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Repost - Rudolf Schwarzkogler, limites do corpo ao pulo para morte - Blog Quimera

19/10/2017

Fonte: https://topicoespecialvideoarte.wordpress.com/2016/02/04/in-progress-rudolf-schwarzkogler-automutilacao-e-os-limites-da-body-art/ 

 

Rudolf Scwarzkogler foi um artista austríaco, com uma curta, porém brilhante carreira nas artes antes de pular (ou cair) para a morte de uma janela. Intimamente associado com o grupo vianense de artistas de performance  Wiener Aktionsgruppe, formado por Otto Mühl, Chris Burden, Hermann Nitsch e Günter Brus, que se destacou por explorar os limites do corpo através de suas ações performáticas realizadas entre 1965 e 1966, compartilhando temas como dor, auto-mutilação, culpa e exorcismo, porém diferindo na precisão de controle e a estética de seus trabalhos.

    Schwarzkogler mostrou ser um dos mais radicais do grupo, voltando-se para a artificialidade do corpo, que mais parece nos remeter ao sadomasoquismo. Por meio da fotografia, nos mostra seu corpo auto mutilado, recorrendo a atmosfera hospitalar, as simulações cirúrgicas, e ao ambiente catastrófico. Suas ações eram cerimônias longas, brutais, obscenas que incluíam, além de mutilação, defecar em público, ingerir fezes e urina, vomitar e derramar sangue de animal sobre o público. Toda a sua obra consegue passar uma sensação de agonia, angústia, associada a um certo medo. Tem um carácter mórbido/sinistro, que causa certo impacto, talvez pelo mito formado em torno ao artista, talvez pelo formato cético da apresentação em preto e branco.

A primeira de suas performances foi “Hochzeit” (Casamento), realizada frente a uma plateia, mostrando uma espécie de ritual invertido. No lugar de fórmulas socialmente aceitáveis como troca de anéis, votos de fidelidade e brindes de champanhe ele evoca imagens de contaminação (com a cor ‘clean’ azul) a partir da separação, lesões, tortura e morte. As ações subsequentes foram executadas apenas para uma câmera.

Nelas Schwarzkogler retirava camadas de sua pele com uma lâmina e depois se fotografava, enfaixado com gaze. Basicamente, as ações de Schwarzkogler, tais como os dos demais integrantes do Wiener Aktionsgruppe têm uma forte conotação política, onde o corpo é alvo da crueldade, da repressão, humilhação e dor pela asfixia promovida pelo Estado capitalista.

Em outra de suas performances , em 1962, Schwarzkogler coloca-se diante de uma tela como se estivesse crucificado, e Otto Mühl lhe joga tinta vermelha, ainda usada em lugar de sangue.

Porém  com toda certeza sua performance mais famosa e mais marcante foi Aktion Sommer (1965), onde munido de lâminas o artista mutilou seu pênis, esse acontecimento mítico que o consagrou no mundo da body art. A automutilação suicida do próprio pênis executada por Rudolf Schwarzkogler, em 1965, se trata de uma história baseada na circulação de uma sequência fotográfica mostrando um torso masculino com o pênis envolto em ataduras apoiado sobre uma mesa, com lâminas de barbear devidamente posicionados ao lado.

 

Segundo Kristine Stiles, que pesquisou o artista primariamente, as fotografias em questão, não são de Schwarzkogler, mas, sim, de outro artista (Heinz Cibulka), que posou para o ritual de castração totalmente artificial de Schwarzkogler, ajudando-o a criar uma das histórias mais fantásticas do mundo arte.

 

Encenar atos de violência contra o público, para perturbar, era mais uma degradação moral que física. Essas tendências artísticas que chocaram o público e a crítica em meados da década de 1960 marcam a transição da arte moderna para a arte contemporânea, que constantemente visita o passado para retirar dele seu alimento, isto é, se apropria de imagens da história da arte, incorpora elementos do modernismo e de outras épocas no intuito de propor um pensamento reflexivo sobre a própria arte, a prática visual contemporânea e o contexto histórico pós-moderno.

 

Influenciado por Otto Mühl e Hermann Nitsch, Rudolf Schwarzkogler abandonará a pintura e realizará, em 1965, sua primeira Aktion, que será sua única ação pública e também a única na qual irá utilizar a cor (azul) e vários fotógrafos. As cinco posteriores serão realizadas em espaços privados, com um só fotógrafo e limitadas às cores preto e branco. Schwarzkogler não realizará em vida nenhuma exposição de suas ações ou de sua obra plástica. Suas ações ocorrem em espaços brancos, com poucos elementos (tesouras, lâminas de barbear, facas, cabos elétricos, seringas, fios etc.) e a câmara fotográfica como testemunha. Sua obra será marcada pela alquimia física, alteração formal do corpo, atmosfera hospitalar, castração e violação.

 

Schwarzkogler pensava o corpo não como algo natural, mas sim como algo cultural, sendo a cultura o elemento determinante das funções, ciclos, ritmos e da própria forma do corpo através dos processos cirúrgicos, alquímicos, elétricos e clínicos e que resulta em um estado de aparência, um estado imaginário. De acordo com o próprio artista, “todos os corpos são apenas aparências , imagens da imaginação, estados de espírito criado a partir de sua própria vontade”. Nesse sentido, as imagens fotográficas resultantes têm uma perfeição estética, refletindo com um refinamento formal a angústia, opressão e o silêncio, porque para esse acionista a imagem fotográfica, mais do que a ação tem a plena capacidade de recriar as formas de construção imaginária do corpo através da preservação instantânea dos processos que lhe conformam.

 

"A fotografia se coloca, portanto, como um elemento essencial de suas ações, como o próprio artista afirma que “o próprio ato de pintar pode ser dispensado ​​da obrigação de obter relíquias como objetivo se for colocado diante de um sistema reprodutivo que leva a informações”

 

Encerrado o ciclo de Aktions, Schwarzkogler se volta para o desenho e para a escrita conceitual, mas suas obsessões em relação ao corpo permanecem.

 

Aos 29 anos, em 1969, Schwarzkogler em mais uma de suas performances, suicida-se criando um mito em torno desse fato,sendo considerado por alguns como o mártir da body art. Já alguns especulam como sendo uma passagem ao ato devido à automutilação, a amputação do seu próprio pênis diante do público em outra de suas performances.

Outros dizem que por ele ter sido bastante influenciado pela obra de Yves Klein teria simulado o Saut dans le vide (Salto no Vazio) famoso trabalho fotográfico do artista. Estas versões, porém, foram desmentidas por Keith Seward na Revista Artforum em 1994, alegando que o suicídio de fato ocorreu, contudo distante de uma plateia.

A obra do artista,  além do próprio artista, produz os mais diversos efeitos no espectador, criando um espaço ficcional, onde apenas resta o corpo dentro do discurso.

Com Schwarzkogler aprendemos a reconhecer o suicídio como uma genuína expressão da liberdade humana.

 

Veja um de seus vídeos

 

 

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