A Monja de Dresden e as mensagens do divino

Previsões de uma freira de 1700 para acontecimentos em 2953

Quando Napoleão esteve à beira da morte no seu exílio em Santa Helena, comentou que ao apagar de sua estrela, encontraria paz e perdão entre os braços de uma santa. A santa era provavelmente a ilha na qual morria. Ou pelo menos assim pareceu quando a singular previsão (segue no texto) foi divulgada pelo abate austríaco Nicholas Holbne, talvez interessado politicamente em redimensionar a fama da blasfêmia do imperador, grande inimigo da Igreja, ou simplesmente atraído pela tentação de fazer-se passar por vidente.

Mas provou-se que a profecia não era sua, e sim de uma freira que viveu um século antes em um convento perto do rio Elba e que ali morreu bem jovem, em 1706, à idade de 26 anos. Dela não se conhecia suas origens, salvo que nascera em Dresden e de que se tratava de uma moça de condição muito humilde, chamada por uma voz celeste para transcrever mensagens divinas para os poderosos da terra. A essa ordem ela havia obedecido com zelo, enviando relatórios circunstanciais das próprias visões a papas e monarcas, tanto em latim como em alemão, mesmo sendo analfabeta funcional.

Deduz-se que tenha sido ela a santa entre cujos braços morria o imperador, arrependido de seus pecados, visto que ela havia prenunciado sua convenção.

Pouco importa qual fosse a realidade dessa profecia, e se devemos entender por Santa Helena ou a piedosa virgem que previa o evento com mais de um século de antecedência. O que importa é que pela ressonância mundial da morte de Napoleão, acrescida pelos boatos de uma reconciliação com a Igreja, criou-se em torno da anônima monja de Dresden uma aura de curiosidade intrigante, que envolvem não apenas padres e ocultistas, mas também historiadores de visão aberta, interessado em estudar o caso sob a ótica cientificam, como exigia à cultura racionalista da época.

As pesquisas levaram à descoberta de trinta cartas, resíduo de uma correspondência bem mais vasta, da qual foi possível extrair espantosas considerações sobre o nível cultural da autora – devia efetivamente tê-las escrito em um estado de transe muito similar àquela condição de vidência extática que os crentes chamam de inspiração divina.

A coisa mais surpreendente nas profecias da monja de Dresden é que elas correspondem a um esquema totalmente análogo àquele elaborado ao fim do século Xll por Joaquim da Fiore, o abade, adotado de espírito profético, que causara tanta impressão em Dante Alighieri e em outros grandes espíritos medievais, com a sua escatologia sistemática, perfeitamente enquadrada em evangélica filosofia do fim do mundo. Até ela que não havia provavelmente aprendido a ler nem muito menos compreender o Comentário do Apocalipse e outros escritos proféticos do cisterciense Joaquim, além de outros banidos pelos teólogos, divide o arco da história em três tempos. Ela também coloca cada um desses períodos sob a influàªncia de uma figura da Trindade. E fixa a data do juízo final nos últimos tempos do terceiro. Prevê que o fim do mundo se consumará no de 3033, calculando o tempo a partir do sacrifício (a Redenção) antes do nascimento de Cristo.

Passou o milênio Pai. Aqueles que estamos vivendo é o milênio Filho. O terceiro e último será o milênio do Espírito Santo. Depois virá a inquietação da Terra.

A monja diz que o fim dos tempos se aproximando aumentará em dolorosa sintonia com a degradação da humanidade, até manifestar-se na sua extrema potência na data prevista. Já em 2413, diz a Voz que inspira a vidente, deverá considerar-se ser abençoado o homem que jaz agora sob a terra. Horrores espantosos lhe serão poupados, uma vez que a partir daquele ano e muitas terras serão convulsionadas [...] e onde navegavam barcos, onde andavam caminharão e os carros, agitarão as ondas do mar.

E isso será o início, sublinha a Voz, porque inquietações sucessivas ocorrerão em 2419, em 2483, em 2490, em 2516, em 2526. Assim sucessivamente, a intervalos regulares e breves, até 2953, quando se dará o último abalo antes daquele final.

Franco Cuomo

28 de outubro de 2020

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