Um dos procedimentos mais realizados na Cirurgia Cardíaca passa do meio século

16/05/2022


Especialista do Hospital São Vicente Curitiba explica sobre uma das cirurgias mais tradicionais do mundo



Provavelmente, você já ouviu falar ou conhece alguém que fez uma cirurgia de ponte de safena. Esse é um dos procedimentos cirúrgicos mais tradicionais na especialidade de Cardiologia e um dos mais realizados em todo o mundo, segundo revela o cirurgião cardíaco do Hospital São Vicente Curitiba, Dr. Roberto Gomes de Carvalho. “Entre 50 a 60% das cirurgias cardíacas realizadas são de ponte de safena”, afirma.

Denominada tecnicamente como revascularização do miocárdio, essa cirurgia surgiu em 1967, quando o cirurgião argentino René Favaloro padronizou o procedimento como é realizado hoje. “Antes disso, a cirurgia já tinha sido realizada esporadicamente, mas sem resultados satisfatórios. Foi nessa data que o René Favaloro, após a sua residência na Cleveland Clinic (Estados Unidos), padronizou a cirurgia, que foi publicada em todos os periódicos de Medicina do mundo, tornando-se consagrada a partir de então e ficando popularmente conhecida como ponte de safena”, conta Dr. Roberto Carvalho.

A cirurgia cria um desvio na artéria coronária por meio de uma veia safena, que abre caminho para a circulação do sangue da aorta até o miocárdio, músculo do coração. “O nosso coração é irrigado por três artérias coronárias principais. Quando existe uma obstrução muito importante nessas artérias é realizada essa ponte de safena, com a veia que é retirada da perna. É feita uma anastomose, ou seja, a veia safena é costurada na artéria coronária e depois essa veia é costurada na aorta”, explica o cirurgião cardíaco.

Contudo, hoje já é possível também utilizar outros enxertos para esse procedimento. “A cirurgia de ponte de safena teve muitas evoluções, uma das principais foi a utilização do enxerto arterial, ou seja, o emprego da artéria mamária, localizada na altura da mama. Foi observado por experiências e pela literatura que essa artéria tem uma permeabilidade mais longa que a safena, de 25 a 30 anos”, revela Dr. Roberto de Carvalho. “O enxerto da artéria radial, que é a do braço, também pode ser utilizado com bons resultados”, complementa.

O procedimento cirúrgico é indicado para casos de obstrução mais grave das coronárias, de uma ou mais artérias, em que o paciente sente dores no peito. Em alguns casos isolados de obstruções mais leves, a cirurgia pode ser substituída. “Outro procedimento que temos hoje é a angioplastia da artéria coronária ou a introdução de um stent dentro da coronária, realizado em laboratório hemodinâmico”, considera o cirurgião cardíaco, ressaltando que a escolha de qual método utilizar depende do caso de cada paciente.

Como prevenir?

A obstrução das artérias coronárias é denominada de Doença Arterial Coronariana, que atinge mais de 4 milhões de brasileiros, segundo o relatório Estatística Cardiovascular – Brasil 2021, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Ela é causada pelo acúmulo de placas de gordura, que têm como principais fatores de risco a hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, obesidade e tabagismo. “Existem também os fatores hereditários que contribuem para o surgimento de doença arterial coronariana, pessoas que os parentes de primeiro grau (pai, mãe, tio, irmão) tiveram a doença”, exemplifica o cirurgião cardíaco.

Para tentar diminuir a chance de desenvolver a doença arterial coronariana, o cirurgião cardíaco ressalta a importância de adotar atitudes preventivas. “Praticar atividades físicas, ter uma alimentação saudável, realizar um acompanhamento frequente com um cardiologista e, caso tenha, controlar a diabetes, o colesterol e a hipertensão, sem nunca abandonar o tratamento”, salienta Dr. Roberto Gomes de Carvalho.



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