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Delator da carne fraca acusa deputado João Arruda

Ex-superintendente afirmou que frigorífico ofereceu dinheiro ao parlamentar

O ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho, principal delator da Operação Carne Fraca, disse à Justiça que intermediou pagamento de propina para a campanha do deputado federal João Arruda (MDB-PR).

Daniel Filho deu depoimento ao juiz Marcos Josegrei, da 14ª Vara Criminal de Curitiba, em ação que apura fraudes na liberação de licenças e fiscalizações irregulares em frigoríficos. O deputado nega e diz ser vítima de vingança.

Os pagamentos, segundo o delator, foram um pedido de Gil Bueno Magalhães, outro ex-superintendente, para atender a interesses dos donos do Frigorífico Peccin, que queriam que o deputado usasse a influência política que tinha para tirar da empresa o fiscal Daniel Gouvêia, considerado rigoroso.

"O superintendente era o Gil. Me chamou e falou: 'Olha Daniel, estamos querendo tirar, mexer lá no Peccin. O Peccin está com vontade de colaborar politicamente com os nossos deputados. Eu falei 'Está bom, como eu faço?'. [Ele] falou: 'Ele pretende dar uma ajuda de R$ 100 mil. Você vai lá no João Arruda , conversa com ele e coloca o Peccin em contato com ele para que possa ajudar na campanha política do João Arruda. Foi isso que aconteceu. Eu sai do circuito. Não sei se foi pago, se não foi", disse Daniel.

O delator afirmou que não sabe se o dinheiro foi de fato repassado ou não, mas citou que se desentendeu com João Arruda quando foi prestar contas a ele, porque "o deputado queria mais dinheiro e eu não conseguia".

24 de novembro de 2020

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