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Com novo prêmio, Oficina Música Curitiba mantém viva a memória de Margarita Sansone

  • admjornale
  • 23 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

23/10/2025




"A música, antes de tudo" (De la musique avant toute chose), frase do poeta Paul Verlaine, constantemente declamada por Margarita Sansone, resumiu a noite desta quarta-feira (23) na Capela Santa Maria. O lançamento do Prêmio Margarita Sansone da Oficina de Música foi repleto de significados e de novos capítulos para a cultura curitibana, embalado pelo som da Camerata Antiqua e da Regional de Choro da Orquestra À Base de Corda.


O legado da jornalista e ex-primeira-dama de Curitiba Margarita Sansone ganhou um símbolo físico e sonoro no local. O piano de sua mãe foi doado à Capela Santa Maria e agora está restaurado pelo luthier Donizete Bonifácio. O instrumento foi inaugurado no saguão do espaço com a interpretação do pianista Jesse Souza, que recebeu o público com obras que prepararam o ambiente para a cerimônia.


Diante de familiares, autoridades e músicos, o ex-prefeito e secretário de Desenvolvimento Sustentável do Paraná, Rafael Greca, viúvo de Margarita, falou ao público.


“Minha amada Margarita sempre acreditou na música como força de vida e quis que sua paixão pela arte continuasse inspirando outros. É com o coração transbordando que, em sua memória, ofereço este prêmio. Que ele perpetue sua luz, sua dedicação à música e seu amor pela cidade que tanto encantou”, disse Greca.

Em sua fala, ele destacou que “nenhum valor material se compara à grandeza do bem que a música faz ao espírito e à cidade”, reforçando a ideia de que o prêmio nasce como um gesto de gratidão e estímulo à arte.


Camerata em Roma


A cerimônia também trouxe anúncios de grande impacto. O prefeito Eduardo Pimentel revelou que a Camerata Antiqua de Curitiba fará uma turnê em Roma logo após a 43ª Oficina de Música, com uma apresentação histórica na Basílica Papal de Santa Maria Maior, uma das quatro maiores do Vaticano, local onde o papa Francisco está sepultado.


"Levar o nome de Curitiba e esse timaço para o Vaticano é um feito extraordinário", comemorou Pimentel. “E o Prêmio Margarita Sansone nasce com esse mesmo espírito, o de transformar emoção em legado. São gestos que unem gerações de artistas e fazem a música continuar sendo a alma viva da nossa cidade.”

Um prêmio com dois eixos


O Prêmio Margarita Sansone de Música nasce com dois eixos: valorizar quem já faz e estimular quem está começando.


O Prêmio Estímulo aos Novos Talentos, voltado a alunos de todo o Brasil inscritos na Oficina de Música, reconhecerá os melhores nas áreas de Cordas Clássicas, Sopros, Canto, Piano, Música Antiga e MPB. Os vencedores receberão bolsa-auxílio, certificado e medalha, com avaliação feita pelo corpo docente da Oficina.


Prêmio Trajetória homenageará anualmente músicos, regentes, compositores, educadores ou personalidades com contribuição relevante para a música brasileira. O escolhido será indicado por uma comissão julgadora formada por professores e representantes da família Sansone, recebendo placa comemorativa e medalha.


O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Jr., também ressaltou o alcance da iniciativa. “Esta ação consolida ainda mais a Oficina como um dos festivais de música mais relevantes do país e cria um legado permanente de incentivo à arte. É uma forma brilhante de manter viva a memória de dona Margarita.”


Para o maestro e curador da Oficina, Abel Rocha, o prêmio é mais uma demonstração do quanto Curitiba valoriza a atividade musical. “É um gesto que reafirma a importância da música na vida da cidade e o reconhecimento aos artistas que fazem da Oficina um espaço de formação, excelência e inspiração”, destacou.


Um concerto à altura da homenagem


Sob regência de Mara Campos e direção musical de Winston Ramalho e João Egashira, o concerto da noite uniu o erudito e o popular. A Marcha para Curitiba abriu o programa, que passeou por obras como Belarmino e Gabriela das Mocinhas da Cidade, Libertango de Astor Piazzolla e Carinhoso de Pixinguinha.


O ponto alto veio com a interpretação de Melodia Sentimental e Ária e Cantilena (das Bachianas Brasileiras nº 5), de Villa-Lobos, nas vozes da soprano Ornella DeLucca e da Camerata, um momento encerrado sob aplausos prolongados.


Na plateia estavam a secretária estadual da Cultura, Luciana Casagrande, a diretora executiva do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac), Juliana Midori, o presidente da Câmara Municipal, Tico Kuzma, o líder da bancada governista, vereador Serginho do Posto, e o procurador-geral do Estado, Gilberto Giacoia, além de familiares e amigos de Margarita Sansone.


Turnê em Roma


A turnê da Camerata irá comemorar os 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, com concerto marcado para o dia 23 de janeiro de 2026, logo após as comemorações de Santa Inês. A viagem acontece à convite da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé e será realizada por meio da Lei Rouanet com apoio também da Secretaria de Estado da Cultura.


O maestro Ricardo Bernardes, que conduzirá a apresentação na basílica, esteve no concerto e destacou a relevância artística da ocasião. “A Camerata Antiqua de Curitiba é o único grupo brasileiro com a expertise necessária para apresentar um repertório barroco em Roma. É uma orquestra que carrega uma história de excelência e merece esse reconhecimento”, afirmou.


Inscrições prorrogadas para a 43ª Oficina


A organização da Oficina de Música de Curitiba prorrogou o período de inscrições para a 43ª edição, que será realizada de 7 a 18 de janeiro de 2026. Serão 89 cursos ministrados por professores brasileiros e estrangeiros, abrangendo música erudita, popular e antiga.


As inscrições seguem abertas pelo portal do aluno, disponível no site oficial da Oficina de Música.

 

 

Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM


 
 
 

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