Volta do público aos estádios no Rio irrita clubes de fora

Retorno dos torcedores está previsto para Flamengo x Athletico



O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), anunciou na sexta-feira (18) o retorno do público aos estádios de futebol na cidade no próximo dia 4, com a partida entre Flamengo e Athletico -marcada para o Maracanã. No entanto, tal discurso do político não basta para que a ideia seja colocada em prática. Restam conversas, reuniões entre diversos órgãos e uma série de ajustes em regras vigentes para que o torcedor, enfim, retome seu lugar nas arquibancadas.


O comunicado de Crivella, inclusive, surpreendeu participantes de reunião no mesmo dia na qual a pauta foi debatida. Após o encontro, uma nova rodada de conversas foi marcada para a próxima semana. A ideia é incluir agora, além da Secretaria Municipal de Saúde e da Vigilância Sanitária, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, empresas que administram as linhas de trens e ônibus e responsáveis por toda a logística envolvida em uma partida. Somente, então, Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) e clubes envolvidos na ideia finalizarão o protocolo idealizado para o retorno.


Tal protocolo será submetido à CBF. Ainda oficialmente calada, a confederação aguarda uma posição do Ministério da Saúde após enviar uma proposta de retorno gradual do público aos estádios antes de se movimentar no assunto.


Bem como no documento enviado à Brasília, a entidade mostra cautela e não acredita em um retorno já no início do próximo mês, com o jogo do Flamengo no Maracanã. Na visão de dirigentes da entidade, seria necessário ao menos mais um mês de debates e acordos com os poderes públicos de todos os estados envolvidos no Campeonato Brasileiro até que a ideia fosse executada.


Com o aval do Ministério da Saúde em mãos, a confederação conversará com clubes para alterar a regra número um da diretriz técnico do Brasileiro, o documento que rege o torneio. “As medidas aqui estabelecidas levam em consideração que a retomada do futebol se dará sem público. Qualquer alteração nesse quadro será devidamente comunicada e este documento será ajustado se necessário for.”


É justamente a partir desse documento que se sustenta o argumento da CBF diante do comunicado de Crivella, segundo apurou a reportagem. A entidade defende que qualquer decisão relacionada ao seu campeonato precisa respeitar a diretriz em vigor -ou posterior alteração, cenário condicionado a conversas com clubes.


Como a CBF não verbalizou tal pensamento, muitos clubes mostraram descontentamento com a possibilidade de um retorno precoce na data anunciada por Crivella. Na visão de times como Corinthians, Palmeiras, Atlético-MG e Grêmio, seria inadmissível ter o retorno do público em apenas uma unidade da federação envolvida no Brasileiro, quebrando a isonomia da disputa.


Ao menos dois dirigentes da alta cúpula da CBF asseguraram à reportagem que não trabalham com a ideia de retomada em um estado enquanto outros ainda não tenham garantias do poder público para tal. Até por isso responsáveis pelo torneio na confederação não consideram a presença de público já em Flamengo x Athletico-PR uma opção razoável.


Diante disso, a aposta de envolvidos é de que a espera do torcedor supere as duas semanas -ideia inicial de prefeitura e federação do Rio. Além da possível quebra da isonomia, outro fato incomodou os clubes que questionam as conversas aceleradas na capital fluminense. Para muitos deles, o Flamengo rompeu um acordo feito no início do Brasileiro. Em conversas e reuniões virtuais, dirigentes dos 20 times da série A planejavam solicitar um debate para que o público retornasse aos estádios em novembro, na virada do primeiro para o segundo turno.

20 de outubro de 2020

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