Em Sundance, Ai Weiwei conta a história de estudantes desaparecidos no México

'Vivos' traz depoimentos dos pais dos 43 estudantes que sumiram no interior do país, em 2014; artista chinês conversou com o 'Estado' sobre o trabalho

O artista dissidente chinês Ai Weiwei já construiu uma trajetória no cinema, usando documentários para explorar questões relacionadas aos direitos humanos, opressão e violência. No Festival de Cinema de Sundance, que termina neste domingo, 2, ele apresentou sua nova empreitada nas telas, Vivos, um filme com a cara da Mostra de Cinema de São Paulo.


O filme conta os efeitos que um episódio de violência causou em famílias mexicanas desde 2014. Em setembro daquele ano, 43 estudantes da escola rural Ayotzinapa, em Iguala (a 130 km da Cidade do México), desapareceram depois que policiais e criminosos abriram fogo contra ônibus em que os garotos estavam. Outros seis morreram na hora. Os 43 desaparecidos nunca foram encontrados.


Apesar de uma investigação governamental ter entregue uma suposta "verdade histórica", o caso se tornou uma marca da impunidade no México e força motriz de um movimento criado pelos familiares das vítimas, que se reúnem na capital do país com frequência, cobrando explicações. Muitos dos pais acreditam que seus filhos ainda estão vivos.


Para eles, a versão oficial do governo anterior não condiz com a verdade e foi criada para amenizar o envolvimento de autoridades e policiais no desaparecimento, bem como para encobrir crimes contra a humanidade. A investigação oficial, realizada no governo de Enrique Pena Nieto, dizia que membros de gangues locais confessaram queimar os 43 corpos em um lixão depois de serem instruídos pela polícia a assassinar os estudantes. Mas times de especialistas internacionais, alguns dos quais presentes em Vivos, contestaram a versão após identificar diversas irregularidades no caso, incluindo confissões obtidas sob tortura, prisões ilegais e ausência de provas físicas.


A maior parte de Vivos foi filmada antes de o novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, criar uma nova comissão especial e reabrir a investigação. Mesmo assim, 2019 viu pouco progresso no caso.


Foto: Link

Fonte - TERRA: Link

30 de outubro de 2020

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