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Uruguai: Montevidéu e vinhos para se surpreender

Três dias são suficientes para conhecer os principais pontos

Temos que concordar com José Alberto Pepe Mujica, ou simplesmente Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, de 2010 a 2015, e adorado pela maioria do povo. “Somos um país decente”, disse ele. Decente, limpo e organizado. Essa é a impressão que se tem quando se visita a capital Montevideo.

A cidade é acolhedora e pequena. Por isso, três dias são suficientes para você conhecer os principais pontos turísticos: o Teatro Solis, o Palácio Legislativo, a Catedral Metropolitana, a Praça Independência, a Cidade Velha, Pocitos, o Palácio Salvo, a Rambla (avenida litorânea) de Montevideo. Em meio a esse roteiro, inclua uma ida ao Mercado Del Puerto para experimentar o churrasco feito na Parrila um sistema de grelhas móveis criado pelos uruguaios e usado para assar carnes

É fácil encontrar Parrilada em vários pontos de Montevidéo, mas no Mercado Del Puerto estão as melhores opções e a carne vem acompanhada do “burburinho” típico da descontração, alegria e amizade das pessoas que lotam os restaurantes, como se estivessem em casa.

Se a sua estadia incluir um dia de domingo, não tem como fugir da Feira Tristán Narvaja, que já acontece há mais de cem anos todos os domingos na capital e é uma espécie de mercado de pulgas onde se vende de tudo, desde frutas e legumes até antiguidades e quinquilharias.

Vinho para brindar a vida

Além dos belos passeios que você pode fazer, com certeza uma grande atração da viagem ao Uruguai é o vinho. A partir da capital, as opções de vinícolas que você pode visitar e degustar os melhores vinhos do hemisférios sul são muitas. A mais próxima de Montevideo, que permite ir e voltar no mesmo dia, é a Bodega Bouza, na área rural e que fica a apenas 15 quilômetros da cidade. Faça reserva um dia antes para garantir a visita guiada.

Logo na chegada, você vai se surpreender com o salão de degustação, o Bouza Vinos Garage. É primoroso. Muito bem decorado e guarda a coleção de motos e carros antigos do proprietário da Bodega. É uma volta ao passado com o sabor contemporâneo do vinho.

Na degustação, são servidos quatro tipos: um branco e três tintos, acompanhados de petiscos que combinam com cada um. Ao experimentar os vinhos e comer os petiscos, é possível perceber a nuance e o sabor de cada ingrediente. É como se a bebida abraçasse a comida.

Visita guiada

A bodega é familiar e você pode ver isso nos detalhes e cuidados depositados em cada canto. A começar pelos parreirais. Em cada pé de uva são colocadas pedras que refletem a luz do sol. Um componente essencial para uma correta e saborosa maturação das frutas.

Nos parrerais da propriedade, são produzidas as variedades Pinot Noir, Chardonnay, Riesling, Merlot, Tempranillo e Tannat, típica do Uruguai. A colheita é manual para que as uvas sintam o calor e o carinho das mãos que as manuseiam e as colocam para maturar entre seis e 18 meses em tonéis de roble americano e francês. Depois, o vinho é engarrafado sem a utilização de filtros e repousa por seis a 12 meses em condições controladas.

Saciado o conhecimento sobre o processo de produção que o guia vai explicando com muita calma e propriedade, é hora de degustar tudo o que se aprendeu.

Você pode continuar no espírito do entendimento das coisas boas, indo almoçar no restaurante onde se mistura uma biblioteca, uma lareira e na parede de vidro, apreciar um casal de pavão. Parece meio exótico e sem sentido juntar tudo isto, mas o clima nos remete a uma experiência única, onde cada elemento está no lugar certo. Basta sabermos o que cada um tem a nos oferecer. Se comida e bebida devem ser acompanhados por outras sensações. O restaurante local não economiza para ofertar as mais variadas.

O Carré de Carneiro ou o Polvo a Gallega são pratos com um sabor que acalma os mais tórridos paladares. A música que vem de um piano (sim... tem um piano também) faz os taninos dançarem enquanto o vinho dá voltas na taça.

Você ainda pode terminar sua garrafa de vinho, ou iniciar outra, num um jardim ao lado das parreiras. Em um dia de sol misturado com o vinho, é a combinação perfeita para um brinde à vida.

A uva e o vinho

“Um homem dos vinhedos falou, em agonia,

junto ao ouvido de Marcela.

Antes de morrer revelou a ela o segredo:

– A uva – sussurrou – é feita de vinho.

Marcela Pérez-Silva me contou isto, e eu pensei:

se a uva é feita de vinho, talvez a gente seja as palavras que contam o que a gente é.”

(Eduardo Galeano, escritor Uruguaio, em O Livro dos Abraços)

28 de novembro de 2020

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