Audiência Pública debate o câncer de mama na pandemia

08/07/2021


Evento foi proposto pela Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia



A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher convida para a Audiência Pública com o tema “Diagnóstico Precoce - a preocupante queda dos números de mamografias no Brasil durante a pandemia de Coronavírus”. A sessão foi proposta pela Deputada Mara Lima – Presidente da Comissão da Mulher, a ser realizada no próximo dia 13/07 às 09:30 com transmissão ao vivo pela TV Assembleia e pelas redes sociais.


A audiência contará com a presença de médicos e especialistas representantes de hospitais e associações voltadas a atendimento de pacientes em tratamento contra o câncer de mama.


O câncer de mama é o tumor maligno que mais acomete as brasileiras e a principal causa de morte por câncer nas mulheres no país. Para o ano de 2021, foram estimados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) 66.280 casos novos da doença. O Brasil apresenta altas taxas de câncer de mama avançado, estimadas em aproximadamente 40%, decorrentes das falhas existentes no processo de detecção precoce da doença, como ausência de programas efetivos de rastreamento organizado e ações efetivas de prevenção primária e secundária. Este fato confere menor chance de cura e gastos muito maiores para o sistema.

Segundo a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (Iarc), o câncer de mama ultrapassou o tumor de pulmão pela primeira vez em 2020, sendo a neoplasia maligna de maior incidência em 159 dos 185 países monitorados, inclusive no Brasil.

A previsão é de uma piora destes números, já que a pandemia de COVID-19 tem potencial de agravar de forma importante esse cenário. Dados disponíveis demonstram que houve redução de 63,6% na realização de mamografias até junho de 2020, atingindo, no auge da primeira onda da doença, redução de 82% em maio e 75% em junho de 2020. Além disso, nesse período, houve redução de 49,1% no início do tratamento de novos pacientes com câncer de mama no SUS.

A Colabore com o Futuro e entidades parceiras lançam um documento para chamar à ação todos os envolvidos com saúde pública e assistência oncológica. O objetivo é estimular a criação e implantação de estratégias efetivas para enfrentar as consequências da pandemia no atual cenário do câncer de mama, com a participação do Ministério da Saúde, Estados, Municípios e sociedade civil.

“A iniciativa foi lançada pois acreditamos que a sociedade civil organizada desempenha um papel essencial para educar, impactar e inspirar os formuladores de políticas para mudar o cenário do câncer de mama no Brasil”, afirma a advogada e cofundadora da Colabore com o Futuro, Andrea Bento. “Pretendemos estimular a atuação de Parlamentares na Causa, com a realização de Audiências Públicas ao longo do ano, e não apenas durante o Outubro Rosa”, completa.

O documento também projeta minimizar ao máximo o impacto da COVID-19 no câncer de mama, com a promoção de ações efetivas que não só permitam não piorar os indicadores de saúde no pós-pandemia, mas que consigam melhorar toda a linha de cuidado e jornada da paciente no SUS.

Segundo o Ministério da Saúde, a neoplasia de mama foi responsável pela maior taxa de mortalidade por câncer em mulheres entre o período de 2000 a 2018. São 48 óbitos de mulheres por dia, sendo que 45% destas entre mulheres de 30 a 69 anos. O câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer na população feminina em todas as regiões do Brasil, exceto na região Norte, onde o câncer do colo do útero ainda ocupa o primeiro lugar.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram a alta da taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho, que deve crescer mais do que a masculina até 2030. Assim, o tratamento do câncer de mama e os aspectos diretamente relacionados em mulheres ativas economicamente podem trazer implicações negativas na carreira e renda familiar. Para além disso, também podem guardar relação com aspectos da sexualidade, maternidade e autoimagem.


As terapias disponíveis para essas pacientes têm avançado nos últimos anos, mas ainda há efeitos colaterais que podem comprometer a qualidade de vida. Por isso, o acesso aos melhores tratamentos precisa estar garantido, para tentar minimizar o impacto da doença e as dificuldades de rastreamento, diagnóstico e tratamento impostos pela pandemia.

“Precisamos garantir a gestão da informação na educação populacional, para encorajar os pacientes a continuarem procurando os serviços de saúde e não abandonem seus tratamentos durante a pandemia”, destaca Andrea. “É fundamental estabelecer uma clara priorização dos casos, definidos por meio de protocolos de estratificação de risco da doença atuais e bem definidos e garantir essa priorização na Regulação da Assistência Oncológica dos estados”, acrescenta a advogada Andrea Bento.

O documento defende, ainda, o acesso às melhores terapias para todas as pacientes, pois, existe uma desigualdade no tratamento do câncer de mama, não apenas entre os sistemas públicos e privados. Dentro do próprio SUS, pacientes com tipos de câncer de diferentes (perfis de pacientes diferentes) enfrentam desigualdade em seus tratamentos.

Para grande parte da população com a doença, existe uma nova classe terapêutica que prolonga a vida com mais qualidade, transformando o futuro do tratamento do câncer de mama no Brasil e a vida de milhares de mulheres.

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