Edição 98 de “Os Trovadores”


A edição 98 de “Os Trovadores” composta por diversas trovas, além de material informativo de interesse geral (Oficina de trova e reunião mensal, etc.), marca o reinício de nossas atividades em 2020 e tem por finalidade dar continuidade à trajetória de sucesso dos boletins antecessores. Para tanto, queremos continuar contando com a confiança, o prestígio e a colaboração dos trovadores e admiradores da trova, quer no envio de material para divulgação, quer na leitura de trabalhos publicados.


Manifestamos votos de que os projetos idealizados para este novo porvir sejam plenamente realizados. Eis que iniciamos o ano com inúmeros desafios e novas responsabilidades. O nosso muito obrigado a todos aqueles que proporcionaram condições para o desenvolvimento desta edição. Desejamos uma leitura que seja inspiradora de uma reflexão frutífera.


Andréa Motta


Homenagem Póstuma à Sara Furquim


“Faleceu neste último dia 10 de janeiro de 2020, sexta feira, aos 101 anos, na cidade de Rio Branco do Sul, a dona "SARA" FURQUIM, a Delegada até então, mais velha em atuação, da UBT - União Brasileira de Trovadores.


Dona Sara, professora e trovadora, com toda sua humildade, muito fez pela sua cidade nobre do calcário, Rio Branco do Sul, na área da educação, cultura, social e política. Sua história é uma das artes mais elevadas da vida - a formação de pessoas, o incentivo ao conhecimento, a dedicação na educação. Vale a pena conhecer sua história”. (Nei Garcez)


E porque vale a pena conhecer sua história, peço licença aos leitores, para transcrever matéria publicada no Jornal Gazeta do Povo, bem como, o texto de homenagem a ela prestada pela UBT-Curitiba, por ocasião da comemoração de seu centenário de vida.


Aos 100 anos a paranaense Sara Furquim escreve, costura e esbanja juventude. (Por "Raquel Derevecki”, em 01 de fevereiro de 2019"). “A centenária mora em Rio Branco do Sul, a 50 quilômetros de Curitiba, e relembra histórias do seu tempo de criança, estudante, professora e vereadora da cidade"


"Aos 100 anos recém completados, Sara Furquim ainda costura, caminha pela casa sem precisar de ajuda, prepara doces caseiros e escreve inúmeros poemas – ou trovas – que descrevem seus dias e pensamentos em quatro versos. A centenária – que mora em Rio Branco do Sul, a 50 quilômetros de Curitiba – também ama ler, atender visitas e contar histórias que viveu quando criança, estudante, professora e vereadora da cidade."


"Sentada na sala de estar do casarão da família, localizado no alto da Travessa Furquim, próximo à entrada do município, a moradora revive algumas dessas lembranças. “Nasci em 1918, ano da gripe espanhola. Minha mãe [Josephina Faria Furquim] contava que morreram tantas pessoas que os corpos eram levados em lençóis porque não dava nem tempo de preparar caixão para todos”. A matriarca também foi infectada pelo vírus influenza, causador da pandemia. “Ela disse que caiu todo o seu cabelo e que precisou me tirar do seio com menos de dois meses de vida para sobrevivermos”, relata a idosa.


A gripe passou e levou com ela mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, mas Sara permaneceu saudável para contar essa história e muitas outras de sua infância. “Passei tanta coisa boa naquela época, e um fato que não esqueço foi quando peguei um cachorrinho na rua e trouxe para casa. Mamãe deixou eu ficar com ele e até fez uma casinha. Pena que o pai não aceitou e tive que dar o bichinho”, recorda ao balançar a cabeça e fixar os olhos à parede da casa, reconstruindo na memória cada detalhe vivenciado naquele dia.


O casarão amarelo de dois andares e 250 metros quadrados que até hoje é o lar da professora foi construído por seu pai, Octávio Furquim, no ano de 1928. Na época, ele era dono de uma empresa de ônibus de viagem – ou lotações, como eram chamadas – e atuava na linha entre o município de Cerro Azul, no interior do Paraná, e a capital. A viagem de quase 120 quilômetros demorava dois dias e o empresário decidiu construir o imóvel para servir de pousada aos passageiros que atendia. Até hoje os quartos são numerados. Além disso, a localização é privilegiada pois, a poucos metros da casa amarela ficava a linha férrea.


