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ONU estima que 50 mil pessoas estão desaparecidas na Venezuela

  • 29 de jun.
  • 2 min de leitura

29/06/2026


Equipes correm contra o tempo para encontrar sobreviventes no 5º dia de buscas


ANPR
ANPR

Equipes de resgate estrangeiras e venezuelanas buscam vítimas ainda com vida dias após terremoto ter devastado o país. Chances de encontrar sobreviventes diminuem a cada hora. 'Continuamos aqui, vamos ver se ainda dá para tirar mais alguém', diz voluntário.

 

Equipes de resgate locais e internacionais correram contra o tempo nesta segunda-feira (29) para retirar sobreviventes dos escombros na Venezuela, no quinto dia após terremotos duplos causarem ao menos 1.450 mortes. De acordo com estimativa da ONU, há ainda cerca de 50 mil pessoas desaparecidas no país.

 

Mesmo com a diminuição das chances de encontrar sobreviventes a cada hora, equipes de resgate ainda conseguem encontrar pessoas vivas em montanhas de destroços, oferecendo às famílias angustiadas um breve sopro de esperança.

 

As primeiras 48 a 72 horas após um desastre natural são cruciais para os esforços de resgate, e especialistas acreditam que, após o prazo, a tarefa se transforma basicamente na recuperação de cadáveres. Mesmo assim, os socorristas salvaram 33 sobreviventes no domingo, segundo informou o governo.

 

 

As operações são complexas e exigem trabalho manual e têm sido dificultadas pelo calor, segundo relatos de socorristas. Quem acompanha de perto os esforços de resgate diz que o cheiro de corpos em decomposição é cada vez mais intenso.

 

Mesmo assim, há esperança de mais sobreviventes, apesar de especialistas afirmarem que as primeiras 72 horas após desastres naturais definem a estreita janela para resgatar sobreviventes. Depois disso, as buscas geralmente passam a se concentrar na recuperação de corpos.

 

Mesmo com as chances de encontrar sobreviventes estar diminuta nesta segunda-feira e em meio a uma crescente frustração da população com a resposta do governo, voluntários continuavam trabalhos incessantes em meio aos escombros.

 

 

"Todos dizem que não há mais ninguém, mas continuamos aqui. Vamos ver se ainda dá para tirar mais alguém", afirmou à agência de notícias AFP Eduardo Cardozo, um trabalhador rural que viajou para ajudar como voluntário nos trabalhos de resgate em Tucacas, na costa, quase 200 km ao leste de Caracas.

 

"O mais difícil era quando sentíamos esperança nos túneis onde entrávamos, rastejando, tirando escombros, fazendo um trabalho de coração, com muita fé, e quando chegávamos às pessoas, encontrávamos elas sem vida", contou Luis Salas, outro voluntário, à AFP.

 

Em La Guaira, estado vizinho à capital Caracas e a área mais atingida, missões internacionais de resgate chegaram em massa no domingo. Nos dias anteriores, moradores haviam expressado frustração e indignação com a ineficiência das respostas do país ao desastre, que acabaram sendo lideradas por civis.

 

A presidente interina, Delcy Rodríguez, pediu a continuidade das operações e anunciou planos para atender as pessoas que perderam suas moradias devido aos numerosos desabamentos. Mais de 770 edifícios desmoronaram parcial ou totalmente, incluindo prédios residenciais, comerciais e dezenas de hospitais.

 

O impacto dos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o país na quarta-feira afetou até 6,8 milhões dos quase 30 milhões de habitantes da Venezuela, avalia a ONU. O risco de novos danos permanece, já que tremores secundários continuaram a atingir o país. Abalos de magnitude 4,2 e 4,5 ocorreram na manhã de domingo.


 
 
 

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