Bolsonaro volta a atacar imprensa e diz que mídia está à esquerda do PT

O presidente afirmou nesta quarta-feira (19) que a mídia brasileira “está à esquerda do PT”

Adriano Machado/ Reuters

Depois de ser duramente criticado por declarações feitas contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a imprensa em conversa com apoiadores, na manhã desta quarta-feira, afirmando que a mídia brasileira está “à esquerda do PT”.


Ao sair do Palácio da Alvorada, Bolsonaro ignorou os jornalistas, mas conversou com alguns poucos partidários que o esperavam.


“Que imprensa nós temos no Brasil... Podia logo a imprensa ser um partido político. Ia ficar à esquerda do PT”, disse Bolsonaro a um apoiador que, na conversa, criticava a reação das associações de imprensa às falas do presidente na véspera.


Em seguida, quando comentava com outra apoiadora a situação da educação no Brasil, Bolsonaro disse que as escolas ruins levavam a formação de “jornalistas incompetentes”, apontando para o grupo de repórteres que o esperava em frente ao Alvorada.


Na terça-feira, ao falar com repórteres também no Alvorada, Bolsonaro atacou a jornalista, responsável por uma série de matérias, em 2018, que mostraram o disparo em massa de mensagens de WhatsApp em benefício de sua campanha eleitoral.


“Ela (a jornalista) queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, disse Bolsonaro na terça-feira a um grupo de simpatizantes que acompanhava a entrevista.


A declaração foi uma repetição de ataques à jornalista que têm sido feitos por apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais desde que o ex-funcionário de uma das empresas responsáveis pelos disparos, Hans River, afirmou à CPI das Fake News —sem ter apresentado qualquer prova— que a jornalista teria feito uma insinuação sexual para ele com o objetivo de obter informações.


Posteriormente, a Folha publicou longa reportagem mostrando o histórico de contatos entre os dois contradizendo as afirmações de Hans.


O ataque de Bolsonaro causou forte reação das entidades de jornalistas, incluindo a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), além de respostas da Ordem dos Advogados do Brasil, diversos partidos políticos e também parlamentares.


Fonte: Reuters.

28 de outubro de 2020

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