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Em fim, Camille Claudel tem um museu só para ela

21/10/2017

Camille Claudel tomou um chá de cadeira para que a vissem como uma mulher talentosa e genial. Agora, finalmente ela tem um museu para lembrar que essa relação apaixonada e tumultuosa com a arte e Rodin que teve um fim trágico está naquilo que ambos deixaram.

 

Tivesse escrito o título deste artigo como “A amante de Rodin”, certamente seria mais instigante para que os leitores procurassem saber mais. Mas isso seria só para perpetuar uma história que esconde uma injustiça que durante décadas e décadas condenou Camille ao esquecimento e rótulos de machismo. Claudel foi, efetivamente, uma artista por mérito próprio, além de musa e, defendem muitos, o grande amor do francês Auguste Rodin, a quem as biografias curtas, por regra dadas a rótulos, se referem com frequência como “o pai da escultura moderna”.

 

'Sim, no filme que conta sua história ela começou sua carreira seguindo o grande mestre escultor.'

 

E se Rodin, que ficou para a história, e por direito, como um dos mais populares escultores da modernidade, Claudel está ainda longe de ter o reconhecimento que merecesse em sua época e atualmente.

 

No dia 26 de abril deste ano, no entanto, deu-se mais um passo para solidificar a presença da artista entre os seus pares com a inauguração de um museu com o seu nome na casa de família em Nogent-sur-Seine, a pouco mais de 100 km de Paris, onde está exposta a maioria das peças que ela não destruiu quando a sua relação apaixonada e tumultuosa com o escultor terminou.

 

O novo museu, escreve o Art Newspaper, publicação especializada em notícias do mundo da arte, começou a ser preparado em 2008, quando a cidade decidiu comprar a casa e a coleção que estavam nas mãos de uma sobrinha-neta da artista, Reine-Marie Paris.

No centro do acervo, que também incluirá, numa galeria que será inaugurada em breve, obras do seu mestre, Alfred Boucher, e de outro escultor, Paul Dubois, estão 43 esculturas, desenhos e moldes de gesso da autoria da arrebatadora e atormentada Camille Claudel. Reuni-las, garante a diretora do novo museu, Cécile Bertrand, 'exigiu um trabalho verdadeiramente detetivesco.'

 

Camille Claudel fotografada por William Elborne a trabalhar no seu estúdio em 1887, tendo ao fundo a colega e amiga Jessie Lipscomb

 

Este núcleo duro começa com a primeira obra que a escultora expôs no salão dos artistas franceses, La Vieille Hélène (1882), e termina com os últimos bronzes, de 1905, ano em que surgem os primeiros sinais das perturbações mentais que viriam a acompanhá-la até à morte, em 1943, aos 78 anos. Pelo meio encontram-se as peças fulgurantes da sua década mais produtiva, a que vai de 1889 a 1898, e a única escultura monumental em mármore que executou, Persée et la Gorgone(1902), que a cidade de Nogent-sur-Seine comprou há dez anos por quase um milhão de euros.

Mostrando o seu trabalho ao lado do de outros escultores seus contemporâneos – há 150 obras de outros artistas em exposição – o museu coloca em contexto o seu “talento original e excepcional”, diz Cécile Bertrand, garantindo que a narrativa oferecida aos visitantes mostrará ainda as diferenças e semelhanças entre o trabalho de Claudel e de Rodin, “revelando até que ponto eles se inspiraram um no outro”. Uma narrativa que, apesar de tudo, não esconde a forte influência que ele tem na forma como ela aborda a escultura, na sua técnica.

 

Veja o Filme

Camille, internada num asilo psiquiátrico, à espera da visita de seu irmão, o escritor Paul Claudel, que pode trazer a liberdade ou confirmar sua dolorosa permanência neste lugar.

 

 

 

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