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Por que o joelho pode continuar com dor após uma cirurgia de menisco no joelho?

Cirurgia é rápida e permite recuperação quase imediata.

A cirurgia para retirada de um menisco rompido é rápida e permite uma recuperação quase que imediata na maior parte dos pacientes. Ainda assim, a lesão preocupa o ortopedista especialista em joelhos até mais do que outras lesões consideradas como de maior complexidade. As consequências a longo prazo da lesão no menisco podem ser bastante preocupantes, principalmente no que concerne à persistência da dor e risco de desgaste precoce nos joelhos.

A dor persistente após a cirurgia pode ter diversas causas:


1. A cirurgia pode não ter abordado a causa da dor


Muitas pessoas apresentam uma lesão no menisco e não apresentam qualquer tipo de queixa, vindo a descobrir a lesão acidentalmente ao realizar um exame por outro motivo. O exame pode induzir o médico a indicar o tratamento cirúrgico desta lesão. O procedimento é avaliado inicialmente como bem sucedido, mas a dor não melhora, simplesmente porque o menisco não era a causa da dor.


2. Artrose do joelho


A principal doença que leva a este tipo de “mal interpretação” é a artrose no joelho. Retirar o menisco em um joelho com artrose pode sobrecarregar ainda mais o osso e a cartilagem já desgastada, e a dor pode até piorar em consequência da cirurgia.


3. Fratura por insuficiência


A maior sobrecarga sobre o osso e a cartilagem após a retirada do menisco pode provocar o que denominamos de fratura por insuficiência. Estas lesões são mais comuns em pacientes com idade avançada, na presença de artrose, deformidades angulares (varo ou valgo), obesidade, sedentarismo e após ressecções de fragmentos extensos do menisco.


4. Persistência da lesão


Na presença de dor, devemos considerar a possibilidade de a cirurgia não ter tido sucesso em resolver o problema. No caso da meniscectomia, isso é menos frequente, já que o fragmento rompido é simplesmente retirado, não dependendo da cicatrização do mesmo. No caso da sutura (reparo) do menisco, o procedimento busca trazer estabilidade para o menisco, mas dependerá da resposta biológica do paciente para uma adequada cicatrização. Caso não haja a cicatrização, o paciente tende a “perder” o reparo e apresentar recidiva da dor, que terá que ser abordada em um novo procedimento.


5. Nova lesão


A lesão do menisco ocorre mais frequentemente a partir dos 40 anos, quando o menisco já se encontra enfraquecido. Mesmo com a cirurgia, este não deixa de ser um “menisco em risco” para novas lesões.


Por todos os motivos expostos acima, a cirurgia para o tratamento da lesão no menisco não deve ser considerada tão simples como muitas vezes se faz parecer. Ainda que a maior parte dos pacientes se recupere prontamente, as consequências de uma cirurgia mal indicada podem ser desastrosas, com dor ainda pior do que o paciente sentia antes da cirurgia. A indicação, desta forma, deve ser bastante criteriosa e, sempre que possível, realizada pelo ortopedista especialista em joelhos.




Dr. João Hollanda

O dr. João Hollanda é médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

28 de novembro de 2020

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