Ex-deputado Carli Filho é condenado a nove anos e quatro meses

Pena poderá ser cumprida depois do julgamento em segunda instância

O ex-deputado estadual do Paraná Luiz Fernando Ribas Carli Filho foi condenado, nesta quarta-feira, a nove anos e quatro meses de prisão por duplo homicídio com dolo eventual. Os jurados o consideraram culpado pela morte de dois jovens em maio de 2009. Carli não vai cumprir a pena imediatamente, uma vez que ainda pode recorrer à segunda instância, no caso, o Tribunal de Justiça do Paraná.

O julgamento começou na última terça-feira e o próprio Carli admitiu que estava embriagado no momento em que seu carro atingiu o carro das duas vítimas. De acordo com a perícia, o carro do ex-deputado (um Passat importado da Alemanha), decolou nem uma subida da avenida Ivo Sanlorenzi, no bairro Mossunguê, em Curitiba, com a velocidade de 173 km/h e caiu sobre o veículo ocupado por Gilmar Rafael Uared, então com 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos. Os dois tiveram morte instantânea.

Após o choquem Carli foi parar na UTI do Hospital Evangélico, com várias fraturas no rosto. Filho de família de políticos do Sudoeste do Paraná – o seu pai, Fernando Ribas Carli era prefeito de Guarapuava e seu irmão, Bernardo Carli, é deputado estadual – Carli Filho renunciou ao mandato logo após ao acidente.

A mãe de Gilmar Rafael, Christiane Yared, mobilizou a mídia local e participou de diversos movimentos pela paz no trânsito. A sua militância lhe valeu um mandato como deputada federal pelo PR do Paraná, com a maior votação do estado.

“Após nove anos, muita dor, temos com esta condenação a certeza de esta decisão com certeza absoluta vai salvar muitas vidas. Isso é o mais importante. Esta decisão muda agora a forma do país encarar as mortes no trânsito, muda o comportamento de um povo”, disse Christiane Yared, após a sentença.

O advogado Elias Mattas Assad, contratado pela família Yared, para atuar como assistente da acusação afirmou que a família não vai recorrer para aumentar a pena. “Não vamos recorrer para o aumento da pena. Já tínhamos decidido isso com a família Yared antes mesmo do julgamento. Não vamos recorrer”, disse o advogado.

A mãe de Carlos Murilo, a outra vítima, disse que a Justiça foi feita. “Estou muito mais aliviada. Saiu aquele peso e agora talvez vou poder dormir. E eu o perdoo. Ele pediu e perdoo. Não quero mais guardar este rancor”, disse Vera Lúcia.

Carli chegou a pedir perdão às duas mães, durante o julgamento. “Eu sou culpado, mas nunca tive a intenção de matar ninguém. Eu errei, eu bebi, eu dirigi. Eu sei que nunca tive a oportunidade de pedir desculpas para a dona Christiane e para a dona Vera, quero pedir desculpas. Quero do fundo do meu coração”, disse Carli no encerramento do primeiro dia do júri, na noite de terça-feira.

A defesa tentou fazer a tese do homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Mesmo admitindo a embriaguez ao volante, o advogado Alessandro Silvério, alegou que não é possível determinar a velocidade que Carli trafegava e que Gilmar Yared teria cruzado a via preferencial.

Para o promotor Rodrigo Chemin, que participou da acusação, a co0ndenação é emblemática, por se tratar de um político influente. “É um marco divisório da Justiça deste país. Uma conclusão democrática e um basta na violência no trânsito”, concluiu.

31 de outubro de 2020

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