Lava Jato prende ex-chefe de gabinete de Richa

Ex-governador também foi preso nesta terça-feira em outra operação

A 53ª fase da Operação Lava Jato prendeu nesta terça-feira (11) o ex-chefe de gabinete do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), Deonilson Roldo e o empresário Jorge Theodócio Atherino, apontado como ``operador financeiro´´ de Richa; e Tiago Correia Adriano Rocha, indicado como braço-direto de Jorge. Eles foram presos por suspeita de pedir propina em licitação de obra na PR-323, em 2014.

As prisões ocorrem no mesmo dia em que o próprio Beto Richa foi preso, juntamente com outros ex-secretários, em outra operação, desencadeada pelo Gaeco de Curitiba, que investiga fraudes em licitações em "patrulhas rurais". Entre os secretários foram presos a esposa do ex-governador, Fernanda Richa, e o irmão dele, José Richa Filho.

De acordo com o delegado da Polícia Federal, que atua na Operação Lava Jato, Felipe Ayashi, foram realizados outros pedidos de prisão preventiva, mas o juiz Sérgio Moro, entendeu que por hora seriam necessárias apenas as três prisões.

Roldo e Atherino tiveram prisões preventivas decretadasm enquanto Rocha teve prisão temporária. "Interceptações telefônicas demonstraram que Deonilson Roldo está atualmente coordenando de forma oculta a campanha de Beto Richa, enquanto Jorge Atherino continua usando suas empresas para movimentação expressiva de valores sem origem identificada. Além disso, constatou-se o emprego de sofisticados métodos de lavagem de dinheiro, envolvendo contas no Brasil e no exterior", afirmou o procurador Diogo Castor de Matto.

A denúncia do MPF aponta que Roldo teria pedido R$ 4 milhões de propina à Odebrecht, para que a empresa ficasse com a obra de duplicação da PR-323, entre os municípios paranaenses de Francisco Alves e Maringá. Para que a empreiteira ficasse com a obra, o ex-chefe de gabinete teria feito uma interferência pessoal junto à empresa Contern, também interessada na obra.

A denúncia diz que Roldo reuniu-se com o executivo da Contern, Pedro Rache, no Palácio Iguaçu, em fevereiro de 2014. No encontro, gravado por Rache, o ex-chefe de gabinete informou ao empresário que tinha “compromissos” com a Odebrecht e solicitou que a empresa não apresentasse proposta para a obra na PR-323. Roldo vinculou a desistência da licitação a interesses do Grupo Bertin, que controlava a Contern, na Copel, empresa de energia elétrica do estado do Paraná.

Após diversos adiamentos dos prazos de entrega das propostas, finalmente, em 25 de março de 2014, o Consórcio Rota das Fronteiras, composto pela Odebrecht, Tucumann, Gel e America foi o único a fazer proposta na licitação. Sagrou-se, assim, vencedor da concorrência pública. O contrato foi assinado em 5 de setembro de 2014.

O pagamento da propina, de acordo com a Polícia Federal, pode ser comprovado após perícia no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. "Foram identificados registros de cinco pagamentos das propinas , que totalizaram R$ 3,5 milhões, entre os meses de setembro e outubro de 2014. Os endereços de entrega eram no município de São Paulo", afirma o delegado Ayashi.

Por meio de uma série de documentos, quebras de sigilo bancário e fiscal, quebra de sigilo telefônico e de outras provas coletadas durante a investigação, identificou-se que os pagamentos foram feitos mediante técnicas de lavagem de dinheiro. Parte dos valores foi depositada, em espécie e de modo fracionado, em contas de Deonilson Roldo e de sua empresa, Start Agência de Notícias. Outra parte dos valores teria sido destinada à realização de depósitos, também em espécie e fracionados, em contas de Jorge Theodocio Atherino, suas empresas e associados.

"A movimentação dos valores caracteriza que houve o crime de corrupção, ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro. O crime de caixa 2 é apenas uma desculpa, na tentativa de fugir de acusações mais graves", afirma o procurador Castor de Mattos.

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