Ao apontar a direção dessa antiga estrada de ferro, várias lembranças vêm à mente de Sara. Por ali, passaram os vagões de trem que ela usava para chegar à capital em busca de conhecimento. “Meu pai não queria que eu estudasse porque lugar de menina era em casa, mas minha mãe tinha o sonho de me ver como professora, lutou por isso e o convenceu. Ela até me deu o nome de Sara porque era curto e fácil para os alunos decorarem”, afirma.


Sara estudou em Rio Branco do Sul até a terceira série do ensino primário – grau máximo oferecido na cidade – e continuou a vida escolar em Curitiba. Na “cidade grande”, a jovem morou na casa de uma família, perto da Praça 19 de Dezembro, no centro. “Da janela da sala eu via a praça inteira e lembro o dia em que avistei lá longe uma pessoa com uma cestinha. Percebi que era minha irmã Maria Luiza, que tinha ido sozinha até a cidade só para levar um pão especial que a mãe tinha feito para mim. Foi muito bom”.


Sara estudou no Instituto de Educação de Curitiba, no coração da cidade. Ali, completou o ensino secundário – hoje, o ensino médio – e teve professores como Erasmo Pilotto, que hoje dá nome à instituição, e Helena Kolody, uma das poetisas mais importantes do Paraná. “Sempre gostei de estudar e, quando me preparei para o exame de admissão [prova escrita e oral obrigatória para estudantes que buscavam vaga no ensino secundário], lembro que eu acordava cedo e sentava no banco da rua para revisar o conteúdo usando a luz do poste”.


Tempos de professora


A dedicação de Sara lhe garantiu o diploma do Magistério e o emprego de professora em sua cidade natal. Ali, começou a lecionar com aproximadamente 18 anos, e foi nomeada ao cargo pelo governo do estado aos 21. “Trabalhei muito tempo dando aulas nos três turnos, e sempre ia e voltava à pé”, relata a educadora, que sente saudades da antiga sala de aula. “Esses dias eu até sonhei com minha classe.”


Segundo ela, as crianças sentavam em carteiras duplas, eram muito educadas e precisavam pegar uma pequena tábua com a escrita “licença” antes de sair da sala. “Essa tabuinha ficava em cima da minha mesa e garantia que só um aluno saísse por vez”. Detalhes como o balde de água disponível para os alunos beberem e a caneca utilizada pelos estudantes para encher os copos também são lembranças que a professora Sara guarda com carinho em sua memória.

“No começo, essa caneca era a casca do coco amarrada em um cabo meio torto”, conta, sorrindo.


A infraestrutura precária não impedia a professora Sara de desempenhar seu trabalho. Em pouco tempo, ela inaugurou o primeiro Jardim de Infância da cidade e também a primeira Biblioteca Pública, que renderiam muitas histórias de sucesso no futuro. Um de seus alunos, por exemplo, se tornou um cartógrafo mundialmente conhecido e até convidou a professora para acompanhá-lo em um evento na Organização das Nações Unidas (ONU), nos Estados Unidos.


Fora da sala de aula


Além de professora, dona Sara também passou pela Câmara Municipal de Vereadores como a primeira mulher eleita para o cargo na história de Rio Branco do Sul. Nos quatro anos em que representou a população, criou o ponto de ônibus coberto e conseguiu a aprovação de alguns projetos. Mas a profissão a decepcionou e ela não tentou a reeleição.


Ela conta que também pensava em ser médica, mas seu trabalho e a atenção que dedicava à família não permitiram a realização desse sonho. Por isso, ela incentivou o irmão caçula, Benedito Furquim Neto a estudar Medicina e o ajudou financeiramente até ele conseguir exercer a profissão.


Ela lembra da boa relação que teve com seus outros irmãos: Maria da Luz, Jeová e Angélica e reforça a proximidade com Maria, que faleceu aos 33 anos devido à nefrite, doença grave que afeta os rins e não tinha cura.


“Nunca fui hospitalizada, mas dormi muitas vezes em um hospital para cuidar da Maria da Luz. Ela era professora e morreu noiva, aguardando o casamento”, recorda a idosa. Assim como a irmã, Sara também ficou noiva, mas nunca se casou. “Ele era telegrafista e, depois que me pediu em casamento, foi trabalhar em Paranaguá. Nos correspondíamos por carta e um dia ele disse que me levaria para morar com ele. Só que eu não podia deixar minha irmã e nem minha mãe, que também não tinha muita saúde”.


