Especialista fala sobre a doença que atinge 38 milhões de brasileiros

21/04/2021


26 de abril é o dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão



Na próxima segunda-feira (26/04) é o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. Na maioria das vezes, a hipertensão arterial não provoca sintomas, o que pode ser perigoso para o paciente que sofre com a doença.


A cardiologista Renata Christian Félix, da Clinica Villela Pedras fala sobre o tema. A especialista ensina como identificar os sintomas e o tratamento adequado desta doença, que atinge cerca de 30% dos brasileiros, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia.


Dados recentes divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os casos de diabetes e hipertensão arterial cresceram no país desde 2013, ano em que foi feito o último levantamento. Atualmente, mais de 38,1 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais sofrem com a doença.


A doença pode estar relacionada ao estresse, maus hábitos alimentares e sedentarismo, dentre outros fatores. Há ainda a hipertensão secundária, onde há um motivo, a exemplo da insuficiêcia renal crônica.


Neste ano, em função da pandemia, a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) tem como tema da campanha para o dia 26/04 “Cuidando da pressão arterial em tempos de pandemia”, com ações virtuais para alertar a população. Seguem abaixo perguntas e respostas sobre o tema e perfil da especialista.Qualquer dúvida, estou à disposição.


"Existem dois tipos de Hipertensão Arterial Sistêmica: primária ou essencial e a secundária. A Hipertensão Arterial Primária corresponde a mais de 90% dos casos da doença. Não tem uma causa definida, mas sim fatores que predispõem o desenvolvimento da doença. Além do estresse, que pode estar relacionado, os principais fatores associados à hipertensão arterial, são: o excesso de peso, o consumo excessivo de sal, o consumo excessivo de álcool, o sedentarismo e a genética do indivíduo".

"Geralmente a Hipertensão Arterial não costuma apresentar sintomas. Muitas vezes as pessoas associam uma dor de cabeça, a sintoma de pressão alta. Mas com frequência a dor é que aumenta a pressão, devido ao estresse que causa. Nossa pressão arterial não é a mesma o tempo todo. Ela fica mais baixa, quando estamos dormindo ou descansando, e é mais alta ao passarmos por momentos de estresse ou dor, voltando ao normal quando esse período passa. Isso não significa que a pessoa seja hipertensa, mas apenas uma resposta do organismo à situação vivida".


"Por outro lado, existem casos que um aumento agudo e excessivo da pressão arterial, pode gerar um quadro que precisa de atendimento de emergência. Ele é chamado de encefalopatia hipertensiva, no qual o indivíduo pode ter dor de cabeça muito forte, podendo também ter vômitos e turvamento da visão".


"Os sintomas da hipertensão estão associados a efeitos que ela pode causar em determinados órgãos a longo prazo. A pressão alta não tratada pode gerar o Acidente Vascular Encefálico, conhecido como derrame cerebral, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e insuficiência renal, por exemplo. O sintoma irá depender do órgão que foi acometido. Por isso é importante identificar a hipertensão arterial antes que ela cause esses danos. Desta forma, é imprescindível consultar um médico regularmente, para verificar a pressão arterial e fazer uma avaliação geral do estado de saúde".


"A Hipertensão Arterial é mais comum após os 50 anos de idade. No entanto, com o aumento do sobrepeso na população e o consumo de alimentos industrializados, que contêm muito sal e gordura, está cada vez mais comum a identificação da doença em indivíduos jovens".


"A Hipertensão Secundária é quando a doença tem causa definida, identificável, dentre elas, a apneia do sono, doenças renais e doenças de algumas glândulas. Em muitos casos de hipertensão secundária, após o tratamento do problema que causou a elevação da pressão arterial, a pessoa fica curada da hipertensão. Diferentemente da hipertensão primária ou essencial, que não tem cura, e a pessoa tem que tratar a pressão pelo resto da vida".

"Embora o fator hereditário seja importante para o surgimento da hipertensão primária, se sabe que outros fatores externos, ligados à alimentação inadequada, que leva ao excesso de peso; consumo abusivo de álcool, são determinantes para o estabelecimento da doença, na maioria dos casos. Por isso, adotar hábitos saudáveis de vida é o principal tratamento para evitar o desenvolvimento da hipertensão, assim como auxilia no seu adequado controle para evitar as consequências indesejáveis dos danos ao longo dos anos".

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