Mega-assalto a banco transforma noite de Criciúma em terror

01/12/2020


Bandidos provocaram incêndios, disparos e tomaram reféns



A cidade catarinense de Criciúma teve uma noite "de terror", "atípica" e "surreal", nas palavras do próprio prefeito, depois que dezenas de homens armados sitiaram o centro do município, realizaram disparos com armamento de alto calibre, explosões e incêndios para assaltar ao menos uma agência do Banco do Brasil, no início da madrugada desta terça (1/12).


Pouco antes da meia-noite, a quadrilha entrou na cidade com ao menos 12 carros, com placas adulteradas ou sem placas. Eram cerca de 40 homens fortemente armados, segundo captaram as câmeras de vigilância da cidade.


Começaria, aí, uma "ação sem precedentes" em Criciúma, segundo o tenente coronel Dimitri, uma das autoridades da Polícia Militar que acompanham o caso.


Os criminosos atearam fogo em um veículo diante de um quartel da Polícia Militar, para dificultar a saída dos policiais. Houve troca de tiros com os PMs, e o soldado Jeferson Luiz Esmeraldino ficou ferido no abdômen (ele passava por cirurgias nesta terça, em situação de saúde descrita como delicada pelos colegas).


Acredita-se que alguns criminosos tenham sido atingidos no confronto, porque foram encontrados vestígios de sangue nos carros abandonados por eles.


Estes também incendiaram um túnel que faz ligação com a cidade vizinha de Tubarão, para evitar a chegada de reforços. Em seguida, "sitiaram" o centro da cidade, fazendo reféns -, disparando contra veículos e arrobando a agência bancária.


Em entrevista coletiva nesta terça-feira, porta-vozes da PM afirmaram que trabalharam para monitorar o perímetro da área, evitando confronto direto com os assaltantes.


"Nossa orientação foi fazer apenas a contenção da área, para preservar vidas, porque era uma área residencial", afirmou o coronel Marcelo Pontes. "Estavam fortemente armados, com explosivos. Evitamos confronto para salvar vidas."


Durante a madrugada, o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, fez um vídeo no Twitter pedindo à população que não saísse de casa. Àquela altura, a ação criminosa durava pouco mais de uma hora, era de "grandes proporções" e organizada por "bandidos muito bem preparados", informou o prefeito.


Já pela manhã, em entrevista à CNN Brasil, Salvaro explicou que os seis reféns tomados durante a ação eram funcionários da prefeitura que pintavam uma faixa de pedestres. Imagens mostram os seis homens despidos e sendo forçados a sentar em cima da faixa, para bloquear o acesso à rua. Eles foram liberados sem ferimentos.


Também na coletiva, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, admitiu que "a ação foi bem-sucedida para os marginais, essa é a verdade". Mas afirmou que a polícia tem sido sucesso em desvendar crimes semelhantes a esse ocorridos anteriormente no Estado.


O prefeito Salvaro explicou que ainda não se sabia ao certo o quanto foi roubado na operação. Afirmou também que quatro artefatos explosivos foram encontrados - eles já foram detonados de modo controlado pelos policiais. Mais tarde, Salvaro descreveu o episódio como "traumático" para a cidade, e elogiou a PM porque "a vida (da população) esteve sempre em primeiro plano".


Na fuga, os bandidos deixaram cair maletas de dinheiro, espalhando cédulas de reais pelas ruas de Criciúma. Nas redes sociais, moradores postaram vídeos e fotos de si mesmos recolhendo notas para si.

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