Araújo critica embaixador chinês antes de dizer que posição de Eduardo não representa o governo

“O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha, não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo”, declarou o ministro

Crédito: Adriano Machado

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou o embaixador da China no Brasil por ter retuitado em sua conta o comentário de um seguidor que chamava a família Bolsonaro de veneno, antes de dizer que as posições do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, não refletem as do governo brasileiro.


Em uma nota divulgada em sua conta no Twitter, Araújo concentra o texto em críticas aos chineses.


“As críticas do deputado Eduardo Bolsonaro à China, feitas também em postagens ontem à noite, não refletem a posição do governo brasileiro. Cabe lembrar, entretanto, que em nenhum momento ele ofendeu o chefe de Estado chinês. A reação do embaixador foi, assim, desproporcional e feriu a boa prática diplomática”, escreveu Araújo.


O embaixador apagou o retuíte antes da nota do chanceler.


Ao compartilhar uma sequência de tuítes que indicavam a maneira que a China tratou o início da epidemia de coronavírus, Eduardo escreveu que a China era responsável pela epidemia por esconder informações, ações típicas de uma ditadura.


A embaixada da China reagiu em sua conta no Twitter e na conta pessoal do embaixador, exigindo um pedido de desculpas e afirmando que Eduardo repetia a ações de seus “amigos” norte-americanos, além de dizer que o deputado havia contraído um “vírus mental” durante a viagem a Miami.


Araújo afirma ainda que já comunicou ao embaixador a “insatisfação do governo brasileiro com seu comportamento”, mas acrescenta que irá conversar com Eduardo e com o próprio embaixador para promover um “reentendimento recíproco”.


De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o tuíte de Eduardo causa estupefação dentro do Itamaraty, mas a ordem até agora era silêncio total. O próprio Eduardo se manteve afastado da rede social desde a noite de quarta-feira, quando normalmente é extremamente ativo nas redes pela manhã.


Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o vice-presidente Hamilton Mourão, que é presidente do Conselho Sino-brasileiro, também disse que a fala de Eduardo não representa o governo brasileiro.


“O Eduardo Bolsonaro é um deputado. Se o sobrenome dele fosse Eduardo Bananinha, não era problema nenhum. Só por causa do sobrenome. Ele não representa o governo”, disse à Folha.


Fonte: Reuters.

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