Cuidado, o homem é valente e invisível


Em meio à censura das matérias políticas e policiais, os destaques dos jornais estavam abertos às manchetes esportivas. Enquanto no Brasil os militares se desdobravam para controlar manifestações públicas contra a ditadura, mundo afora os atletas do país davam involuntariamente ao governo um prato cheio para usar as vitórias nas quadras, nos estádios e ringues como propaganda de tempos de glória. Referências em suas respectivas modalidades, Maria Esther Bueno, Amaury Pasos, Aída dos Santos e Éder Jofre, entre outros, tiveram seus feitos associados à imagem de uma nação unida e em crescimento.

Por outro lado, cidadãos em que a veia revolucionária pulsava mais forte do que a aptidão para o esporte sofreram com a tortura – e seus nomes passaram longe das páginas dos jornais no período. Osvaldo Orlando da Costa e Stuart Angel são alguns dos personagens que, apesar do passado como atleta, ficaram marcados pela luta revolucionária. Ex-pugilista do Vasco, Osvaldão foi um dos líderes da Guerrilha do Araguaia, enquanto o filho da estilista Zuzu Angel, bicampeão carioca de remo pelo Flamengo, foi um dos membros do MR-8.

No dia em que o golpe militar de 1964 completa 50 anos, o GloboEsporte.com conta, através de depoimentos de atletas, parentes e amigos, parte da história que passou longe das páginas dos jornais da época.

DE CAMPEÃO PELO VASCO A GUERRILHEIRO NO ARAGUAIA A força dos punhos e os quase 2m de altura eram proporcionais à coragem que carregava no peito. Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, é lembrado até hoje como um dos principais integrantes da Guerrilha do Araguaia, na década de 1970. Mas antes de entregar sua vida por um ideal após o Golpe Militar, foi campeão de boxe defendendo as cores do Vasco da Gama em torneios no Rio de Janeiro.

- Ele era gigante. Tinha 1,98m de altura. Um bom porte físico para a prática de esporte, mas também para ser guerrilheiro. Ele era um dos guerreiros mais conhecidos do Araguaia. Surgiram lendas de que era um guerrilheiro sobrenatural, que ficava até invisível para fugir do Exército – disse o escritor Bernardo Joffilly, autor do livro ‘’Osvaldão e a Saga do Araguaia’’.

A trajetória esportiva não se resumia apenas aos ringues. Desde menino, Osvaldo ainda praticava atletismo e basquete nas horas vagas. Não por acaso, o nome do guerreiro batiza o ginásio poliesportivo de sua terra natal, o município de Passa Quatro, no interior de Minas.

- Ele chegou a ser campeão de boxe amador, na categoria peso-pesado. Osvaldo praticava remo, basquete, arremesso de dardo, disco e peso – contou a sobrinha Cristina, que vive no Rio de Janeiro.

Os tempos de guerrilha deixaram poucos vestígios da trajetória de Osvaldão nos ringues. Mas no acervo de memória do Vasco ainda há registros, como as fichas das lutas que o consagraram campeão do torneio Luvas de Prata de 1956. Dois duelos contra Antonio Alves da Souza, com uma derrota e um triunfo, foram o suficiente para levar o troféu.

Depois de viver muito tempo no Rio de Janeiro, onde foi estudar, Osvaldo também passou um período na Europa. Passou alguns anos estudando engenharia em Praga, na antiga Tchecoslováquia, e deixou o esporte em segundo plano.

- As pessoas o conhecem pouco pelo lado esportivo. Ficou conhecido pelo lado guerrilheiro. Só quem conviveu de perto sabe de toda a história esportiva. Ele era muito forte, tão forte que carregava pessoas no ombro. Vivia incentivando a molecada da cidade a praticar muitos esportes – disse outra sobrinha, Maria Elisa.

A história do esportista guerrilheiro foi retratada no filme ”Onde Está Osvaldão?” (2014), com estreia prevista para junho deste ano. O longa é produzido por Renata Petta e dirigido por Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles,

O mineiro nunca se tornou um grande campeão e nem ganhou outros títulos. Mas serviu de exemplo de coragem. A Guerrilha do Araguaia sofreu três operações de aniquilamento. Para a terceira, o Exército passou muito tempo se preparando com trabalho de espionagem e mapeamento da área. O grupo foi duramente atingido e, de acordo com a versão dos sobreviventes, Osvaldão foi morto por um pistoleiro em um milharal, em 1974, aos 35 anos. Para servir de exemplo e acabar de vez com o mito do guerreiro invencível, ele teve sua cabeça decepada e exposta em público. Fonte: site ‘Ao Vasco Tudo’

(Fonte)

22 de outubro de 2020

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