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Restauração em santuário de Ouro Preto revela peças escondidas

Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, visitou obras da igreja N. Sra. da Conceição que conta com recursos do IPHAN



A obra de restauração na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, na cidade de Ouro Preto (MG), tem revelado um tesouro artístico esquecido do século XVIII. A medida que as camadas de repinturas, cera e sujidades foram removidas, diversas pinturas e elementos florais encobertos desde o final do século XIX, voltaram à tona. O templo, um dos maiores em tamanho e suntuosidade da cidade, passa por uma ampla reforma com recursos na ordem de R$ 8 milhões do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), autarquia vinculada ao Ministério do Turismo.


O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, visitou as obras do local durante a agenda de anúncio de retomada do Turismo no Brasil, realizada na última semana. Ele conheceu o processo de restauração pelo qual o Santuário está passando e conversou com os funcionários que se dedicam a recuperar o patrimônio. “Quando falamos em turismo falamos também no segmento religioso, que tem bastante força no nosso país. Essa obra em uma igreja que faz parte do acervo cultural de Ouro Preto é de grande importância para a história do Brasil e para as atividades turísticas da região”, disse.


De acordo com o IPHAN, os resultados vêm se mostrando surpreendentes, principalmente devido ao resgate das policromias e douramentos de altíssima qualidade, muitos deles originais datados do século XVIII. Os achados se mostram mais harmoniosos e coerentes com o próprio estilo e qualidade da talha barroca, evidenciando a riqueza e a variedade estilística do acervo artístico da igreja, mostrando novamente os elementos figurativos que estevam fragmentados ou quase apagados.


A remoção de douramentos de concha aplicados no final do século XIX (douramento este equivalente à aplicação de uma tinta dourada, de qualidade técnica inferior) vem evidenciando, também, superfícies revestidas com folhas de ouro brunidas setecentistas, como ilustram os componentes do coroamento do retábulo-mor.


O chefe do escritório técnico do IPHAN em Ouro Preto, André de Souza, explicou que, durante a visita técnica, foi apresentado à comitiva do MTur um pouco da magnitude e da importância do monumento, que tem um importante papel no contexto na época da mineração do ouro e da consolidação da ocupação de Minas Gerais. “Essa igreja tem mais de 300 anos de história e vem sendo objeto de restauração desde 2014: em um primeiro momento, a recuperação arquitetônica e, a partir de 2019, as obras para restauração do elemento artístico”, detalhou.


Souza explicou também que o ministro pode observar algumas das etapas mais importante desse processo de restauração, como a remoção de camadas de repintura para trazer à tona as camadas, os douramentos e as policromias originais. “O trabalho de aplicação de folha de ouro trará algumas características originais desse importante bem da arquitetura barroca mineira”, afirmou. “E por toda essa representatividade cultural, isso representa para o turismo local e do Estado um grande atrativo, que vem sendo recuperado por aportes do governo federal”, completou.


Divididas em etapas, a obra teve a sua primeira parte, concluída em agosto de 2017, onde foram realizadas, em linhas gerais, a restauração arquitetônica do templo a fim de garantir sua integridade física e longevidade dos materiais e sistemas construtivos, bem como o uso adequado e mantenedor dos valores artísticos, culturais e simbólicos contidos nas estruturas arquitetônicas do monumento.


A etapa atual das obras teve início em janeiro de 2019 e foca suas ações na totalidade dos bens artísticos integrados que eram conhecidos e investigados até então. Os trabalhos em execução estão em estágio avançado do cronograma físico e incluem serviços de conservação e restauração, além de limpeza e higienização mecânica e química das superfícies, desmontes parciais, remoção de repinturas e camadas de cera, consolidação dos suportes e elementos de estruturação, nivelamento e reintegração das policromias e douramentos, imunização preventiva contra a ação de xilófagos e aplicação de vernizes e outros tratamentos de finalização.


HISTÓRIA - A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias ascendeu à condição eclesiástica de Santuário de Nossa Senhora da Conceição em 2005 e é um dos mais importantes exemplares da arquitetura religiosa brasileira, tanto no contexto arquitetônico no panorama das matrizes mineiras setecentistas, quanto na excepcionalidade da qualidade artística do seu acervo de bens integrados. Sua história estabelece relações diretas com a própria constituição urbanística da cidade de Ouro Preto, espelhando também a euforia econômica promovida do ciclo do ouro no início do século XVIII, na região central do atual estado de Minas Gerais.


Foi erguida pelo grupo do bandeirante Antônio Dias, no então arraial homônimo, como uma pequena capela devotada à Nossa Senhora da Conceição. Por volta de 1705, a ermida foi ampliada, reflexo do desenvolvimento local e da subsequente demanda pela constituição de uma paróquia própria. A Freguesia de Antônio Dias, junta com a de Nossa Senhora do Pilar, passou a compor a recém fundada Vila Rica, unificando, sob a mesma jurisdição política e administrativa, dois dos principais arraiais de Ouro Preto. Em 1727 a nova Matriz de Antônio Dias, como ficou conhecida, começou a ser reconfigurada e ampliada por Manoel Francisco Lisboa, pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.


Nos anos seguintes, a igreja passou por diversas obras, intervenções e melhoramentos internos até a segunda metade do século XVIII. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição, tombada isoladamente pelo Iphan em 1939, foi sede de vários eventos históricos importantes, como a posse do governador Gomes Freire de Andrade, em 1735. Também abriga os restos mortais de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, patrono das Artes no Brasil, que foi enterrado em frente ao altar de Nossa Senhora da Boa Morte; e de seu pai, Manoel Francisco Lisboa, enterrado na capela-mor. Na antiga sacristia está instalado o Museu Aleijadinho, onde podem ser admiradas várias obras do mestre, como a imagem de São Francisco de Paula e um Cristo crucificado.


Fonte: Ministério do Turismo

4 de dezembro de 2020

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