Bolsonaro deixa isolamento e participa de manifestação

Presidente deve realizar novo teste para coronavírus



O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ignorou orientações dadas por ele mesmo na semana passada, ao estimular e participar no domingo (15) dos protestos pró-governo sem nenhuma preocupação com a crise do coronavírus.


Bolsonaro incentivou os atos desde cedo em suas redes sociais e, sem máscara, participou das manifestações em Brasília, tocando simpatizantes e manuseando o celular de alguns apoiadores para fazer selfies. “Isso não tem preço”, disse, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais.


Neste domingo, ocorreram manifestações em diferentes pontos do país com gritos de guerra e faixas em defesa do governo federal e com uma série de ataques ao Congresso e ao STF (Supremo Tribunal Federal).


Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada no final da manhã e, de carro, percorreu diferentes pontos de Brasília até entrar no Palácio do Planalto, de onde, do alto da rampa e sob os gritos de ‘mito’, acenou aos manifestantes.


Sem máscara, desceu a rampa em seguida e passou a esticar o braço para tocar nos manifestantes, separados por uma grade. Bolsonaro permaneceu por cerca de uma hora interagindo com apoiadores.


Havia no local várias pessoas idosas, consideradas grupo de risco da nova doença e com taxa de mortalidade maior. Na semana passada, quando pediu que seus seguidores não comparecessem às manifestações por causa do coronavírus, Bolsonaro citou o risco de contágio em ambientes com muitas pessoas.


Adversário político de Bolsonaro, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou o estímulo e a participação do presidente nos atos. Para o tucano, Bolsonaro foi “inadequado no ato e impróprio na atitude”.


Ao se aproximar de manifestantes no Planalto, Bolsonaro também contrariou orientação da equipe médica da presidência. Ele havia sido aconselhado a evitar locais com aglomeração.


Bolsonaro realizou o teste do coronavírus após saber que o chefe da Secom, Fabio Wajngarten, foi contaminado pelo Covid-19. O resultado deu negativo para o presidente, mas a expectativa é que ele faça dois novos exames, seguindo parte do protocolo da Operação Regresso (que trouxe 34 brasileiros que estavam em Wuhan, na China). Esse é o período de incubação do vírus.


Ao longo dos últimos dias, o Ministério da Saúde deu recomendações diferentes sobre aglomerações durante a crise sanitária. Em um primeiro momento, a pasta disse que era preciso evitar eventos em locais fechados, mas que não havia orientação semelhante para atos em espaço aberto.


Na sexta-feira (13), o ministério sugeriu que estados avaliassem junto com organizadores a possibilidade de adiar ou cancelar eventos de massa. No sábado (14), acrescentaram que essa recomendação só vale para áreas com transmissão local do vírus -o que não é o caso de Brasília.


Há no Distrito Federal seis casos confirmados do Covid-19, além de 107 suspeitos. Para o Brasil, os números são 121 e 1.496, respectivamente.


Neste domingo, quando Bolsonaro começou a cumprimentar seguidores do alto da rampa do Planalto, havia poucos apoiadores no local. Pessoas que estavam já deixando o ato na Esplanada dos Ministério, no entanto, se dirigiram ao palácio com a notícia da presença do mandatário.


Além de palavras de ordem defendendo o governo Bolsonaro, os presentes atacaram o Congresso e o STF. Foi possível ouvir xingamentos contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pedidos de intervenção militar e o grito “foda-se” -numa referência a um áudio do ministro Augusto Heleno (Segurança Institucional), que acusou o Congresso de chantagear o Planalto.

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