próprias instâncias oficiais deram sua contribuição para a mudança, através das reformas institucionais, educativas e jurídicas introduzidas pelo Marquês de Pombal, adepto do despotismo esclarecido. Em Minas, mais para o final do século, o Neoclassicismo iluminista foi cultivado por um grupo de literatos que pretendia abolir a monarquia absolutista e implantar uma democracia burguesa e independente de Portugal. Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, entre outros, deram origem a uma insurreição conhecida como Inconfidência Mineira, severamente reprimida pelas autoridades coloniais, onde o martírio de Tiradentes acabou se tornando mais tarde um popular símbolo de liberdade.

 

Antes,

 

Em 1804 Napoleão proclamou-se imperador da França, e decretou o Bloqueio Continental em 1806, fechando o continente europeu à Inglaterra criando todo tipo de dificuldades econômicas, a fim de desorganizar a economia inglesa.

A economia portuguesa havia muito se encontrava subordinada à inglesa. Daí a relutância de Portugal em aderir incondicionalmente ao bloqueio. Napoleão resolveu o impasse ordenando a invasão do pequeno reino ibérico. Sem chances de resistir ao ataque, a família real transferiu-se para o Brasil em 1808, sob proteção inglesa.

Em 1808, com a transferência da corte portuguesa para a colônia e com a chegada da família real de Dom João VI no Brasil, iniciou-se uma nova fase na arquitetura brasileira. A origem do neoclássico do Brasil geralmente é atribuída à Missão Francesa, contratada para fundar e dirigir no Rio de Janeiro a Escola de Artes e Ofícios, conhecida mais tarde, em 1826, como Imperial Academia de Belas Artes. Ela trouxe artistas como Jean-Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas e o arquiteto Grandjean de Montigny.

 

As mudanças na arquitetura

 

A arquitetura da época de 1804 firmou-se em duas versões: o neoclássico oficial, da Corte, quase todo feito de importações, e a versão provinciana, simplificada, feita por escravos, exteriorizando nos detalhes as ligações dos proprietários com o poder central. O neoclássico oficial se desenvolveu nos centros maiores do litoral, como Rio de Janeiro, Belém e Recife, que tinham contato direto com a Europa, e que desenvolveram um nível mais complexo de arte e arquitetura e se integraram nos moldes internacionais da sua época.

 

As residências urbanas utilizavam-se ainda das mesmas soluções de implantação dos tempos coloniais: sobre o alinhamento das ruas e sobre os limites laterais dos lotes. A parte da frente das residências destinava-se aos salões e a área social da casa, para dentro ficam as alcovas, quartos e salas de jantar, e aos fundos, o serviço. Os porões, que aparecem sob o térreo, marcado pela fileira de óculos alinhados sob as janelas dos salões, são utilizados ora como locais de serviço, ora como depósito de lenha, liberando o térreo para utilização com cômodos de permanência diurna.

 

Na arquitetura urbana prevaleceu clareza construtiva. Era caracterizada pela simplicidade formal, com cornijas e platibandas como recurso formal. As paredes, de pedra ou tijolo, eram revestidas e pintadas de cores suaves, como o branco, rosa, amarelo e azul-pastel, apresentavam corpo de entrada salientes, com escadarias, colunatas e frontões e valorizavam a decoração dos interiores com revestimentos e pinturas. Em geral as linhas básicas da composição eram marcadas por pilastras, sobre as quais, nas platibandas, dispunham-se objetos de louça do Porto, como compoteiras ou figuras representando as quatro estações do ano, os continentes, as virtudes, etc. Janelas e portas se destacavam enquadradas em pedra aparelhada e arrematadas em arco pleno, em cujas bandeiras dispunham-se rosáceas mais ou menos complicadas, com vidros coloridos.

 

As casas rurais obedeciam aos padrões da arquitetura residencial urbana mais modesta, era nos interiores que mais se aproximava dos padrões da Corte, onde graças à cultura do Café se desenvolvia uma intensa vida social. As transformações arquitetônicas mais uma vez se limitavam as superfícies, com papéis decorativos ou pinturas sobre as paredes de terra criando a ilusão de um espaço novo.

É interessante observar que, mesmo considerados todas as adaptações sofridas no Brasil pelo Neoclassicismo ou por outros movimentos artísticos, verifica-se uma tendência justamente nas camadas consumidoras. Com uma arquitetura que estava na dependência de importação de materiais e mão-de-obra especializada ou que apenas disfarça com aplicações superficiais a precariedade da mão-de-obra escrava, o neoclássico não chegou a corresponder a o aperfeiçoamento maior da construção no Brasil.

 

Fonte: Arquitetura do Brasil

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