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Marcha pela Diversidade pode se tornar Patrimônio Cultural Imaterial de Curitiba

09/07/2024


Projeto de lei que trata do tema tramita na Câmara Municipal.



Realizada pela primeira vez em Curitiba na década de 1990, a Marcha pela Diversidade poderá se tornar Patrimônio Cultural Imaterial da capital do Paraná. É o que pretende regulamentar um projeto de lei protocolado na Câmara Municipal no final de junho. Os bens culturais de natureza imaterial dizem respeito às práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios, celebrações, formas de expressão, e também nos lugares.


O intuito da proposta é valorizar o pioneirismo de Curitiba em idealizar a manifestação há 29 anos. Foi em 31 de janeiro de 1995 que mais de 500 pessoas se reuniram no centro da cidade, na Boca Maldita, para trazer visibilidade, promover e defender os direitos da população LGBTQIA+. Conforme a justificativa do projeto, tal evento foi considerado “oficialmente a primeira parada gay do Brasil”.


A data coincidiu com a fundação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), que em seu primeiro ato contou com a inscrição de 40 grupos de diversas partes do país, segundo a proposta pela declaração da Marcha da Diversidade como Patrimônio de Curitiba. “Atualmente, apenas seis deles permanecem em atividade, mas muitos outros surgiram, oriundos dessa iniciativa, totalizando mais de 200 entidades de luta pelos direitos da população de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros em todos os estados brasileiros.”


Na matéria é citada a análise do antropólogo Luiz Mott, do Grup Gay da Bahia. “[Foi] a maior passeata GLT da história do Brasil até então, a primeira a apresentar o mesmo layout das ‘gay parades’ norte-americanas. [...] Dois carros de som, muitos balões e bandeiras com as cores do arco-íris, travestis, drag-queens e transformistas em profusão: concentração na praça Santos Andrade de Curitiba, percorrendo as ruas principais do Centro, com falações na famosa Boca Maldita”, diz a citação do professor, mencionada na justificativa.


Curitiba, então, é considerada como precursora nacional das Paradas Gays e da diversidade brasileira, continua a proposta de lei. “Diversas passeatas ocorreram no país no final dos anos 1980 e no início da década de 1990, mas o primeiro evento nos moldes de uma parada gay e não de protesto pontual foi o da capital”. Já realizada pelo extinto Grupo Inpar 28 de Junho e pelo Grupo Diversidade, atualmente a organização da Marcha pela Diversidade é da Associação Paranaense da Parada da Diversidade (APPAD).


Se aprovado o projeto, caberá ao órgão responsável pela Política Municipal do Patrimônio Cultural de Curitiba a adoção dos atos necessários ao cumprimento da norma. Se sancionada, a lei municipal entrará em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial. A iniciativa é da vereadora Maria Leticia (PV).

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