Inflação avança e produção industrial recua no país

09/06/2021


No acumulado de 12 meses até maio, a alta do IPCA chegou a 8,06%



O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou o ritmo de alta no país. Em maio, o indicador oficial de inflação avançou 0,83%, após variação de 0,31% em abril. Foi o maior resultado para o quinto mês do ano desde 1996 (1,22%).


Com isso, o IPCA aumenta a distância em relação ao teto da meta de inflação. No acumulado de 12 meses até maio, a alta chegou a 8,06%. A variação estava em 6,76% até abril. O teto da meta de inflação é de 5,25% neste ano. O centro da meta é de 3,75%.


O IPCA de maio foi divulgado nesta quarta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação de 0,71% no mês.


Durante a pandemia, o IPCA ganhou corpo com a disparada de preços de alimentos e, em seguida, de combustíveis. Alta do dólar e avanço das commodities ajudam a explicar o comportamento desses itens na crise sanitária.


O controle da inflação também é ameaçado neste momento pela crise hídrica. Isso ocorre porque a escassez de chuva eleva os custos de geração de energia elétrica. Assim, a conta de luz fica mais cara para os brasileiros.


No último dia 28, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) citou as dificuldades hídricas ao anunciar a aplicação do patamar 2 da bandeira tarifária vermelha para o mês de junho, ao custo de R$ 6,243 para cada 100kWh (quilowatt-hora) consumidos. Em maio, vigorou no país a bandeira tarifária vermelha no patamar 1, em que há acréscimo de R$ 4,169.


Em uma tentativa de frear a inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC subiu a taxa básica de juros no começo de maio. À época, confirmou aumento de 0,75 ponto percentual na Selic, que passou para 3,50% ao ano.


Na ocasião, o Copom também sinalizou nova alta na mesma magnitude em junho, para 4,25%. O colegiado volta a se reunir na próxima semana.


Analistas do mercado financeiro projetam IPCA de 5,44% ao final de 2021. Ou seja, acima do teto da meta. A estimativa integra a edição mais recente do boletim Focus, divulgada pelo BC na segunda-feira (7).


Indústria

O IBGE também apontou que a produção industrial recuou em nove dos 15 locais pesquisados na passagem de março para abril. Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve queda de 3,3%.


As quedas mais acentuadas ocorreram na Bahia (-12,4%) e na Região Nordeste (-7,8%). Os dois locais tiveram seu quinto resultado negativo, acumulando perdas de 31,8% e 17,1%, respectivamente, informou o IBGE. As demais quedas foram registradas em Goiás (-3,6%), Pernambuco (-2,4%), Santa Catarina (-2,0%), Ceará (-1,2%), Mato Grosso (-1,1%) e Minas Gerais (-0,9%).



Na contramão, Amazonas (1,9%) e Rio de Janeiro (1,5%) tiveram as maiores altas em abril ante março. O primeiro marcou a segunda taxa positiva consecutiva, com ganho acumulado de 11,0%. O segundo eliminou parte da perda de 5% verificada no mês anterior Espírito Santo (0,9%), Pará (0,3%), Rio Grande do Sul (0,3%) e Paraná (0,2%) assinalaram os demais resultados positivos em abril.


No agregado nacional, a produção industrial caiu 1,3% em abril ante março, como informou o IBGE na semana passada.


A produção industrial avançou em 12 dos 15 locais pesquisados em abril de 2021 ante abril de 2020. Em São Paulo, maior parque industrial do País, a produção saltou 45,5% ante abril de 2020.


Segundo o IBGE, “os resultados positivos foram influenciados pela baixa base de comparação, já que o setor industrial foi pressionado, em abril de 2020, pelo isolamento social por conta da pandemia da covid-19”.


Amazonas (132,8%) e Ceará (90,2%) tiveram os maiores avanços. Paraná (55,1%), Rio Grande do Sul (53,8%), Santa Catarina (50,5%), Minas Gerais (32,5%), Pernambuco (31,4%), Espírito Santo (26,1%), Região Nordeste (20,2%), Rio de Janeiro (10,3%) e Pará (6,0%) completaram o conjunto de locais com índices positivos em abril de 2021.


Na contramão, Bahia (-10,0%) e Goiás (-8,7%) apontaram os recuos mais intensos em abril de 2021. Mato Grosso, com queda de 2,0%, também mostrou taxa negativa, informou o IBGE.


No agregado nacional, a produção industrial saltou 34,7% sobre abril de 2020, como informou o IBGE na semana passada.

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