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Correios poderão entrar em greve a partir desta terça

Categoria fará assembleias a partir das 22 horas



Os trabalhadores dos Correios de todo o Brasil poderão entrar em greve a partir das 22h desta terça (3). No Paraná, serão realizadas assembleias em todas as regiões do Estado. A direção dos Correios, sob o comando de militares da reserva, vem descumprindo o que foi decidido pelo TST e reajustou em quase 100% as mensalidades e coparticipação no plano de saúde, além de realizar perseguições políticas e demissões injustificadas.


O Acordo Coletivo dos trabalhadores dos Correios foi julgado no dia 2 de outubro do ano passado, mas a direção da Empresa, por manobras administrativas e jurídicas, conseguiu liminar no STF, descumprindo a decisão do TST.


Após conseguir a expulsão dos pais no Plano de Saúde, a direção da estatal vem forçando os funcionários a desistirem da assistência médica, por meio de cobranças de mensalidades e coparticipação de consultas e procedimentos que chegam a ultrapassar R$ 1.000, descontados diretamente nos contracheques, desde o início de janeiro. O salário médio é de R$ 1.757. O direito ao atendimento para os pais que estavam em tratamento também tem sido negado, inclusive, com a exclusão de idosos que realizavam quimioterapias, diálises e tinham cirurgias já agendadas.


A greve também é motivada pela ameaça de privatização dos Correios, com risco de 40 mil demissões. Mais da metade dos trabalhadores da estatal são carteiros, 62% tem mais de 40 anos e a maioria não possui formação superior.


O sucateamento da estatal com o fechamento contínuo de diversas agências é outro fator para o movimento paredista. Frota e instalações precárias, falta de água e limpeza nos centros de distribuição e agências, transferências compulsórias de funcionários para locais distantes da residência, inclusive para outras cidades. O último concurso foi realizado em 2011 e se estima um déficit de 20 mil funcionários. As terceirizações de mão de obra são feitas de forma precária, com baixos salários, falta de treinamento e alta rotatividade o que vem comprometendo a qualidade dos serviços prestados por esses profissionais.


“Faz duas décadas que estamos abrindo mão de reajustes reais nos salários para mantermos nosso plano de saúde. Agora, querem nos retirar esse direito e também nossos empregos com a privatização. Quem vai sofrer mais será a sociedade que vai se ver isolada de serviços de entregas, sem poder pagar por tarifas praticadas pela inciativa privada e, ainda, tendo que se deslocar para outras cidades para poder receber um benefício social”, esclareceu Dadal (Adaílton Cardoso), secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Paraná.

23 de novembro de 2020

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