Cientistas fogem do Brasil após ataques de extremistas

27/03/2021


Profissionais que atuam em pesquisas sobre relatam ameaças



Fazer ciência sobre alguns temas no Brasil tem sido um desafio que vai além dos cortes orçamentários: a crescente barreira ideológica que se manifesta em ameaças e perseguição a cientistas vindas até de órgãos públicos. Entre os estudos que esse entrave tenta interditar, estão pesquisas na área que o país mais necessita no momento – o coronavírus.


Desde o início da pandemia, os ataques a cientistas que produzem material que desagrada grupos radicais de apoiadores do governo se intensificaram. Não é, porém, um fenômeno novo nem restrito a pesquisas médicas. Em 2018, a antropóloga e defensora dos direitos das mulheres Debora Diniz, da Universidade de Brasília, teve de deixar o país por causa de ameaças de morte.


Na última semana, a geóloga Larissa Mies Bombardi, da Universidade de São Paulo, lamentou em forte desabafo ter de tomar a mesma decisão como uma das consequências de suas pesquisas sobre agrotóxicos.


A saída de alguns estudiosos do país é o efeito mais extremo de um fenômeno que ameaça a pesquisa como um todo. Há casos igualmente graves de cientistas que ficaram no Brasil, mas tiveram seus trabalhos abalados pelos ataques. O infectologista Marcus Lacerda coordenou, no início do ano passado, estudo sobre a eficácia da cloroquina contra o coronavírus.


Ele e os colegas, ligados à Fiocruz e à Fundação de Medicina Tropical em Manaus, foram atacados nas redes num movimento promovido até pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “Estudo clínico realizado em Manaus pra desqualificar a cloroquina causou 11 mortes após pacientes receberem doses muito fora do padrão. Este absurdo deve ser investigado imediatamente. Os responsáveis são do PT. Mas isso é pura coincidência, claro…”, tuitou o filho do presidente da República, em 17 de abril.

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