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Escritor curitibano Carlos Machado lança o livro Olhos de Sal

Novela lançada pela editora 7Letras encerra trilogia



O novo livro do escritor curitibano Carlos Machado é a novela que encerra o que o autor chama de "Trilogia do não-lugar" (as outras são: "Poeira Fria", lançada em 2012 pela editora Arte e Letras e "Esquina da minha rua", de 2018 pela editora 7Letras).

Uma investigação ficcional sobre a relação de homens e mulheres com os espaços urbanos dentro de um modus que se forma a partir do silêncio e do vazio (possíveis não-lugares).


Em "Olhos de sal", o personagem C, um sexagenário de origem brasileiro, embarca para a Suíça a fim de procurar por uma mulher que conheceu há 20 anos, de quem nunca mais teve notícias. Percebendo ao longo da narrativa que, de certa forma, nunca conseguiu se afastar desse tempo e espaço psicológicos. Essa viagem trará revelações impactantes para sua vida.


Nas palavras do escritor e jornalista literário Jonatan Silva (texto de orelha do livro):

O não-lugar é todos os lugares. E é nenhum. A obra literária de Carlos Machado é a investigação dos espaços em branco, da invisibilidade – do personagem, mas também do autor – diante do todo. Olhos de sal – que dá ponto final à Trilogia do Não-lugar e da qual fazem parte Poeira fria (2012) e Esquina da minha rua (2018) – é o retrato certeiro desse impasse, o impasse beckettiano, em que a paralisia toma corpo como um movimento em falso – como se acometido da Síndrome de Bartleby, em que é sempre “melhor não” – e revela uma experiência realista de ascensão e queda, porém, disfarçada de uma normalidade acachapante.


Sob esse prisma, Olhos de sal se apresenta como uma novela sobre o esgotamento e o silêncio cuja materialização é a fotografia do solitário que Machado apresenta logo de cara. E é também uma narrativa-limite sobre gente em trânsito, personagens que viajam e, ao mesmo tempo, permanecem no mesmo lugar, estancadas pela inércia. São absurdos velados, escondidos embaixo do fino verniz das emoções contidas –cujos escombros revelam um grande desespero – e da cortesia provinciana tão típica de um mundo de moralismo banalíssimo.


Quem sabe isso explique o porquê Carlos escolhe sempre os inomináveis como personas, como se atualizasse os merdunchos do João Antônio. A partir do que há de mais simples e mais rasteiro – no bom sentido – que seus textos atingem a imensidão: é no olhar sobre o singelo que o magnífico aparece. É o tal não ser nada e ter todos os sonhos do mundo que dizia o Pessoa.


Olhos de sal é, antes de tudo, uma experiência literária por meio de écfrases e da transversalidade com as artes visuais. É um caminho que coloca o autor em contato com a vanguarda literária europeia – e citamos aqui Vila-Matas, Patrícia Portela e José Luís Peixoto – para se juntar a nomes brasileiros, como Reginaldo Pujol Filho e Veronica Stigger, que têm oxigenado a produção tupiniquim na última década.


Ao fim e ao cabo, a obra literária de Carlos Machado é um contraponto à devastação, um diálogo constante com o outro, não em um gesto mecânico de uma empatia já esperada, mas na certeza do entendimento que, diante do abismo, somos todos iguais.


CARLOS MACHADO nasceu em Curitiba, em 1977. É escritor, músico e professor de literatura. Publicou os livros A Voz do outro (contos 2004, 7Letras), Nós da província: diálogo com o carbono (contos2005, 7Letras), Balada de uma retina sul-americana (novela 2006, 7Letras), Poeira fria (novela2012, Arte & Letra), Passeios (contos 2016, 7Letras), Esquina da minha rua (novela 2018, 7Letras) e Era o vento (contos 2019, Ed. Patuá). Tem contos e outros textos publicados em diversas revistas e jornais literários (Revista Oroboro, Revista Ficções, Revista Ideias, Revista Philos, Revista Arte e Letra, Jornal Rascunho, Jornal Cândido, Jornal RevelO etc.), participou das antologias 48 Contos Paranaenses, organizada por Luiz Ruffato e Mágica no Absurdo, organizada para o evento Curitiba Literária 2018, curadoria de Rogério Pereira, além de outras antologias de contos. Integrou a lista de finalistas do concurso Off Flip 2019 com o conto Renúncia. Tem 6 CDs autorais lançados.

25 de novembro de 2020

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