Outro homem também tentou pedir Sara em casamento, mas dessa vez, a família não aprovou a união. “Falei com papai e, no dia em que o moço veio pedir minha mão, o pai se escondeu na

casa dos fundos e só saiu tarde da noite, quando o visitante desistiu. Acabei não me casando depois”, diz a idosa.


Sara, então, encontrou companhia na literatura e passou a expressar seus sentimentos por meio de trovas de sua autoria. Os versos eram escritos em inúmeras cadernetas – que até hoje estão guardadas – e falam sobre amor, fé, amizade e família. Um resumo de todos os pensamentos da centenária.


“O amor quando é verdadeiro no peito em que faz guarida principalmente o primeiro deixa marca em nossa vida” (Sara Furquim)


Sara já escreveu mais de 300 trovas, faz parte da União Brasileira de Trovadores e até hoje dedica alguns momentos à obra poética. Mas foi o trabalho como professora que a tornou conhecida em Rio Branco do Sul, onde é convidada para dezenas de eventos, sempre com honras. “Só que agora estou ficando mais em casa por causa da dor nas costas e nos joelhos. É que estou ficando velha”, brinca a professora, que comemorou seus 100 anos em uma festa com a presença de 200 convidados em dezembro de 2018.


“Feliz aquele varão que leva a vida com fé e perdoa seu irmão porque sabe que Deus é” (Sara Furquim)"


Homenagem da UBT-Curitiba por ocasião da comemoração do Centenário de Sara Furquim.


Em uma das suas trovas, diz Dona Sara: “A vida é um mar de rosas/Legando beleza e olor,/às criaturas bondosas,/que sabem semear o amor”. Sem dúvida, a semeadura do amor, é o seu o maior legado!


Dona Sara todos sabem é uma mulher de fibra, cuja trajetória é marcada pela coragem e verve poética. Professora que fez da sua intuição a bússola a indicar o caminho preciso para alcançar o objetivo, não apenas de instruir, mas de verdadeiramente educar... e por isso, é respeitada por todos. Mas, é muito mais do que isto! Sempre foi destemida e ousada, demoliu preconceito, rompeu limites para mostrar ao mundo suas verdadeiras emoções.


Indiscutivelmente, uma das mais ilustres Paranaenses, que dá continuidade à heroica caminhada das mulheres que deixam suas marcas na aquarela do tempo em construção. Uma das mais idosas trovadora do Brasil na ativa, é um orgulho para nós seus amigos, para a União Brasileira de Trovadores Seção Paraná, Curitiba e Brasil (de quem somos portadores de um abraço especial). Termino desejando que sua caminhada seja sempre iluminada e plena de amor e, com uma trova de Vânia Ennes: “ Um, dois três... vinte, /cem anos de convívio e de amizade, /sem decepções, desenganos,/é ser feliz de verdade! Receba nosso carinho e admiração! (Andréa Motta)


Trovas de sua autoria:


Enquanto a chuva lá fora derrama águas no chão lembranças de amor de outrora inundam meu coração.

*

A vida é um mar de rosas Legando beleza e olor, Às criaturas bondosas,

Que sabem semear o amor.

*

Na vida, em todo o momento, O amor, a Fé e o perdão, Resumem o investimento

Na Glória da Salvação.

*


Algumas Trovas em Homenagem à Sara Furquim – Ao completar 100 anos.


Parabéns, ó Mestra Sara, pelos 100 anos de vida dando, a Rio Branco,

rara cultura tão merecida!

Nei Garcez


Se Deus te deu longa vida, minha amiga centenária,

deu-te ELE, também, querida, missão nobre, intensa e vária! Carolina Ramos


Nossa UBT Nacional, com trombetas e clarim, festeja, com meu aval,

nossa irmã Sara Furquim!

Domitilla B. Beltrame


Dona Sara chega aos cem qual se fosse uma menina.

- Para quem só faz o bem, a vida jamais termina.

A. A. de Assis


Com cem anos, segue assim:

faz trova a qualquer horário... Parabéns, Sara Furquim,

pelo seu Aniversário !!!

Ari de Campos


Consultando os meus arquivos, Sara, entendi no final...

Que és imortal entre os vivos, e és nossa eterna imortal!

