Lesão de Ligamento Cruzado Anterior: conheça a lesão que mais assombra os clubes de futebol

Lesão cirúrgica é a mais comum em esportes que envolvem contato físico



O rompimento do Ligamento Cruzado Anterior do joelho é a lesão cirúrgica mais comum em esportes que envolvem contato físico e mudanças de direção frequentes. No Brasil, o futebol é, sem dúvidas, o principal responsável por estas lesões. Tanto atletas profissionais como recreativos estão sob risco para esta lesão.


O ligamento se rompe quando o atleta prende o pé no solo e gira o corpo sobre o joelho. No momento da lesão, o joelho incha e, na maior partes das vezes, o atleta não será capaz de sustentar o peso do corpo sobre o joelho. Em alguns casos, pode ser referido um estalido, com a sensação de que uma corda se rompeu.


Uma vez rompido, o Ligamento Cruzado Anterior não cicatriza mais. Pacientes mais velhos, que sejam sedentários ou praticantes de esportes que não envolvam giros e mudanças frequentes de direção e que apresentem pouca queixa de instabilidade poderão considerar o tratamento não cirúrgico. Neste caso, precisam saber que precisarão conviver com a lesão, que não se deve esperar a cicatrização da lesão sem a cirurgia. Mas, no caso de atletas mais novos, a tendência é pelo tratamento cirúrgico.


Pacientes que desejam retomar a prática regular de atividades esportivas que envolvem frequentes mudanças de direção (como futebol, vôlei, basquete e tênis) também tendem a ser tratados cirurgicamente. Ainda que alguns pacientes sejam capazes até mesmo de jogar futebol com o ligamento rompido, o risco de novas torções ou de lesões associadas, no médio e longo prazo, será alto. Outras estruturas poderão ser lesionadas secundariamente, comprometendo o resultado de uma eventual indicação cirúrgica tardia. Assim, ao se considerar não operar o joelho é importante que os eventuais riscos sejam esclarecidos pelo ortopedista especialista em joelho.


Como é a técnica cirúrgica?


O objetivo da cirurgia é substituir o Ligamento Cruzado Anterior rompido (que não cicatriza mais) por um enxerto. Os mais utilizados são os tendões flexores (Semi tendinoso e Gracil) e a parte central do tendão patelar. O uso do tendão do quadríceps também tem crescido recentemente.


Após a retirada dos enxertos, é feita uma artroscopia. O procedimento consiste em um pequeno corte na pele para a introdução de uma câmera no joelho, que permite a visualização das cartilagens, dos meniscos e dos ligamentos.


Neste momento, os remanescentes do ligamento rompido são retirados e eventuais lesões associadas também são tratadas.


Por fim, é realizado um furo nos ossos onde ficava o ligamento rompido e o enxerto é introduzido por dentro destes furos, substituindo o ligamento rompido. O ligamento deve ser fixado ao osso tanto no fêmur como na tíbia, sendo que diversos métodos de fixação estão disponíveis para isso.


Tratamento pós-operatório


A reabilitação pós-operatória de uma cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior é fundamental para a obtenção de um bom resultado final após a cirurgia.


Este processo de reabilitação pode ser dividido nas seguintes etapas:

  1. Primeiro mês: Recuperação do edema e da mobilidade do joelho, voltar a caminhar normalmente sem muletas;

  2. Segundo ao quartro mês: Fortalecimento muscular

  3. Quinto ao sexto mês: Recuperação da função do joelho (saltos, aceleração e desaceleração. Agachamentos)

  4. Sétimo e oitavo mês: Treino do gesto esportivo

  5. Nono mês: Retorno esportivo gradual


Vale considerar que estes tempos devem apenas servir como referência, mas podem ser alterados de acordo com fatores como as condições da musculatura antes da cirurgia, a qualidade da reabilitação e a resposta individual à cirurgia.


Retorno esportivo


O retorno ao esporte após uma cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior é um dos assuntos mais discutidos na cirurgia do joelho atualmente. Por muito tempo se falou nos protocolos acelerados de reabilitação, mas frente aos riscos para novas lesões e queda no desempenho sem uma recuperação completa, a tendência é que o retorno seja retardado para aproximadamente nove meses, podendo em alguns casos ser estendido para além de um ano.


O retorno depende muito mais de critérios objetivos de avaliação do que a um tempo específico. Isso acontecerá quando o paciente tiver um bom equilíbrio de força, bom equilíbrio em testes funcionais e quando questionários subjetivos específicos demonstrarem que o paciente “tem confiança” no joelho.


Resultado da cirurgia de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior


Resultados insatisfatórios são relativamente comuns mesmo após uma cirurgia tecnicamente bem realizada, quando não se dá a devida atenção à reabilitação pós-cirúrgica.


O prognóstico depende também de fatores como o esporte praticado, nível de prática esportiva, presença de eventuais lesões associadas em outros ligamentos, cartilagem articular ou meniscos e idade do paciente.




Dr. João Hollanda

O dr. João Hollanda é médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

25 de outubro de 2020

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