Rússia afirma que a Sputnik V tem eficácia de 91,4%

14/12/2020


Os dados ainda não foram publicados em revista científica



A vacina Sputnik V, desenvolvida pela Rússia contra a Covid-19, protegeu todos os participantes vacinados de casos graves da doença em testes clínicos, anunciaram nesta segunda-feira (14) cientistas do Instituto Gamaleya, em Moscou. Os dados ainda não foram publicados em revista científica.


Foram 20 casos graves de Covid-19, mas todos ocorreram entre participantes que receberam uma substância inativa, segundo os desenvolvedores da Sputnik V. Nenhum voluntário vacinado teve um caso grave da doença.


A análise foi feita com 22.714 participantes. Desses, 17.032 receberam as duas doses da vacina, e os outros 5.682 receberam um placebo. O "ponto de controle" final do estudo foi alcançado, com 78 infectados pela Covid-19. Desses, 62 estavam no grupo que recebeu uma substância inativa (placebo). Os outros 16 tinham recebido a vacina. Nenhum efeito adverso foi identificado nos testes.


Na Rússia, mais de 200 mil pessoas já foram vacinadas, dentro e fora de ensaios clínicos. Os pesquisadores do Gamaleya disseram não precisar de "pacientes adicionais" nos testes da vacina. Os cientistas do Gamaleya vão elaborar um relatório com os dados para pedir o registro acelerado da Sputnik V em vários países – como Belarus, Índia e Emirados Árabes. Os três países têm ensaios ou contratos de compra e fabricação da vacina.


O governo russo começou a vacinar grupos com alta exposição à Covid-19, como médicos e professores, ao mesmo tempo em que conduzia testes de fase 3 da Sputnik V. A manobra foi criticada por especialistas.


A terceira fase dos estudos é a última antes que uma vacina seja liberada para a população em geral. Essa etapa serve para que os cientistas testem a segurança e, principalmente, a eficácia da vacina em larga escala. Normalmente, há milhares de voluntários participando.


No caso da Sputnik V, os pesquisadores do Gamaleya pretendiam recrutar 40 mil voluntários. Até agora, 26 mil já foram vacinados. Os cientistas disseram não precisar de mais participantes porque, agora que já sabem da eficácia da vacina, se tornava um dilema ético dar aos voluntários uma substância inativa (o placebo).


A Rússia ainda não publicou dados de fase 3 da Sputnik V em uma revista científica. Quando essa publicação é feita, isso significa que os dados foram revisados e validados por outros cientistas. A Rússia foi o primeiro país do mundo a registrar uma vacina contra a Covid-19, em agosto. Em outubro, o país anunciou uma segunda candidata.


No Brasil, quatro vacinas estão sendo testadas em última etapa: as de Oxford, da Pfizer, da Sinovac e da Johnson. Os governos da Bahia e do Paraná firmaram contratos com a Rússia para produzir a Sputnik V em solo brasileiro, mas a produção ainda não começou.


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