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De R$ 15 no bolso a R$ 100 milhões em faturamento

  • 29 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

29/09/2025



A trajetória de um dos principais nomes do setor automotivo até o sucesso teve altos e baixos financeiros e emocionais, e um acidente que o deixou paraplégico: “mais ganhei do que perdi” Diz Harife.


Em um escritório elegante na Vila Leopoldina, em São Paulo, um homem sorri serenamente enquanto observa sua equipe organizar mais um showroom repleto de carros de luxo. O ambiente cheira a couro novo e metal polido, e o reflexo das luzes se multiplica nos vidros dos automóveis, mas o brilho mais marcante é o de alguém que aprendeu a transformar quedas em combustível.


Harife de Mello, hoje um nome de peso no setor automotivo, comanda a Carhaus, um verdadeiro império que fatura cerca de 100 milhões de reais por ano. O que poucos sabem, no entanto, é que, antes de chegar até aqui, Harife precisou reconstruir a vida diversas vezes, em cenários de perda total e recomeço absoluto.


Das primeiras negociações à falência


Nascido em uma família de classe média, Harife conheceu o trabalho cedo. Aos 14 anos, após perder o avô que o criou, começou a trabalhar numa agência dos Correios. De lá, seguiu por uma odisseia empreendedora: motoboy, vendedor, montador óptico e operador de recarga de cartuchos.

Em cada passo, um aprendizado. Em cada queda, uma nova tentativa. Não havia margem para escolhas: a necessidade se impôs e, junto a ela, a disciplina de quem entendeu rápido que nada vem de graça:


“Em um determinado momento, juntei dinheiro, investi num lava-rápido a seco dentro de um hipermercado, e perdi tudo. Tive que voltar a ser office boy na ótica onde minha mãe trabalhava. Foi um tombo enorme”, lembra Harife.


Ainda assim, o fascínio por automóveis nunca saiu de cena. Sua primeira negociação marcante foi a compra de uma caminhonete, um sonho de consumo da época, que ele revendeu para ter lucro: “Foi ali que percebi que eu ganhava mais dinheiro com carros do que em qualquer emprego formal.”. A sensação de liberdade ao dirigir também virou intuição de negócio: os carros seriam não só mais uma paixão, e sim um destino.


Aos poucos, o que era renda extra se tornou o centro da vida. Harife passou a alugar espaços em estacionamentos para vender carros, até abrir sua primeira loja. Mas a crise de 2008 derrubou o negócio: “Cheguei a ter 15 reais no bolso e precisei escolher: pegar um ônibus ou gastar o dinheiro numa lan house para enviar currículos. Fiquei com a segunda opção. Foi a decisão que mudou minha vida”.


Dessa escolha, veio a oportunidade. Contratado como vendedor de uma concessionária, rapidamente se destacou e o sucesso trouxe um bom salário, e também uma arrogância - inerente ao ser humano - que apareceu sem avisar: “Nessa época, eu me achava melhor do que os outros. Ganhava muito bem para a minha função e idade. Eu ainda não sabia, mas esse comportamento estava prestes a mudar’’.


“Respira, você está vivo”


Em 2010, uma noite mudou tudo. Após beber em uma festa, Harife assumiu o volante. Depois de deixar amigos em casa, perdeu o controle do carro a 200 km/h. O veículo capotou seis vezes e ele estava sem cinto. Resultado: coma, coluna quebrada e uma lesão medular irreversível: “Quando acordei, ouvi: Respira, você está vivo. Aquilo virou meu mantra”.


Foto: Arquivo pessoal


 
 
 

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