Evangélicos de Colombo constroem vila para cristãos afegãos que fugiram do Talibã
- 1 de jan. de 2022
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01/01/2022
Perseguidos por não serem islâmicos, eles fugiram dos fundamentalistas

Em meio às araucárias paranaenses, um grupo de 73 afegãos viveu na noite do dia 24 um Natal muito diferente dos anteriores. São quase todos cristãos, mas essa foi a primeira vez que eles puderam celebrar a data abertamente, com ceia coletiva, música e oração.
Perseguidos por não serem da religião predominante no Afeganistão -o islamismo-, eles fugiram dos fundamentalistas do Talibã e agora estão nos arredores de Curitiba, no limite entre as cidades de Colombo e Almirante Tamandaré, a 25 quilômetros da capital.
“Foi tão especial… Estávamos entre amigos, comemos, cantamos, oramos juntos”, diz a advogada Golsoon, 33 [os sobrenomes dos entrevistados foram omitidos, por segurança]. “Antes, comemorávamos só em família, dentro de casa, porque não há liberdade religiosa no Afeganistão. Ser cristão é uma sentença de morte para nós.”
A família de Golsoon é uma das que foram resgatadas por um grupo religioso brasileiro que se dedica a ajudar cristãos perseguidos pelo mundo, a Missão em Apoio à Igreja Sofredora (Mais). Os 73 refugiados obtiveram um visto humanitário, documento emitido pelo Brasil para afegãos desde que o Talibã tomou o poder novamente em Cabul, em agosto.
São casais com crianças, idosos e jovens solteiros que chegaram em quatro grupos entre 25 de novembro e 18 de dezembro, após meses de incerteza, barreiras burocráticas e riscos durante a viagem.
Atualmente, eles ocupam seis alojamentos, além de oito casas com cozinha, sala, banheiro e dois quartos, construídas para recebê-los. Mais cinco casas devem ser inauguradas nos próximos dias, e outras cinco, de três quartos, em janeiro.
A vila, que fica na base da Mais, foi batizada de Cidade do Refúgio e inaugurada oficialmente com um culto no último dia 18. A reportagem visitou o local na véspera, quando só dez das 73 pessoas ainda não haviam chegado. A maioria ainda estava se ambientando, mas o clima geral era de alívio, com crianças correndo e brincando, senhoras sentadas no meio-fio observando a vista e casais cozinhando. Algumas mulheres tinham a cabeça coberta por um lenço -o costume não é só religioso, mas também cultural.
Na porta de cada casa, havia um papel com o sobrenome da família moradora e os sapatos de todos os ocupantes do lado de fora, conforme o costume local. Agentes públicos de saúde aplicavam as vacinas que faltavam para cada um, de Covid-19 e influenza a hepatite e febre amarela.
A ideia é que eles fiquem na Cidade do Refúgio nos primeiros quatro meses, resolvendo questões de documentação, saúde e tendo aulas de português. Depois, serão direcionados para outras cidades, abrindo espaço na vila para novos grupos que aguardam, no Paquistão, a liberação para voarem ao Brasil.
A Mais, que vive de doações, fez um apelo para que igrejas evangélicas de todo o país “adotem” uma ou mais famílias por no mínimo um ano, bancando aluguel e outras despesas e ajudando-os a conseguir emprego. Segundo Luiz Renato Maia, pastor presbiteriano que é presidente da missão, há interessados suficientes para quase toda a lista. As doações de roupas também foram abundantes, a ponto de eles terem tido que parar de recebê-las. “É uma causa que mobiliza, graças a Deus”, afirma.







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