Prof. Garcia


II – Concurso de Trovas da Cidade de Curitiba


1. Do Tema. - Trovas líricas ou filosóficas


Âmbitos Nacional/Internacional: Inclusão Social (Brasil e demais países de língua portuguesa);

Âmbito Estadual: Cidadania;

Âmbito Estudantil: (Ensino Fundamental e Médio): Não Violência;

1.1. - A expressão ou palavra tema não precisa constar do corpo da trova.

1.2. - Nos âmbitos Nacional/internacional e Estadual, serão contemplados trovadores das categorias Novo Trovador e Veterano.

1.2.1. - Será considerado Novo Trovador aquele trovador que não obteve até a divulgação deste regulamento, 03 (três) classificações em concursos de trova oficiais da UBT em nível nacional.


2 - Modo de Envio. – As trovas deverão ser no máximo 02 (duas) por participante, inéditas, de autoria do próprio remetente e, enviadas: – Por sistema de envelopes, ou – Por e-mail.


2.1. - Pelo sistema de envelope, deverá constar no envelope pequeno o âmbito e a categoria pela qual concorre o trovador. As trovas deverão ser digitadas ou datilografadas. Não serão aceitas Trovas manuscritas, mesmo que sejam em letra de forma, tampouco envelopes coloridos.

2.2. - Por e-mail, devem ser encaminhadas aos cuidados do Fiel depositária do presente Concurso, o trovador Jerson Brito. Não serão aceitos anexos. As trovas, bem como, a

categoria pela qual concorre o trovador deverão constar no corpo do e-mail.

2.3. – É obrigatória a informação pelo participante, sob pena de desclassificação, do nome e endereço postal completo (inclusive CEP, Telefones e e-mail se houver).


3. - Endereço para remessa: 3.1.: Todos os âmbitos e categorias - Sistema de envelopes:


II Concurso de Trovas Cidade de Curitiba

A/C Centro de Letras do Paraná.

Rua Fernando Moreira, 370. Centro.

CEP 80.410-120. Curitiba – Paraná.

3.1.1.: Para todas as categorias âmbito nacional/internacional/estadual e estudantil, deverá

constar no envelope como remetente Luiz Otávio, e o mesmo endereço do destinatário.

3.2.: Todos os âmbitos e categorias - Por E-mail: As trovas deverão ser encaminhadas para:

jersonbrito.pvh@gmail.com


4. Do Prazo


Todos os Âmbitos: Serão consideradas as trovas que chegarem até 31/05/2019.


5 – Da Premiação


A premiação acontecerá no mês de setembro de 2020 em data, local e horário a ser definido.

5.1. – Será concedido Diploma para todos os classificados.

5.2. - A UBT-Curitiba não se responsabilizará por quaisquer despesas de locomoção e/ou hospedagem dos classificados para o recebimento da premiação.


6. - Da Comissão Organizadora


6.1 A Comissão Organizadora resolverá os casos omissos e suas decisões serão definitivas e irrecorríveis.

6.2 As trovas remetidas em desacordo com qualquer item, serão eliminadas automaticamente do concurso.

6.3 A simples remessa das trovas significa total conhecimento e completa aceitação deste Regulamento.


Maiores informações pelo e-mail: ubtctba@gmail.com

Ou pelo telefone (41) 99787-9485


Agende !


03 de março de 2020, às 17h homenagem à memória de Maurício Norberto Friedrich A União Brasileira de Trovadores Seções Paraná e Curitiba, em parceria com o Centro de Letras do Paraná, Academia Paranaense da Poesia e Academia de Cultura de Curitiba (ACCUR), realizarão sessão conjunta em homenagem à Memória de Maurício Norberto Friedrich, no próximo dia 03 de março de 2020, às 17 horas, no auditório do Centro de Letras do Paraná, sito à Rua Professor Fernando Moreira, 370, centro. Participe traga a sua homenagem.


Em cada estrada que sigo

não vejo caminho vão;

nelas encontro um amigo

que sempre me estende a mão


Maurício N. Friedrich


Reunião Mensal e Oficina de Trovas

Informamos que nossas atividades culturais retornarão em Março de 2020, respectivamente nos dias 19 (Oficina de Trovas com o tema: Maurício e Sara: Trova da “hora”) e 21 (Reunião Mensal – Tarde com Trovas), esperamos contar com suas presenças.


Anuidade

A anuidade da UBT-Curitiba continua no valor de R$ 200,00 (duzentos reais), é imprescindível que a quitação seja efetivada para que possamos realizar nossas iniciativas.

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