Exposição revela os segredos na escuridão marinha

Não, não é no Brasil! Você pode ver a exposição no Museu de História Natural, em Londres

Foto - Vida no escuro, que assume nova importância após o resgate na caverna de Tham Luang na Tailândia. Foto: Curadores do Museu de História Natural 2018


Os curadores dessa jornada cativante no Museu de História Natural de Londres trouxeram para nosso conhecimento alguns dos ecossistemas mais extremos da Terra - que inclui um manequim com roupa de mergulho - eles não poderiam ter adivinhado como o seu significado mudaria no momento em que a exposição fosse inaugurada. Na semana que 12 meninos e seu treinador de futebol ficaram presos na caverna inundada de Tham Luang, o manequim parece uma estátua de um herói moderno.

Esta exposição mostra como as técnicas que permitiram que a equipe de futebol do Wild Boar fosse localizada e salva vêm da vanguarda das explorações do homem no mundo submerso. As cavernas submersas são um dos lugares não descobertos da Terra. Apenas cerca de 10% dos espaços esculpidos sob a superfície do planeta pela água da chuva, que reagindo contra o calcário são conhecidos pelos humanos.

O mergulho em cavernas é quase tão difícil e aventureiro quanto as viagens espaciais. E também, vemos nesta exposição, descobertas científicas surpreendentes. Os “creepy crawlies” são um vislumbre de algumas das maravilhas mais arrepiantes da natureza, há também uma centopeia gigante e baratas que comem guano. E você pode sentir o cheiro desse guano.

Foto - Equipamento de mergulho em alto mar. Foto: Jacob Hutchins / Rex / Shutterstock


As criaturas cegas e sem cor que habitam as cavernas são a lenda e a ciência juntos na nossa frente. O “Olm” é uma salamandra aquática branca que vive em cavernas inundadas nos Balcãs. Sua aparência monstruosa inspirou uma crença popular de que é seria um bebê dragão - As cavernas são afinal as casas dos dragões - de acordo com os Vikings e JRR Tolkien. O nome parece relacionado ao mundo nórdico “Orm”, significando uma cobra ou dragão.

A exposição “Life in the Dark” é uma mistura de modernas instalações imersivas com espécimes das vastas coleções de animais preservados do Museu de História Natural. Uma vez, essas criaturas empalhadas ou em conserva foram exibidas em todo este maravilhoso edifício vitoriano. Hoje muitos estão escondidos ou visíveis apenas em turnês, mas para esta exposição eles foram liberados para o público, parecendo monstros de filmes de ficção cientifica.

Tudo começa na galeria Beatrix Potter, com texugos de pelúcia, raposas e corujas em uma recriação de natureza noturna. Mas então você viaja mais fundo no escuro, passando por morcegos gritando, através de uma caverna de pedra com um tanque cheio de “tetra fish mexicano” (vivos) sem olhos, até você mergulhar nas profundezas do mar, mais fundo que uma baleia poderia ir, mais fundo que parece um sonho.

Foto - Animais bizarros ... A vida no escuro. Foto: Jacob Hutchins / Rex / Shutterstock


Se cavernas são misteriosas e desafiadoras para explorar, o fundo do mar continua sendo o menos terreno dos ambientes da Terra. Esta exposição recria o abismo com um arsenal de efeitos multimídia que fazem você se sentir como se estivesse andando por uma versão imersiva do “Blue Planet” da BBC. Um deslumbrante conjunto de luzes cintila em um espaço escuro que parece continuar para sempre, evocando como seria flutuar nas profundezas e contemplar uma miríade de criaturas bioluminescentes.

No entanto, embora corresponda ao espetáculo indutor de um documentário sobre a natureza, isso é ciência. A fotografia sedutora e a edição suave das TVs podem levantar questões sobre a autenticidade, sem mencionar que tudo está além de ser bonito. Aqui as imagens são todas reais e as coisas nos frascos ainda mais. As filmagens de um submarino são tão cruas que não só o mar está cheio de poeira e plâncton, mas as vozes dos controladores do robô podem ser ouvidas dizendo coisas fúteis (“Aí meu Deus é um tubarão!”). Nas proximidades estão algumas das criaturas que eles observaram: um polvo Dumbo, um pepino do mar, um peixe-pescador com dentes enormes - alguns dos animais mais estranhos do planeta.

Foto - Galeria das maravilhas… Vida no escuro. Foto: Curadores do Museu de História Natural


Se os alienígenas existem, eles podem se assemelhar às formas de vida que se reúnem em torno de fontes hidrotermais vulcânicas nos pisos oceânicos. O verme de Pompeia, parecendo um caule de ruibarbo podre em seu pote, é uma dessas criaturas impossíveis. Ele se ancora na rocha que está com temperaturas de 80 graus centígrados.

Os cientistas ainda não descobriram como pode prosperar na água quase fervente.

O Museu de História Natural não é apenas uma atração para a familia, mas um centro de pesquisa de ponta. Seus pesquisadores, a exposição revela, fizeram recentemente um avanço surpreendente. O estranho mundo das fontes hidrotermais com suas colônias de crustáceos brancos cegos parece absolutamente primordial. Parece razoável supor que a vida aqui continua da mesma maneira desde o início da história dos animais. No entanto, comparando fósseis da antiga fauna hidrotermal com os habitantes desses lugares remotos hoje, o NHM descobriu que esse não é o caso. A vida que vemos aqui evoluiu muito mais recentemente - e ainda está evoluindo.

A arte e a ciência se reúnem nesta galeria de maravilhas para que você fique de boca aberta como um peixe do fundo do mar, a boca aberta, os olhos esbugalhados, hipnotizados pela bioluminescência.


A exposição “Life in the Dark” está no Museu de História Natural, em Londres, de 13 de julho a 6 de janeiro. Texto de Jonathan Jones – Crítico de Arte - UK - Link Origem

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